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Ciências e TecnologiaTecnologia

Quem decide o que vês? Tu ou o Google?

O Google usa cinquenta e sete sinais para prever as páginas nas quais é mais provável clicares. E mostra-te o que acha que queres ver. Então, quem decide o que vês? Tu ou o Google?

Abre o Google, faz uma pesquisa e pede a alguém que faça exactamente o mesmo. Compara e verás que os resultados são diferentes.

O Google começou, no dia 4 de Dezembro de 2009, a usar cinquenta e sete sinais para prever as páginas nas quais é mais provável o utilizador clicar. Nesse dia, assistia-se ao início da Era da Personalização. Os algoritmos começaram a oferecer, neste motor de busca, resultados personalizados para cada utilizador. E, rapidamente, foram “contratados” pelo Facebook, YouTube, Microsoft Live e, mais recentemente, pelo Twitter e pelo Instagram.

O seu trabalho é agradar ao utilizador, oferendo-lhe os conteúdos com base naquilo que acham ser os seus gostos. Os algoritmos atuam, assim, nos bastidores, de forma invisível, decidindo o que se vê ou não.

E esta seleção personalizada leva à criação de “um universo único de informação para cada um de nós”, afirma Eli Pariser. Ou seja, leva à criação do “filter bubble” (efeito bolha de filtro), como o denomina o empresário e ativista no seu livro The Filter Bubble: What the Internet is Hiding from You. O que está nessa bolha depende do que cada utilizador é e do que faz online. O problema é que não se escolhe entrar na bolha, cada pessoa está sozinha dentro dela e esta é invisível, pelo que é difícil imaginar que não estamos a ver a totalidade da informação.

Além disso, questões importantes para a sociedade, mas que sejam complexas e desagradáveis, podem ser tornadas invisíveis pelos algoritmos. Eli Pariser apresenta como exemplo uma notícia sobre guerra. Um julgamento editorial levaria os jornalistas a colocar a questão no jornal, porque o cidadão deve saber o que está a acontecer. Então, o leitor desse meio teria o conhecimento desse facto mesmo que apenas lesse o título. Porém, a selecção feita por algoritmos não implica sentido de ética e de responsabilidade, pelo que a notícia poderia não ser apresentada se o utilizador não tivesse interesse na mesma e este nem sequer sentiria que está a perder esse elemento, pois a bolha é invisível.

E, como os algoritmos têm essencialmente em consideração onde se clica primeiro, “em vez de uma dieta de informação equilibrada”, podemos acabar rodeados “de informação tipo ‘comida de plástico’”, explica Eli Pariser.

Ficamos, assim, presos na nossa zona de conforto, enclausurados numa bolha que teima em não nos deixar ver outros pontos de vista e que nem pede autorização para o fazer.

Com a Internet, o intermediário não deixou de existir. A desintermediação é um mito, um ato de ilusionismo, que torna os novos mediadores invisíveis. Então, quem decide o que vês? Tu ou Google?

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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