Bem-EstarLifestyle

Quantas vezes nos Acaba o Sempre?

Fala-se e escreve-se muito sobre o amor. Do correspondido ao impossível, passando pelo não correspondido. E das separações, quantas vezes? Quantas vezes se diz e conta o tormento que é?

Quase todos nós já nos juntámos e separamos, carregando invariavelmente a vontade de que desta dê certo. Não importa por que quantas “destas” passamos. Alguma correrá bem.

Cada despedida dói como se nos escarafunchassem o âmago. E escarafuncham, em alguns casos até sangrarem metáforas e perguntas carregadas de retórica.

Quantas vezes…?

Dói e ficamos parados no nosso tempo. A fome desaparece. O sono e cansaço invadem-nos o corpo. A inércia aliada à vontade de chorar demoram a ir embora.

Não é por que o outro parte e leva um pedaço daquilo que somos e fomos. Não. Não!

É porque, mesmo sem que ele o saiba, leva aquilo que de melhor imaginámos e fizemos crescer a dois. Aquele “para sempre” que insistimos em perpetuar na quantidade imensa de planos que havíamos feito. Aquele projecto partilhado.

É porque, invariavelmente, as noites passarão a ser adormecidas na solidão que não se quis. As manhãs acordadas do mesmo modo e durante o dia vamos enganando as saudades do para sempre com trabalho, ocupações, evasões. Evasões que na realidade não nos levam a lugar algum a não ser ao que se passou e à retórica.

Nós sabemos… Nós sabemos! Nós sabemos que olhando para trás pouco há a acrescentar. Nada muda. Mas há a necessidade de carpir recuperando, pela memória, o que se passou de bom. Isso faz-nos tanta falta quanto nós mesmos.

Não importa a quantidade de relações e separações que temos. O nosso comportamento, mais ou menos inflamado, repete-se em cada ruptura. Todas nos dilaceram e nelas vemos culpa nossa, ainda que não entendamos as razões ou tão pouco saibamos quais são.

As perguntas giram, dia e noite, entre si. Porquê eu? O que eu fiz? E agora?

A seu tempo, reconstruímo-nos, ora fortalecidos ora mais frágeis. Tudo depende do sempre de cada um. Não é o amor que acaba. É o sempre. Quantas vezes nos acaba o sempre?

Amanhã, será um dia melhor. E todos os dias são perfeitos para recomeços.

Tags
Show More

Sofia Fonseca Costa

Nasceu numa quarta feira de Novembro, no ano 1984, mas não gosta de meio termos. Desde que se lembra que quer ser escritora e mãe. Dizem que no canto do seu sorriso mora um arco-íris. Vive para as palavras e afectos. Não gosta de chocolate.
É formada em jornalismo e fez teatro durante mais de uma década.
Mãe de quatro filhos a quem chama de Soneto. É autora do livro Murmúrio Infinito. Chamam-lhe Sofes Marie.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: