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Quando te dou a mão

O mundo em que vivemos é cada vez mais virtual e irreal. Ilusório. Não é novidade.

Nada de novo em perceber que cada um de nós sinta uma solidão cada vez maior apesar de um simples clique nos colocar em modo directo com uma série de pessoas, algumas até que nem conhecemos tão bem ou cuja interacção é tão nula que nem percebemos porque se querem presentes nos nossos contactos em rede, uma vez que parecem apenas contabilizar o número total de amigos.

Depois há o terror, um terror individual que de tão forte se tornou colectivo, um medo que nasceu algures em Setembro de 2001 e que se prolongou e aumentou, juntando-se a numerosos outros que nos são doseados e alimentados pela comunicação em massa.

Restamos nós. Num vazio. Num limbo. Num corre-corre diário em que volta e meia paramos e gritamos em plenos pulmões, e brindes que do que levamos da vida é isto, os pequenos momentos que de tão simples se tornam grandiosos.

E apercebemo-nos de que a simplicidade de ser é a de colaborar, a de dar e de receber. Que quanto maior a apatia solitária que temos criado para o nosso próprio sofrimento, mais apáticos nos tornamos ao sofrimento dos outros.

Estamos alheios e passivos ao sofrimento grande e poderoso que ocorre um pouco por todo o mundo. Muitas das vezes, porque nos sentimos impotentes, porque não conseguimos chegar a todo o lado, porque não sabemos o que fazer. E sim, não é raro vermos alguém caído no chão e pararmos para ajudar e somos os únicos a parar no nosso caminho.

Contudo, há esperança. E vemo-la e sentimo-la. Quando tragédias em massa sucedem ao nosso lado, o fenómeno social da nossa verdadeira natureza acontece e unimo-nos em prol de algo maior. Tornamo-nos um, que é quem somos. E conseguimos verdadeiramente ajudar.

Estamos, então, cada vez mais apáticos ao sofrimento? Estamos assim tão apavorados, egoístas, indiferentes ao sofrimento do outro, de nos colocarmos na pele do outro? Teremos perdido a nossa essência enquanto caminhamos por aqui?

A vontade de ajudar o outro está directamente relacionada com uma ânsia muito forte, muito verdadeira de acabar com o sofrimento que não é meu. De desejar que o outro não experiencie esse sofrimento. Em equilíbrio e em essência, ajudamos os outros porque sabemos o quanto custa sofrer, o quanto dói, o quanto esmaga. Precisamos de dar a mão e precisamos que nos dêem a mão, mais que não seja para que haja ajuda num caminho, para que o que dói custe menos e seja mais fácil atravessar para outro lado.

Abre-se na partilha um parêntesis, de que só podemos ajudar quem quer ser ajudado, que estendemos a mão com a certeza de que outra se estende em troca para agarrar a nossa. Só conseguimos puxar quem esforça o próprio corpo a levantar do chão.

Na partilha nos percebemos e percebemos quem são os outros. Deixamos um pouco de nós. E ao deixarmos um pouco de nós, acrescentamo-nos.

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Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Gosto muito de pessoas. E de vários assuntos. E de assuntos que envolvam pessoas. Sou curiosa por natureza e tenho verdadeira paixão pela palavras.

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