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Crónicas

Rapaz conhece rapariga. Hoje vivem a 990 quilómetros de distância.

Janeiro de 2014. Tinha 22 anos, era estudante de jornalismo da Universidade de Coimbra e colaborava regularmente com o jornal universitário. Por essa razão, fui a Lisboa fazer a cobertura de uma manifestação de bolseiros de investigação contra os cortes de financiamento. Lembro-me de ir à Secção de Jornalismo nesse dia para saber onde seria o ponto de encontro, dirigi-me para lá e entrei num autocarro cheio de desconhecidos. Sentei-me num dos lugares vagos e, ao meu lado, sentou-me um rapaz que eu não conhecia, com quem acabei por trocar algumas palavras e pedir alguns esclarecimentos sobre a manifestação que se iria realizar. Acabámos a trocar contactos com a desculpa de que eu poderia precisar de alguém que revisse o meu artigo. Já perceberam que se trata da típica história “rapaz conhece rapariga”, certo? Meses depois começamos a namorar e a história dura até hoje, sendo que hoje temos 990 quilómetros entre nós.

Chocados? Admirados? Curiosos? Geralmente são estas as reacções que recebo dos outros de cada vez que conto a minha história. Conhecemo-nos há cinco anos, decidimos viver juntos e agora temos um país inteiro a separar-nos – ele continua em Coimbra, eu mudei-me para Bordeaux (em França) durante um ano. Às reacções iniciais, seguem-me uma série de questões: “como é que ele reagiu?”, “com que frequência se vêem?”, “como é que gerem as saudades?”. A minha pergunta favorita: “ele deixou?”. Sim, já me perguntaram isto, mas vou deixar a minha veia feminista de lado e ignorar esta questão – talvez para a próxima me dedique a este assunto.

As relações à distância não são uma novidade entre os portugueses: os nossos avós viveram-nas por causa da guerra, os nossos pais foram para outros países à procura de melhores condições de vida, mas, por alguma razão, continua a ser algo que provoca estranheza em muitos de nós. Mais do que resultar, podem as relações à distância ser satisfatórias para ambos os membros do casal? Que compromissos são necessários para isso acontecer?

Na minha perspectiva, é fundamental estarmos confortáveis sozinhos antes de iniciar uma relação. Acredito que é importantíssimo conhecermo-nos enquanto seres individuais, pois só assim podemos respeitar-nos a nós próprios, em todas as vertentes. De resto, eu preciso de tempo sozinha – longe de namorado, amigos e família – para me sentir saudável. Ainda assim, um ano é um período de tempo muito grande! Defendo também que um casal que se ame deve respeitar os objectivos de vida um do outro: eu sempre quis morar noutro país e o meu namorado sabia disso, pelo que quando chegou a altura de o fazer ele respeitou a minha vontade. Um aspecto a ter em consideração é o período de ausência: viver afastados um ano é muito diferente de viver afastados durante 10 anos, o que para mim seria incomportável. Assim, e na minha perspectiva, a distância que se impõe numa relação deve ter um prazo de validade: pode ser um mês, um ano ou dois anos, mas é importante que o casal saiba que após aquele período de tempo poderá voltar à sua rotina. Mesmo com um período de ausência bastante definido, eu preciso de ter viagens marcadas para não dar em doida: é essencial para o meu bem-estar saber que nos vamos ver no Natal, na Páscoa e nas férias de Verão. De resto, parece-me importante ter algumas rotinas de comunicação. Como ser um bocadinho anti-social que sou, não tenho paciência para passar o dia a trocar mensagens ou a falar ao telemóvel e prefiro fazer uma chamada ao fim do dia. A confiança é obviamente um factor imprescindível, mas penso que este factor se aplica a qualquer relacionamento e não apenas àqueles que se vivem à distância.

Viver um relacionamento à distância não é fácil, mas tem aspectos positivos. A verdade é que sempre que os membros do casal estão juntos, apreciam realmente o tempo em conjunto. Mesmo cansados das viagens, com fome ou sono, têm presente que o importante é estar ao lado da pessoa que amam. De resto, é um bom desafio para saber se a relação poderá ter um futuro.

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Carla Sofia Maia

Olá! O meu nome é Carla, tenho 27 anos e nasci em Vila do Conde, uma pequena cidade no Norte de Portugal. Talvez por ter crescido numa cidade pequena, desde cedo tive o sonho de viajar pelo Mundo e conhecer outras pessoas e culturas. Aos 18 anos, mudei-me para Coimbra onde estudei Jornalismo e Comunicação. Ao longo dos meus estudos, tive a oportunidade de conhecer pessoas de todas as partes do Mundo, o que reforçou a minha vontade de ter uma experiência além-fronteiras. Foi em 2017 que conheci o Serviço Voluntário Europeu e tive a certeza de que era algo que fazia todo o sentido na minha vida: fazer voluntariado noutro país, tendo a oportunidade de aprender outra língua era algo que eu desejava. Actualmente estou a viver em Bordeaux, onde sou voluntária de uma instituição europeia e posso dizer que estou muito feliz por ter sido aceite neste projecto, em que sou embaixadora dos valores europeus. Escrever é uma paixão que vi reforçada com esta nova experiência, em que há tanto para contar. Boas leituras!

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