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Razões para ser optimista quanto à Economia

op·ti·mis·mo
(óptimo + -ismo)

substantivo masculino

1. Costume ou sistema de achar que tudo é ou resultará o melhor possível.

2. Confiança no porvir.

Optimismo e economia são dois conceitos que costumam estar de costas voltadas. A não ser nos discursos eleitoralistas do Governo em funções, a não ser nas promessas, também eleitoralistas, da oposição que lidera as sondagens. Não será surpresa para ninguém que os próximos anos deste século serão decisivos para definir o rumo do país, para virar a página à crise europeia, ou, pelo contrário, para sepultar o projecto europeu por completo, no mínimo, no que diz respeito a países como a Grécia e Portugal. Com a necessidade de definir metas e objectivos ambiciosos para fazer face aos futuros desafios económicos e sociais, será que esta noção de optimismo pode moldar estratégias económicas?

Não.

O optimismo pode, no máximo, moldar pensamentos, utopias, ambições inexequíveis e, o mais importante de tudo, pode moldar a orientação de voto. Não me interpretam mal, não tenho nada contra o optimismo, saúdo o conceito em várias valências, nomeadamente nas sociais, mas, não na económica. Na economia, as contas têm de bater certo, a matemática tem de bater certo e não há qualquer demagogia que distorça essa realidade.

Ciente da importância de estabelecer metas, de que falo neste artigo, António Costa apresentou, ainda na altura da campanha para as eleições primárias do PS, uma agenda para a década. O, agora, secretário-geral do Partido Socialista disse que “é urgente afirmar uma nova visão estratégica para Portugal e desenhar uma nova agenda centrada na valorização dos nossos recursos, na modernização das instituições e do técnico económico, na coesão social e no conhecimento”. Ou seja, não disse nada de novo. Porém, acrescentou que “os objectivos políticos, sociais e económicos devem ser acompanhados por uma preocupação permanente da sua sustentabilidade. Não podemos estar sempre a desfazer o que conseguimos fazer de bom, nem podemos viver permanentemente na ameaça da instabilidade, da precariedade, do retrocesso da regressão. Temos de dar consistência, durabilidade e estabilidade ao que fizermos”. Ou seja, mais uma vez, não disse nada de novo, nada de substancial, foi um discurso, lá está, de transmissão de optimismo. Foi um discurso à esquerda pronto para virar à direita assim que Costa vestir a personagem de Primeiro-Ministro de Portugal.

Declaração de interesses: não sou um crítico acérrimo de António Costa, não mais do que de qualquer outro político que se candidata a cargos de extrema responsabilidade nacional. E, também, não tenho nada contra o discurso político optimista, o problema é que já o oiço há demasiado tempo sem o anexo que lhe considero essencial: medidas concretas, medidas exequíveis, medidas coerentes.

Ser optimista em relação a temáticas económicas pode ser reduzir a pobreza, pode ser aumentar os ordenados (se isso não equivaler e uma sobrecarga no ramo empresarial ao ponto do desemprego aumentar proporcionalmente a esse aumento forçado), mas é, com toda a certeza, dizer como se vai proceder para que tais medidas sejam possíveis, é explicar o porquê de as realizar, é estabelecer uma prospecção futura das consequências, é analisar resultados e mudar assim que se perceber que não é o caminho certo, ou, por outro lado, continuar se alcançarmos o alvo.

O optimismo económico serve para embrulhar investidores externos, serve nas conferências onde apresentamos as potencialidades industriais do nosso país a investidores estrangeiros. Aos bancos, não os alimentamos com optimismo, às agências de Rating, não as convencemos com optimismo acima de lixo, à troika e aos credores internacionais não pagamos com optimismo.

Aos leitores sombra, peço perdão pelo meu pessimismo.

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

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