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PolíticaPortugal

Rating de Portugal: de quem é a culpa?

Porque é que, apesar dos nossos esforços e de haver sinais positivos, o rating de Portugal continua no lixo? Foi esta a pergunta que me foi colocada e à qual pretendo dar resposta neste texto.

Explicar as razões pelas quais permanecemos no lixo não é difícil. Difícil é fundamentá-las, para que aqueles que não querem ver a realidade sejam confrontados de tal forma com factos que acabem, inevitavelmente, por a conseguir ver.

Os esforços de Portugal – e dos portugueses – não são, nem nunca serão suficientes para que o nosso rating melhore, pelo menos, enquanto tivermos governos que implementam medidas que não contribuem, de todo, para o nosso crescimento.

O nosso governo e, em especial, o nosso Primeiro-Ministro, tem uma visão muito pobre daquilo que é a economia de um país e do que deve ser feito para que haja uma evolução. Comecemos, por exemplo, pelos grandes cortes que têm sido feitos. Desde quando é que cortar nos salários e pensões, na saúde e na educação é uma medida essencial para fazer avançar a economia e pagar a dívida? Se metermos de lado a nossa mentalidade portuguesa tipicamente retrógrada e pensarmos em países como a Finlândia, talvez consigamos perceber o que nos faz estar tão no lixo.

Na Finlândia, no Ensino Básico e Secundário, a alimentação é gratuita e as turmas raramente ultrapassam o número de 20 estudantes. A formação dos alunos passa, também, pelas artes, música, cozinha, carpintaria, serralharia e costura, independentemente da área em que estejam.

No que toca ao apoio à natalidade, o governo oferece aos pais 760 EUR ou, caso assim prefiram, um “kit de maternidade” que contém roupas e outros bens essenciais para o recém-nascido. Além disso, todas as crianças com idade inferior a 17 anos recebem um subsídio (abono de família), entre 535 a 1023 EUR, e os pais solteiros têm direito a receber um acréscimo de 200 EUR (por criança). Com estes dados podemos concluir que o Estado assegura todas as despesas essenciais com os filhos até aos 18 anos.

Ora, comparando estes dados com os de Portugal, que tão bem conhecemos, percebemos que algo está mal com o nosso governo e, em geral, com o nosso país. Em Portugal, as refeições nas escolas são pagas (gratuitas apenas para quem consegue obter escalão A – que nem sempre é atribuído realmente a quem precisa), a formação é precária em termos de disciplinas e áreas e os apoios à natalidade são mínimos. Os abonos de família não são sequer suficientes para comprar comida para uma semana e todas as despesas de saúde e educação não são comparticipadas pelo Estado.

Em termos de salários e pensões, o nosso país está, igualmente, muito abaixo da Finlândia. Não tendo um salário mínimo (utiliza sistemas de acordo coletivo, ou seja, o valor varia de acordo com a região e o setor de atividade), o salário médio ronda os 2500 EUR, com uma taxa de desemprego de 9.1%. Portugal, por sua vez, tem um salário mínimo de 505 EUR e uma taxa de desemprego de 14.1%.

Ao vermos estes dados com um olhar atento e crítico, percebemos que as medidas da Finlândia é que fazem avançar um país. Isto, porque, se houver educação gratuita, existirá uma mão-de-obra mais qualificada e, existindo um sistema de saúde gratuito e adequado às necessidades dos cidadãos, os trabalhadores terão saúde – condição essencial para quem quer (e precisa) trabalhar. Ora, um país com mão-de-obra qualificada e saudável, mão-de-obra essa que se sente motivada para trabalhar por saber que não terá cortes extraordinariamente arrebatadores no final do mês, é, sem dúvida, um país em que a economia não está parada – uma mão-de-obra que trabalha afincadamente gera dinheiro que, consequentemente, irá gerar uma maior capacidade de financiamento da educação e saúde por parte do governo.

Podemos, então, concluir que existe na Finlândia uma economia que compensa os seus próprios investimentos – quanto mais investem, mais conseguem receber, para poderem investir ainda mais.

Não faria sentido que o nosso governo implementasse medidas no sentido de promover a educação e a saúde, em vez de fazer exatamente o oposto? Não digo que seja fácil, tendo em conta a crise que atravessamos, mas mesmo não sendo economista (nem nada que se pareça) consigo compreender que dinheiro gera dinheiro, investimento gera retorno e é disso que precisamos.

É exactamente por esta falta de investimento que os trabalhadores andam desmotivados, que os estudantes não veem um futuro no seu próprio país e que o desemprego está a um tal nível que há quem chegue a passar fome e outras dificuldades. Isto pode ser mudado, se quem nos governa perceber coisas tão simples como as que aqui referi. Só assim podemos sair do lixo e voltar a ter alguma dignidade.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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