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S.O.S Selvagem

Reflecti e estruturei mentalmente. Depois de algumas redundâncias, perder trabalho feito e alguma falta de inspiração, para ser politicamente correcta, agarrei na caneta.

Este é o resultado.

O bater do meu coração por companhia, numa noite ventosa, refresco a mente por horas de madrugada adentro. Um pequeno morcego, esvoaça teimosamente perto de mim, ao mesmo tempo que o eco de uma coruja irrompe a noite como um alfinete. Melhor que este quadro, da madrugada, numa cidade, seria, seguramente, muito difícil.

Quão bela nos tornam a vida, os animais. Dos mais bizarros aos mais comuns, dos mais coloridos aos menos apelativos, dos mais tímidos aos mais excêntricos. Sem eles, as noites não seriam noites. Seriam uma qualquer coisa escura em compasso de espera pela chegada do sol. A Primavera não seria Primavera. Seria talvez um jardim comestível, sem movimentos, sons, ou esperança. Os oceanos seriam apenas mares. Os mistérios da vida não existiriam e a existência parceria pequena demais para a magia de ter nascido.

Que seria do mundo sem animais? Todos os animais… Seria qualquer coisa, que não mundo, mas um planeta.

E, que andamos nós a fazer por cá?

Além da arrogância de se querer o mundo só para si, ainda ouvimos relatos, cada vez mais frequentes, de todo o mundo, de que animais selvagens invadem cidades e populações e cometem verdadeiros atentados. Pobres vingadores. Pobres dos mais pobres.

As leis da Natureza ditam as regras da renovação, da evolução, da adaptação. Ainda que assim seja, creio que, se Charles Darwin fosse vivo, as suas teorias seriam seguramente diferentes.

Não querendo colocar-me ao lado do mais debatido tema da Evolução das Espécies, posso tentar teorizar empaticamente com a mente jovem, curiosa de Darwin.

Em primeiro lugar, reescreveria o título para ‘A Maldição das Espécies’, ou, para não parecer tão sarcástica e fugir à perseguição da crítica sádica da sociedade, alteraria para ‘A Evolução Sacrificada das Espécies’.

Mártires da sua existência, o mundo vivo, além do bípede Homem, implora por respeito e dignidade. Os sinais mudos acontecem uns sobre os outros. Os gritos aflitos de socorro pela vida, se os ouvíssemos das suas almas, seria impossível viver na Terra e planetas mais próximos. Viver implica emergência. Emergência de tudo se conjugar em prol da própria vida.

Ainda que, para o surgimento de novas espécies animais, seja necessário passar por estádios intermédios que levam à extinção de espécies trampolim para aumentar a biodiversidade, ainda que haja um ciclo natural de extinção de espécies, dando lugar outras com características distintas, algo de dramático se passa.

Analisando e traduzindo estatisticamente, o motivo de extinção de espécies animais, os olhos alagam-se de peso da consciência ao ser Humano. Caça para tráfico de peles. Caça para tráfico de marfim para adornos. Caça para satisfação de receitas medicinais orientais. Caça por caçar. As armas rainhas e as desculpas multiplicam-se. A verdade, é que animais de grande porte vão vendo a sua espécie tão cobiçada até à extinção.

A desculpa de necessidade de espaço para a população humana, deixa a vida animal sem espaço para si. E assim correm os dias. E assim correm as horas. Se para os humanos ‘o tempo voa’, para a vida animal o tempo urge.

Investigadores referem que a catástrofe está em ritmo ‘tic tac’. Estima-se que, a cada 15 minutos, desapareça uma espécie animal do mundo. Sim, pode ter sido vítima de caça até à extinção, mas pensemos: Não será o homem o motivo de autênticas perseguições entre animais?

Directa ou indirectamente, o homem é réu das heranças perdidas, ignorando que se condena a si mesmo pela exuberância de se auto-reconhecer como sapiens.

As causas naturais de extinções existem, como é óbvio. Os ciclos de vida, também são uma realidade. Ainda assim, com cada espécie que se extingue, é uma herança universal que se dissipa, não no Universo, não na Terra, mas na eternidade. E, a eternidade, é longe demais.

Pequeno vídeo com espécies animais que imploram pela vida, em vias de extinção. Pequeno vídeo com espécies que não voltarão a passear pelo mundo, espécies extintas.

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Ana Cláudia Domingos

Talvez por ter nascido na Guarda, a cidade mais alta de Portugal, vivo com a cabeça nas nuvens (quase) a tempo inteiro. Para quem vive na cabeça nas nuvens, só isso, não chega. Falta o charme de exprimir emoções e sensações. Enquanto escolha, foi na saúde a minha aposta de vida. Na escrita e outras artes, como na música, encontro aconchego e pó mágico para esta vida. Longe de ser perfeita, enfim.... sou eu!

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One Comment

  1. Linda e sentida reflexão. Um momento de introspecção necessária e urgente que surge pela escrita de uma mulher fantástica! 😉

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