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Bem-EstarLifestyle

Quantos filmes viram este ano?

Quantos filmes viram nas férias de fim de ano? E quantos passeios fizeram com a família ou amigos? Estas atividades, tal como ver um vídeo no YouTube, ler um livro ou simplesmente navegar nas redes sociais, são todas atividades que fazemos por espontânea vontade. O lazer está presente nas nossas vidas e tentamos aproveitar o tempo para fazer coisas das quais gostamos.

Porém, a forma como passamos os tempos livres mudou ao longo do tempo, principalmente ao longo deste século. 15 anos é um longo período com mudanças enormes a nível tecnológico, que em grande parte mudaram a forma como passamos este tempo.

Quantos filmes viram no último ano? E a questão mais importante, parece-me ser, onde? Cinema, televisão, computador? Sozinho, ou com amigos, ou família? Se há 15 anos assistíamos a filmes na televisão com a família ao Domingo à tarde, ou íamos ao cinema com os amigos para ver um determinado filme, hoje assistimos aos produtos da sétima arte, muitas vezes, em casa, sozinhos, à frente de um computador. A indústria não deixou escapar este facto e oferece-nos produtos para isso, como o famoso Netflix.

Do cinema à literatura. Os pesados livros são substituídos pelo fino Kindle ou por tablets, que podem armazenar milhares de ebooks, que cada vez menos acabamos de ler.

Poucos de nós compramos os jornais em papel, mas leem as notícias online, ou assinam as edições online. Partilhamos as notícias que lemos, não no café, onde estávamos sentados, mas nas redes socias, às quais acedemos da nossa casa, do nosso sofá, do qual discutimos com os amigos, debatemos, partilhamos histórias.

As pilhas de CD estão nas nossas casas, como as cassetes dos nossos pais estavam. Arrumados numa gaveta, ou expostos perto do leitor de CD como uma recordação. Ouvimos música agora, no computador, no telemóvel e aparelhos afins.

Viajamos até de forma diferente. Colocar o destino no Facebook. Colocar uma imagem antes de entrar no avião. Colocar uma fotografia do livro que lemos nesta viagem. Já não mostramos os álbuns de fotografias aos familiares que vêm visitar-nos. Já nem temos estes álbuns.

Os exemplos podem continuar e dão-nos conta que 15 anos é muito tempo. É ainda mais num século tão veloz.

Contudo, seria injusto dizer que agora fazemos tudo na rede. Injusto e sobrevalorizado. Passamos os tempos livres ainda a encontrar-nos com os amigos e ir ao cinema, ou mesmo passear. Só que até a forma como passeamos mudou. Ana Paula Colombi afirma que hoje os “shoppings centers” são centros de consumo e lazer, consumo que, segundo a autora, torna-se compensatório do tempo e energia que gastamos no trabalho.

A autora, que fez uma análise detalhada ao tema, afirma que podemos olhar para o lazer de dois modos: de uma forma positiva e uma forma negativa. “Defende que a partir do século XXI colocou-se uma nova concepção de sociedade não mais fundamentada no tempo de trabalho, mas justamente no tempo livre, ou seja, a civilização está a caminho da sociedade do lazer. Diante desta realidade, o tempo livre seria um tempo de descanso e emancipação humana”. Salienta, no entanto, que o “tempo livre representa apenas mais uma forma de exploração do sistema de produção capitalista, uma vez que até o tempo de não trabalho é apropriado pela lógica do capital. Neste contexto, o tempo livre configura-se como um tempo de consumo e de revitalização para um novo dia de trabalho”.

Hoje, cada vez mais, tentamos encontrar um trabalho, uma profissão, que não a vimos como uma obrigação. Queremos fazer aquilo de que gostamos e não ver isso como um fardo. Porém, até isso pode influenciar os nossos tempos de lazer. Quando gostamos da profissão que escolhemos, queremos saber mais: procuramos livros acerca do tema, procuramos filmes acerca do assunto. Não que isso seja um ponto negativo, mas poderá levar a algo defendido por Krippendorf – hoje sentimos a necessidade de mudar alguma coisa, de tentar algo diferente, algo novo.

O lazer, que segundo Raulito Ramos Filho, “se tornou uma palavra da moda”, é importante e não podemos deixa-lo de lado. Enriquece-nos culturalmente, ensina, estimula e também combate o stress. Portanto, neste novo ano, não se esqueçam de ter um tempo para si e fazer as coisas que mais gosta.

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Silvia Burlacu

"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma." Miguel Esteves Cardoso

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