Desporto

Rui (sem) Vitória nos ‘Clássicos’

O Benfica apostou em Rui Vitória para começar um novo ciclo e romper com o passado de seis anos de Jorge Jesus à frente do bicampeão nacional. Com um plantel bastante semelhante àquele que conquistou o título na época passada, ao contrário de FC Porto, que viu partir vários titulares, e do Sporting, que com a chegada de Jorge Jesus assumiu romper com tudo o que fora feito até então, a maioria dos analistas não hesitavam em colocar o clube da Luz na ‘pole position’ da corrida ao título. No entanto e apesar de estarem na luta pelo 35º título nacional, os jogos contra os seus mais directos rivais têm revelado todas as fragilidades de Rui Vitória, que este tem sabido esconder, ou pelo menos atenuar, nos jogos contra adversários de dimensão menor, sendo nesta altura o factor que desequilibra as contas, sem contar com a derrota nas primeiras jornadas em Aveiro frente ao Arouca.

Falta apenas um jogo com o Sporting em Alvalade, na 25ª jornada, para que o Benfica encerre os ‘clássicos’ desta temporada e, tendo em conta a história escrita até aqui, os adeptos encarnados só têm razões para estarem pessimistas. Rui Vitória tem o mérito de ter ressuscitado várias vezes a equipa e de ter transformado jogadores que começaram por ser muito criticados e outros olhados com desconfiança, para agora serem considerados titulares indiscutíveis e primeiras opções para entrar. A verdade é que uma época que começou com todos a ordenarem que Luís Filipe Vieira fosse ao mercado contratar reforços urgentes, chegados à reabertura do mesmo já ninguém pedia contratações ao presidente.

Porém, por que razão devem os benfiquistas estar pessimistas? Simplesmente, porque Rui Vitória nos cinco clássicos disputados esta época (três com Sporting e dois com FC Porto) não conseguiu qualquer vitória, nem um empate no mínimo, acrescentando ainda um “goal average” de 2-9! Contudo, a grande razão para preocupação é a forma como a equipa surge nestes jogos, não apresentando a mesma atitude que depois demonstra noutros, onde, mesmo sem apresentar um futebol bem jogado na maioria do tempo, consegue ganhar graças a uma entrega do colectivo e uma eficácia tremenda no ataque. Contra Sporting e FC Porto não se viu, ainda, nem uma coisa, nem outra… Porquê?

Porque o Benfica de Vitória não consegue parar o meio-campo dos seus dois rivais e a prova está na forma como sofre os 9 golos nestes cinco jogos: Remate de Carrillo em zona frontal à baliza, com desvio de Teo; contra-ataque rápido, com triangulação simples suficiente para deixar André André sozinho em zona frontal à baliza; perda de bola em frente à área e Teo surge isolado a finalizar; cruzamento do lado esquerdo para Slimani cabecear, em plena área, na zona de penalty, sem precisar de saltar; Slimani galga alguns metros com a bola controlada, ainda remata sem oposição com Júlio Cesar a negar o golo, mas Ruiz a surgir mais rápido a finalizar; mais uma sucessão de erros na defesa do Benfica com Adrien a surgir sozinho no seio da área a finalizar; novo remate à entrada da área, sem pressão, para mais uma defesa de Júlio César, mas como, noutras situações já citadas, Slimani é mais rápido que a defesa e faz a recarga; Herrera com tempo para pensar e decidir onde colocar a bola faz um remate certeiro e por fim Aboubakar, depois de demonstrar durante todo o jogo como era fácil entrar por entre André Almeida e Lindelof, acaba por aproveitar nova oferta para aparecer dentro da área para finalizar o golo que dita a 5ª derrota, em clássicos, do Benfica de Vitória.

Apesar do desfecho igual, o Benfica acaba por dar mais luta nos jogos da Supertaça e da 4ª eliminatória da Taça de Portugal, contra o Sporting, porque, em ambos os jogos, apresenta um meio-campo reforçado com três homens, abdicando de um ponta-de-lança, no entanto, acaba por depois não saber atacar, pois o homem extra no meio-campo (Talisca na Supertaça e Pizzi na Taça) nunca consegue ser o apoio do homem mais adiantado (Jonas na Supertaça e Mitroglu na Taça).

O ponto comum nestes desaires tem a ver, sem dúvida, com a forma como o meio-campo deixa o adversário ir para cima da defesa benfiquista, que depois, sem o apoio dos médios-centro, não consegue efectuar a pressão necessária para sacudir o perigo, já para não falar nas várias deficiências apresentadas nas laterais pelos dois titulares mais utilizados, ambos adaptados ao lugar. Se no lado esquerdo Gaitan ainda ajuda Eliseu (mérito do tempo de Jorge Jesus), Vitória ainda não conseguiu fazer o mesmo com Pizzi ou Gonçalo Guedes, entretanto, desaparecido. A juntar a isto temos as más opções de Rui Vitória na hora de mexer na equipa, onde revela precipitação (como se viu na entrada de Salvio no último jogo frente ao FC Porto) e aparenta não ter um plano alternativo para as situações em que a equipa precisa dar a volta por cima. Em suma, Vitória vê-se sem ideias e a equipa é contagiada pela desorientação do seu ‘mister’.

A equipa reagiu bem, mais uma vez, à derrota num ‘clássico’ e chega a Alvalade a um ponto do Sporting, com a possibilidade de, no caso de triunfo, ultrapassar os leões na liderança pela primeira vez esta época… mas não haverá um único benfiquista, a não ser aquele que acha que a equipa vai sempre ganhar 15-0, que não se irá lembrar do rendimento da equipa nos outros cinco duelos contra os rivais de sempre.

Dia 5 de Março é a última oportunidade, nesta temporada, de Rui colocar uma Vitória em jogos contra ‘grandes’ ou muito provavelmente será o inicio do adeus definitivo ao possível tricampeonato.

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Pedro Pardal

Do Ensino ao Jornalismo a distância não é assim tão grande, pelo menos para mim que fiz destas duas áreas as minhas duas paixões.
As minhas raízes estão em Aljustrel, mas Coimbra será para sempre a “minha” cidade. Os interesses são vários, desde o desenho, a fotografia, o praticar desporto e é com eles como base que irei tentar conjugar os meus futuros trabalhos.
É no Desporto que reside a minha verdadeira paixão, com o Futebol e o Basquetebol como principais clientes das minhas análises.

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