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Raridades Fenomenais

Mote das mais belas e bizarras inspirações cinematográficas, a Natureza acolhe uma infinidade de formas, cores e fenómenos dignos de contemplação. Quando na instrução escolar se aprende que as rochas são seres inanimados, assim como a água e a terra, negligencia-se a inteligência inadvertida que a Mãe Gaia, ou a Mãe Natureza traja. Entre os seus elementos, a Vida afirma-se por Terra, Ar, Água, num desafio à imponente simplicidade de cada elemento.

Neste contexto, gosto de fazer o paralelismo Natureza vs Caldeirão Mágico. Misturam-se elementos em diversas quantidades e proporções e deixam-se ‘cozinhar’. O resultado é uma Alquimia de fenómenos e autênticas maravilhas. Habituados à pureza dos elementos, enquanto seres pensantes e egoisticamente auto-proclamados inteligentes, os Homens não têm resposta para muitos dos mais raros, fantásticos e incríveis fenómenos da Natureza.

Imponentes pela sua grandiosidade. Inquietantes pelas perguntas sem resposta. Arrepiantes e assustadores pelo seu imbatível poder. Hipnotizantes pelo espectáculo de luz, cor, som e forma. Surpreendentes pelo pasmo que causam pela sua beleza.

Tal como a sua denominação indica, os fenómenos raros da natureza emergem pelas escassas, ou melhor, raríssimas situações, locais e condições em que ocorrem. Grandiosos na sua dimensão, são responsáveis por pródigas maravilhas naturais que dão a conhecer ao mundo lugares remotos e surpreendentes.

De um tamanho sem dimensão na forma e aspecto, induzem à perplexidade e introspecção sobre o lugar do Homem entre as surpreendentes maravilhas que a Natureza comporta e, faz o favor, de nos oferecer a cada raiar do sol, a cada novo luar. Numa realidade em que a acção do Homem é conversa dominante das abordagens ambientais, a verdade é que fenómenos existem que terão uma co-relação com a pegada ecológica do ser humano. Ainda assim e se pensarmos que vivemos numa esfera dinâmica de encadeamento de acções, nas leias da Física e da Química, num “Par Acção-Reacção” de Isaac Newton (“Se um corpo exerce uma força sobre outro, este reage e exerce sobre o primeiro uma força de intensidade e direcção iguais, mas num sentido oposto”), ou comprovando a “Lei de Lavoisier” (em que ‘nada se perde, nada se cria, tudo se transforma’). Perante isto, deveremos nós, Homens, responsabilizarmo-nos pela dimensão catastrófica exuberante de muitos deles?

Dentro da raridade que implicam, vamos agora viajar por cinco de alguns dos mais impressionantes fenómenos naturais. Verdadeiras maravilhas de insólita beleza e perturbante curiosidade, que estão espalhadas um pouco por todo este sublime ‘planeta azul’.

Relâmpagos de Catatumbo

Extraordinário fenómeno atmosférico confinado geograficamente à Venezuela. Consiste numa verdadeira tempestade de relâmpagos, que ocorrem a jusante do rio Catatumbo, já na anastomose ao rio Maracaibo, onde o primeiro termina. Estes raios atingem os 10km de altura, chegando este fenómeno a durar 10 horas nas 24 de um dia.

Num ano, fazem-se ver numa média de 150 dias, dominando na noite, onde oferecem um verdadeiro espectáculo eléctrico ao ar livre. Dada a grande concentração de raios e a altura que atingem, podem ser vistos a 200 km de distância. Contrastando com a sua grandiosidade, normalmente o som dos mesmo não se percebe pelo facto da sua origem ser tão distante do solo.

Numa mesma hora, chegam a cair 280 raios. Por isso, tem inscrição certificada no Guiness World Records como a maior concentração de colossais relâmpagos em toda a Terra.

Das teorias existentes, a mais firme é a de que resultam da confluência de ventos frios provenientes dos Andes, com o ar húmido e quente das áreas pantanosas do rio Maracaibo. Este choque provocará esta extraordinária ocorrência.

Dada a dimensão deste fenómeno, os relâmpagos de Catatumbo tomam também o nome de Farol de Maracaibo.

Pedras do Death Valley

Mais do que um fenómeno absolutamente impressionante, é um dos maiores mistérios da natureza. A ciência, com toda a sua tecnologia, não encontra respostas totalmente cabais e coerentes que o justifiquem.

Estamos no estado de Califórnia, no continente americano, mais propriamente nos Estados Unidos da América. No Deserto Death Valley, rochas com centenas de quilos de peso movem-se, paralelamente entre si, tomando ritmos e direcções que, entretanto, mudam. Teorias há que associam ventos fortes à falta de atrito pelas superfícies geladas. Todavia, esta explicação não refuta todos os factos, uma vez que cálculos físicos não o conseguem explicar.

Bolhas do Lago Abraham

Canadá, o Lago Abraham ou Abraão é mote romaria de curiosos e peritos em fotografia. Bolhas gigantes que se afirmam sob a superfície das águas congeladas deste lago são o motivo de deslumbre.

Este gélido espectáculo ocorre pela libertação de gás metano pelas plantas que habitam o leito do lago. Chegando perto da superfície, sucede como que um choque térmico, ficando estes gazes retidos na água, sob a forma de bolsas, pela rápida congelação.

Flores de gelo

Se alguém duvida de que a Mãe Natureza é artista plástica, conhecendo este sublime fenómeno tira todas as dúvidas.

Dignas de exibição nas mais caras e cobiçadas galerias de arte, as Flores de Gelo, ou Frost Flower consistem num fenómeno que ocorre em vários locais do mundo. As áreas geografias em que ‘florescem’ as Frost Flowers são dotadas de temperaturas muito baixas nas estações do Outono e do Inverno. Todavia, esta maravilha faz-se acontecer ainda o solo não se encontra congelado. Não obstante, dentro dos caules da vegetação seivas vitais sob a forma líquida encontram-se reservadas. Ao expandir-se, a seiva provoca pequenas rupturas nas paredes onde está contida, abrindo fendas finas por onde passa para o exterior. Nesse momento, o choque térmico com a baixa temperatura que se faz sentir no exterior vai gelando, ao mesmo tempo que toma formas como se estivesse a contorcer em autodefesa.

Deste processo, resultam absolutas belezas, de impar perfeição, pelo aspecto requintado que configuram entre curvas e espirais perfeitas, tomando formas que lembram folhas, pétalas e mesmo um novelo de algodão doce de feiras e festas.

Só pela manhã podem ser comtempladas, após o degelo do solo, ou em lugares recatados e com temperaturas propícias.

Aurora Boreal

Um hino à cor é uma das mais belas ofertas que a noite dá aos olhos.

Fenómeno baptizado por Galileu Galilei, dominante do hemisfério norte, pode contemplar-se entre os países aí mais próximos (Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia, Alasca, Canadá, Groenlândia, Escócia, Rússia, Ilhas Faroé…). O contacto de ventos solares com o campo magnético do planeta, proporciona este verdadeiro espanto da natureza. Um dinâmico jogo de cor afigura-se no céu, em formas e intensidades varáveis. A cor mais dominante é o verde, correlacionando-se com ao espectro do oxigénio.

Setembro, Outubro, Março e Abril são épocas privilegiadas para a sua contemplação, devido a uma maior actividade das manchas solares. As cores afiguram-se num bailado, variando nas formas como se levam e cintilam. Uma Aurora Boreal eleva-se a uma altura que varia entre os 100 e os 120 Km.

“Tendo em conta as condições de que dispõe e na medida do possível, é a natureza que faz sempre as coisas mais belas e melhores.!”

(Aristóteles)

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Ana Cláudia Domingos

Talvez por ter nascido na Guarda, a cidade mais alta de Portugal, vivo com a cabeça nas nuvens (quase) a tempo inteiro. Para quem vive na cabeça nas nuvens, só isso, não chega. Falta o charme de exprimir emoções e sensações. Enquanto escolha, foi na saúde a minha aposta de vida. Na escrita e outras artes, como na música, encontro aconchego e pó mágico para esta vida. Longe de ser perfeita, enfim.... sou eu!

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