Crónicas

Quem Sou, de Onde Vim, para Onde Vou

Repórter Sombra – A apresentação foi-me feita através de algo que li em algum lugar, chamou-me a atenção e respondi. Eles gostaram. Depois, as apresentações. Depois… Eu gostei das pessoas.

Pediram-me, foi-me pedido – com alguma delicadeza própria dos homens que tanto aprecio, aquela que nos faz dizer que sim, a nós mulheres (aquelas de nós que apreciamos a gentileza e a educação; nem todas de nós) – estavam a pedir-me, com educação e se faz favor, que escrevesse um texto. Tamanha educação já não se usa. Eu sei. Mas, por essa mesma educação, que move paredes num mundo onde só se pensa em muros, armas, telenovelas e consolas de jogos, acedi. Pediram-me, foi-me pedido – não um qualquer texto, desses que todos os dias aparecem nas revistas e nos jornais do país, a dizer umas balelas sobre uma qualquer coisa, só porque tiveram “aquela” oportunidade à condição de tentar ser escreventes, não porque nascessem ou, estudassem, ou aprofundassem de algum modo a arte de escrevente. Reconheço a mil léguas um bom escrevente, são raros os que pululam a imprensa por cá, mas ainda há, valha-nos isso, ainda temos o artista que molda a palavra e a transforma num puzzle mental culminando no chamado clímax, ou seja, na obra plástica final, como qualquer outro (bom) artista. Eu sei… desviei-me um pouco do assunto… Pediram-me um texto e desatei a escrevê-lo sem mais, nem mas. Na incógnita de não conhecer sobre o que deveria versar. Talvez, fosse bom apresentar-me: – Sou a Filipa, tenho quase a idade dos _entas, sou professora de carreira, contratada no momento e precária durante muitos e longos anos, revisora, correctora, de diversas pessoas incógnitas e não só, formadora “online” (ao vivo e a cores pela internet), terapeuta ortográfica e tutora de pessoas de “classe” “bem”. Isto tudo em três línguas: Português, Inglês e Espanhol. Coisa pouca. Contado assim, parece muito pouco ou, um pouco aborrecido. Mas, não. Faço-o há doze ou, treze longos anos, parece que já nem sei contar, faço-o por gosto e não canso, nem a mim nem aos outros. Tenho alunos que não adormecem nas aulas, tenho alunos entusiasmados, que para inveja de muitos, batem palmas em algumas aulas, tenho alunos em dificuldades de vária ordem, tenho alunos curiosos, com perguntas de que muitos professores não gostam. Depois. Além de tudo, vim de longe, tão perto. Não nasci acolá, mas sou transmontana de alma e de sangue. Sei do que é ser correcto, justo e bom pagador. Sei do que é dever ser-se honesto consigo mesmo e até aos outros. Sei do que é respeitar os seres vivos na terra, ensinaram-me os montes por onde caminhei. Sei do que vem do mar além da maresia, sei do sentir da terra tremer, sei do que sou, de onde venho e para onde tento ir. Alguns nem sonham…

Primeiro: eu era para nascer o nada. Depois… a vida aconteceu improvável e sempre vi o mundo ao meio, e vivi em duas metades, talvez porque sempre tive sobre tudo, a metade, a metade da família, a metade dos afectos, a metade da comida, a metade da roupa herdada, a metade do armário, a metade que eu via, a metade da casa fechada, a minha realidade tentava sempre compará-la com a dos meninos na Etiópia ou, em África e tentava sempre achar-me mais feliz do que realmente estava, pensava sempre que pelo menos tinha um tecto, comida e roupa. A metade de todos os sonhos pode ser uma perspectiva dura, mas ensina a seguir caminho próprio sobre as pedras pontiagudas. Não obstante, sempre tive alguma coisa por inteiro, que me segurava à tona da vida. Por isso, continuei sempre a viver. E de tempos a tempos, a escrever. Aprendi algures na vida a parar para ver o arco-íris, ou, a lua cheia, a amar, a escrever, a gostar de ir ver o mar no Inverno, mais do que gostar de pores-do-sol o ano inteiro. Depois, há dias de Inverno em que gosto do calor das pessoas. Como há dias de Inverno d’alma em que nem as posso ver. Pois é, isso de escrever um texto e dizer quem sou, afinal demorava um bocadinho mais que uma página. Não há sarilho, para a semana há mais…

Preferiria sempre, muito mais algo do género… Boa tarde senhor(a) leitor(a), sou uma tal de  humilde aprendiz a escrevente entre outras coisas, ou, dizia somente, qualquer coisa, tipo, assim isto… Boa tarde, vou escrever semanalmente aqui. Sou eu. Muito prazer. Cumprimentos. Até mais ver… Pro bono pacis… Filipa Mar.

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Filipa Mar

Neste sítio vindo do nada e do aqui constroem-se sonhos, distraem-se sensações mais fortes, dizem-se no som do búzio ao ouvido, as coisas jamais ditas por vós.

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