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QB: a dose perfeita em música do mundo

Nasceram no Porto e foram levando a sua mensagem pela Europa. Hoje, já conquistaram Nova Iorque e os Estados Unidos têm-se rendido à sua mística. Têm um tom informal e gostam de explorar as diferentes linguagens em que a música fala. Em todo o lado, os tradutores são dispensados e dá-se lugar a um alfabeto acessível a todos, que percorre a pele, o corpo e se entranha nos ouvidos, para fazer despertar milhares de emoções.

Fado em Si Bemol podia ser uma escala musical reinventada e, no fundo, até se pode considerar tal realidade. O quinteto que se dá pelo nome deste género mistura o som da guitarra portuguesa e do fado com outros géneros musicais, que nascem noutros pontos da Europa e nos diferentes continentes. Para eles, não há check ins, alfândegas ou barreiras: os Fado em Si Bemol fazem pontes entre o mundo e ligam directamente os países, apagando os oceanos e os milhares de quilómetros que separam as pessoas, não só em distância como também em termos culturais.

Nasceram em 2003, pela mão de três amigos: Pedro Matos, Miguel Silva e Paulo Gonçalves. A eles, juntaram-se ainda Manuel Santiesteban e Nuno Campos e hoje são essa mão cheia que transforma a música num mundo único. Questionados sobre a semente que fez crescer este projecto, afirmam que, no princípio, tudo se “resumia apenas a uma vontade de fazer música com guitarra portuguesa como epicentro estético da coisa”. Com charme e subtileza cantam em tom de Nova Orleães, do Bairro Alto ou de Chicago. Abordam os diferentes géneros musicais e a primeira surpresa deu-se quando, ao juntarem Fado e Stevie Wonder, a sala cheia os aplaudiu. Nesse registo sofisticado, os músicos exploram (quase) todas as possibilidades e a clareza desse discurso musical é entoado da forma adequada para que fique na memória.

Já tocaram em salas pequenas, grandes e festivais. Já tocaram em cafés, em recintos abertos e em lugares localizados em pontos equidistantes do globo terrestre. Provavelmente, também já tocaram numa estação de rádio perto de si ou numa aparelhagem. Lançaram o primeiro álbum ao vivo em 2007, o segundo em 2010 e em 2012 foi a vez do terceiro, “QB”. Durante todo este tempo os aplausos repetiram-se consecutivamente e os elogios também. Entre os cabelos grisalhos de Carlos do Carmo, também ele foi voz de elogio para a banda. A inovação do fado e as misturas são sempre sublinhadas nos enaltecimentos feitos e os planos para o futuro são sempre uma questão à porta, a espreitar o sucesso do quinteto.

O mundo, como sinónimo de algo que corre nas veias dos portugueses, existe para que todos os cantos nos conheçam e a banda não é diferente no que toca a esse aspecto. Com uma tour pelos Estados Unidos, em si bemol e sem dó, o quinteto percorreu várias cidades e deixou Portugal em todas essas salas onde apresentou a sua música. Dizem que “com o passar do tempo e com o amadurecer das ideias, acabámos por encontrar um padrão mais esclarecido para o nosso som e que achamos que anda próximo daquilo a que se chama worldmusic nos dias que correm.”

Não concordam que tenham atingido um grande sucesso mas consideram que aquilo que os move “é esta coisa de usarmos uma identidade tão rica e controversa como é a guitarra portuguesa em linguagens tão distintas como o jazz, o tango, a bossa, etc.” Quando tocam e depois de avaliarem essa performance, consideram que quem os recebe, o faz “com enorme carinho, respeito e, sobretudo, curiosidade sobre esta nossa sonoridade e sobre o espectáculo em si.” E é com a mesma grandiosidade de atrevimento e mistura, que pretendem que 2013 continue a levar a bom porto a promoção do novo disco e o passaporte da banda: viajar, novas conhecer novas paragens e conquistar um público ainda mais vasto.

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Ana Guedes

Entre o Porto e Leiria, estou sempre de malas feitas para partir, para ficar ou para conhecer. Apaixonada por letras, cultura, fotografia e o mundo, tenho como fio condutor vital as histórias: as que ouço e quero contar, as que vivo e quero escrever

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