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CulturaMúsica

Rock & Metal: a música do Diabo

A usucapião de espaço e som dos novos hits de verão – que se prolongam durante o ano -, do kizomba quente e sensual, do funk moderno e contemporâneo nas rádios, televisões, cafés e bares é algo de extraordinário e digno de estudo, no mínimo!

É impossível (e seria injusto, até!) agradar-se a gregos e a troianos… O que seria do amarelo, certo?

Contudo, a invasão sentida pelos outros, pelos proscritos e deportados socialmente porque não gostam das musicas modernas e actuais, torna-se uma agonia e aflição porque não há outra opção de género musical em locais públicos.

É certo e evidente que é um trabalho de Sísifo tentar sugerir ou comentar e defender o Rock ou Metal. Já remo contra a maré desde que me considero gente e sei que os argumentos leigos e ínscios são sempre os mesmos com os ditos “gritos doentios, barulhos estridentes e guitarras em cólera”.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não sejam injustos e retirem, por favor, as palas pois, de dia ou à noite, os gatos não são todos pardos!

Desafio à comparação e confronto, de forma totalmente isenta de juízos de valores e de gostos musicais, de letras de música entre os géneros musicais supracitados.

Letra de uma música de Rock Vs. uma de Kizomba.

Letra de uma música de Metal Vs. uma letra de Funk.

Espantem-se e, depois, admitam que, afinal de contas, a música do Diabo não fala apenas sobre mortes, torturas, padecimento e amarguras. Oiçam, atentamente, a lacuna de gritos doentios ou barulhos estridentes que há na maior parte das músicas. Oiçam a profundidade e a mensagem que é passada através das letras. Para fazer-se sentir, tem de doer e dilacerar.

O Rock e o Metal juntam-se à mesa, bebem e petiscam num convívio familiar que durará infinitamente. Conversas padronizadas e o politicamente correcto não existe. O ambiente caloroso e intemporal que perdura desde os inícios dos anos 50 existirá para todos aqueles que ouvem e que gostam da arte constituída pelo outro excomungado.

Músicas de verão, músicas modernas e recentes, essas, as tais, com um prazo de validade assustador. Rei morto, rei posto! Tudo vanesce num lapso e há a enorme necessidade e obrigação de, imediatamente, substituir as colunas de som com outra música dentro do mesmo género musical quente e lascivo em alta e nos top nacionais, com gigantescas visualizações no YouTube.

A título de exemplo, o headbanging, por mais subtil que seja, não é sensual e pode causar, eventualmente, danos cerebrais! E, pergunto eu, ingenuamente, dançar Funk não provocará, por ventura, algum género de deslocamento na anca?

Os famosos “chifres do rock” podem, também, ferir alguma susceptibilidade quando este gesto é erradamente julgado e/ou interpretado… E, claro, de sensual nada tem!

Dissecando o tema, pouco ou nada interessa esta questão. Interessa, sim, obrigar, violentamente, os banidos do corpo social a ouvir apenas e somente este género padronizado e comercial de música!

Nada vale chorar sobre o leite derramado, o caos está instalado desde que as pessoas aceitaram – com total a legitimidade, claro está – este género musical tornando-o, desta forma, as Músicas (sim, com letra maiúscula).

Os outros e eu, os tais proscritos, aguardamos pacientemente por um milagre e que nos dêem a oportunidade, por mais pequena que seja, de ouvir alguma coisa que nos faça sentido!

Recuso-me a chutar o balde para longe pois sempre ouvi dizer que o Sol nasce para todos!

Se, neste momento, aplicássemos a Lei de talião aos ouvintes e fãs de KizombaFunks (existe no plural?) e géneros musicais comercializados apenas para darem lucro naquele verão específico não iriam, de todo, gostar e, muito menos, apreciar.

Nós passamos e lutamos, todos os dias, contra este cenário difícil e opressivo e fazemos das tripas coração caso se dê a vontade súbita de sair de casa onde não somos senhores da mesa de som.

Aguardamos pacientemente pela igualdade e, citando caso análogo, por dar o mesmo usufruto de uma simples saída à noite.

Deste modo, e sem qualquer julgamento feito com bases no gosto individual, tenho de puxar a brasa à minha (ou nossa) sardinha e aguardar que o Metal e Rock, a música do Diabo, renasça como a Fénix na sociedade moderna e que se faça ouvir em plenos pulmões. Por favor!

E este é o meu grito estridente e barulhento de revolta, com brutal headbanging acompanhados pelo devil’s horns e ao som de alta guitarrada colérica e batidas desenfreadas a sair da bateria.

Sentem o grito?

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Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever. Nos meus tempos livres, além de Freelancer de Conteúdos, também sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico de 1990. Com um conto policial publicado - Doce Sentença -, dois em fase de lançamento para as Antologias "A Margem da Sanidade" e "O Penhasco" e um livro em criação, todos dentro do mesmo género literário. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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