Desporto

Rolls-Royce Phantom VIII – Um luxo sobre rodas

Quando foi apresentado, em 2003, o Rolls-Royce Phantom VII era o pináculo da marca de Goodwood. Toda a historia da marca foi pensada para dar origem aquele modelo. O seu motor era celebrado pela suavidade que apresentava e pela sua força imparável. O interior era um excesso de madeira, pele e acima de tudo conforto. Porém em 2016, uma vez que o design, o motor e, acima de tudo, o luxo já estavam desactualizados, foi necessário “matar” o Phantom VII. Assim, em Julho de 2017, a Rolls-Royce apresentou o Phantom VIII. O REI MORREU! LONGA VIDA AO REI!

A espera foi longa, confesso. E quando as primeiras imagens do novo Phantom apareceram, ainda sob a forma de fuga de informação, a minha primeira ideia foi que a Rolls tinha feito o primeiro carro feio desde o Camargue, de 1975. Felizmente, estava enganado. O novo Phantom é um carro completamente novo, mais curto, mais magro, mais elegante e mais alto em ambas as versões (chassis curto e chassis comprido). Em termos de design, fica a sensação que houve, simplesmente, um arredondamento das linhas e umas ligeiras mudanças estéticas, existindo uma ideia de continuidade a partir do modelo anterior. Não me entendam mal, continua a ser imponente, aristocrático e mesmo parado, continua a mostrar força e poder. Simplesmente está mais suave e mais acessível.

Sejamos, porém, honestos. Ninguém vai comprar um Rolls-Royce pelo design. Compram-no pelo luxo e pela mecânica. E é na mecânica, concretamente no motor, que está a primeira grande diferença. No entanto, comecemos pelo chassis, que é novo, feito em alumínio, e não sendo modular, permitirá aos designers da marca “explorar as avenidas da personalização”, que a marca tanto deseja. A Rolls-Royce chamou, afectuosamente, ao chassis “The Architecture of Luxury”, irá servir de base ao SUV e à próxima geração de modelos da marca.

Outra grande novidade mecânica é a uma nova suspensão, pneumática, que monitoriza a carroceria, as rodas, o volante e a estrada imediatamente à frente do carro de modo a “apagar” da estrada qualquer coisa que possa vir a eventualmente incomodar os ocupantes. Aliada à suspensão aparece um sistema de 4 rodas direcionais, o primeiro da marca, onde o enfase está na estabilidade a alta-velocidade em vez de agilidade a baixa-velocidade. O que faz do novo Phantom um estradista nato, algo estranho para um Rolls-Royce. Como já disse a grande diferença está no motor. Onde dantes existia um imponente V12 atmosférico com 6.75 litros e uns aristocráticos 450 cavalos, agora há um potente V12 biturbo de 6.75 litros e uns magníficos 560 cavalos.

E antes que comecem a barafustar com a existência dos turbos e com a potência, deixem-me dizer-vos que o turbo-lag (aquele intervalo de tempo entre o acelerar e o turbo entrar em funcionamento) é praticamente inexistente e que a potência, à boa e velha maneira da Casa de Goodwood, é perfeitamente adequada ao carro. Juntamente com V12 surge uma caixa de 8 relações, com controlo por GPS, como no Wraith, uma vez que, quem quer que vá ao volante do Phantom, seja o motorista ou o dono, não pode ser incomodado com a tarefa tão mundana e tão plebeia, de trocar de velocidade.

Passemos, então, ao luxo, que já vos sinto, caros leitores, com comichão por ainda não ter falado dele. Se o Phantom VII era o pináculo do luxo em 2003, o Phantom VIII, também terá de o ser, em 2017. E como seria de esperar, conseguiu exactamente mesmo, mas por onde começar? Porque não, pelo que a Rolls-Royce apelidou de “The Gallery”, aquele vasto espaço que ocupa a parte superior do tablier? De série é possível escolher 7 obras de arte, porém, se essas não forem do seu agrado, os artistas do departamento de personalização terão todo o prazer em construir uma obra única exclusiva para si. Não é o suficiente? Se, por ventura, achar que há pouca madeira no interior pode sempre pedir que os braços do volante e as 4 portas sejam forrados a madeira. Isto para não referir as 22 cores base para a pele, e os 12 tipos de madeira que a Rolls oferece.

E os bancos, meus caros, os bancos! Uma pessoa não se senta neste carro, é abraçada por ele. Tudo está ao nosso alcance. Nos bancos traseiros há os controlos da posição dos bancos, do ar condicionado, das massagens, e os botões que permitem fechar as portas (onde é que já se viu uma pessoa fechar a porta manualmente?) e abrir não só os ecrãs de 12” como as mesinhas de pic-nic que existem à disposição dos ocupantes. Há também um frigorifico (sim, porque o Phantom vem com um frigorifico de série) entre os dois lugares traseiros. Isto para não dizer que finalmente não há plástico no interior do Phantom. Tudo quanto parece metal é metal e tudo quando parece pele é pele. Se, no entanto, nada disto satisfizer as suas necessidades de luxo ou opulência, a marca de Goodwood irá acomodar qualquer pedido que deseje, desde peles, madeiras, gadgets, etc., por uma módica quantia, obviamente.

O novo Phantom, não só é o navio-almirante da Rolls-Royce, como é também o novo padrão do luxo. E a Maybach e, acima de tudo, a Bentley, terão de responder rápida e adequadamente, ou arriscam-se a ficar ainda mais para trás. Falta só mencionar o preço. Bem, antes de mais, há o velho adagio, se tem de perguntar quanto custa é porque não o pode comprar. E depois a Rolls-Royce ainda não o anunciou. Porém tendo em conta que o Phantom VII, tinha um preço base de 450 mil euros, não me admirava nada se o Phantom VIII tivesse um preço base 600 mil euros, ou perto disso.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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