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Retornar a um sítio conhecido. Porque não?

A minha experiência do quotidiano diz-me que, geralmente, as viagens internacionais ou, até mesmo, nacionais mais afastados de nós não devem ser feitas para destinos já do nosso conhecimento. No entanto, a minha questão é: porque não?

No estrangeiro, dois locais que me marcaram e marcam são a capital espanhola, Madrid, e a cidade mais europeia da UE, Estrasburgo, em França. A verdade é que já tive a oportunidade de ir duas vezes a cada um destes pontos e fui. Sempre tive a curiosidade de voltar para viver momentos vividos anteriormente até que aconteceu. E o resultado foi bastante positivo.

De facto, revive-se. Quando verdadeiramente significam mais do que simples lugares que conhecemos na nossa vida, tudo se transforma. Todos os momentos se tornam intensos, vividos, fervilhantes. Como uma panela em ebulição. A ânsia de reviver esses sítios emerge e poucos são os momentos em que não paramos de pensar nessas possibilidades.

A própria vivência assim o dita. Tanto Madrid como Estrasburgo encheram o meu interior de esperança, de força, de garra. De vida. Voltar foi não só reviver, mas também explorar, descobrir, traçar novos caminhos que nunca pensava existirem. Há, efectivamente, uma fome de querer quase que sentir as vibrações desses lugares, quase que casas que podem estar ali para nós, que avassalam o nosso quotidiano com um: “Um dia, volto cá. Um dia, vai haver mais vida.” Foram palavras que ambas as cidades me sussurraram ao ouvido, da última vez que lá estive.

Há sempre um misto de emoções e sentimentos, quando se tem esta experiência. Por um lado, há uma certa mágoa em deixarmos aquele lar, onde deixamos uma parte de nós, onde algo de especial existe, onde a mística paira e é preferível desconhecermos o porquê de tudo. Por outro lado, há uma alegria momentânea e, simultaneamente, um sentimento de esperança, de felicidade, de vivacidade. Tanto Madrid como Estrasburgo deram-me isso. Se houve alguma tristeza, também houve felicidade. Relembrando a lógica anterior, quase como aquele tipo de cenas dos filmes em que, no momento da despedida, o protagonista ou a protagonista olha para trás uma, duas, três vezes, até que diz: “Tenho mesmo que ir.” Só que há algo que se acrescenta: “Vou regressar para mais.”

O mais surpreendente de tudo isto é ver como tudo isto se sucede e se desenrola. É perceber como percorremos uma caminhada para aflorar uma viagem, como a viagem aflorou e como nós próprios afloramos, no nosso interior. É perceber como ganhamos com tudo. É perceber como viemos renovados e cheios de novas ideias. É perceber como, apesar de algum desânimo de deixar uma segunda casa, conseguimos dizer “sim” à grande aventura que vivemos todos os dias, à jornada vital, ao quotidiano abalador.

Para aqueles e para aquelas que querem começar a ter este tipo de experiências, aconselho vivamente a começar. A começarem por vocês mesmos. Sintam a necessidade e façam-no, lutem por fazê-lo e nunca desistam dos vossos objectivos. Recordo uma frase de Nietzsche, filósofo alemão, na sua obra “Assim Falava Zaratustra”: “O Homem só existe para ser superado.” Há sempre um ponto de partida e nunca é tarde para que ele seja definido. Descobrir novos lugares e redescobrir outros que nos completem é descobrirmo-nos, é recriarmo-nos, é reinventarmo-nos a nós próprios.

Sempre que possível, o esforço vale a pena. Vale a pena voltar a sentir a magia, o encanto, a maravilha de sítios únicos, especiais, diferenciadores. Vale a pena voltar a trazer uma pequena fatia de desânimo, mas uma grande fatia de esperança, de felicidade, de vivacidade, como dizia atrás. Não vale a pena perder tempo a moralizar (recordo o artigo em que explico a diferença entre ‘criticar’ e ‘moralizar’) sobre os demais, quando a viagem das nossas vidas, seja para onde for, dentro ou fora do país, pode ser concretizada. Se, realmente, se quer isso, se se lutar por isso, se se der tudo por isso, porque não?

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal ‘ComUM’, no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal ‘Académico’, juntamente com a sua participação semanal no ‘Repórter Sombra’, onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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