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Primeira Guerra Mundial… the End

O fim da Primeira Guerra Mundial representa o fim de uma Era. Representa o fim do Velho Continente como potencia, representa o fim dos Impérios e o fim do Absolutismo. Surgem novas nações, novas organizações políticas, novas formas de governo. É todo um novo mundo que se avizinha no pós-guerra.

O plano político do pós-guerra é o mais importante. Os Impérios Alemão e Austro-húngaro foram dissolvidos e substituídos por repúblicas. As colonias alemãs foram divididas entre os vencedores. O Império Russo, que colapsa ainda durante a Guerra, é substituído por um Regime Comunista que durará até 1991. O Império Otomano é também substituído por uma república. As Famílias Imperiais que sobrevivem (a Família Imperial Russa é assassinada em 1917) são exiladas. A Europa Central é, quase na sua totalidade, reorganizada e começa a assemelhar-se à Europa Central que conhecemos hoje. Surge a Liga das Nações, um prelúdio das Nações Unidas, como consequência do tratado de Versalhes que deixa a Alemanha, indefesa, de rastos, afectada por hiperinflação e humilhada. Não é só nos países vencidos que há revoluções políticas. Em Inglaterra, no ano de 1924, é eleito o primeiro Governo Trabalhista de sempre, liderado por Ramsay MacDonald.

De ambos os lados, avizinha-se um problema ainda maior. Devido às baixas, famílias inteiras foram dizimadas. Vive-se um decréscimo populacional, aliado à pandemia de Gripe Espanhola de 1918, decréscimo do qual ainda não recuperámos. Gera-se um sentimento de desejo. Desejo de tempos melhores, de esquecer a guerra, de viver a vida. Sentimento que irá dar origem aos Loucos Anos 20. Sobem-se as saias, descem-se os decotes e relaxam-se os protocolos sociais.

Devido ao facto de não ter sofrido combates no seu território, os Estados Unidos da América começam a tornar-se a superpotência que reconhecemos actualmente. Começam a construir-se os grandes edifícios de Nova Iorque, cria-se o “American Dream”, a crença que trabalho árduo irá ser recompensada com fortuna. Em consequência disto, o investimento na bolsa cresce exponencialmente. Aparecem os primeiros “self-made men”, pessoas que investem na bolsa e fazem fortunas. Este crescimento é parado pelo crash da Bolsa de 1929, mas é recuperado rapidamente.

Os anos que se viveram entre as duas Grandes Guerras foram fantásticos e aterradores. Vimos o alvorecer do mundo de hoje, vimos o nascer dos espaços geográficos que ocupamos hoje. Vimos e tivemos o futuro nas mãos. Ao mesmo tempo, fomos cegos e não vimos a ascensão dos regimes ditatoriais que povoaram a Europa e levaram o mundo a entrar em guerra pela segunda vez no mesmo século.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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