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Posso ser branca?

Um filme já não é só um filme, é política. Tal como uma série já não é só uma série, é política. Ultimamente, ando a reparar que, quando um filme sai e é bom, há sempre alguém que vai atrás e “PUM”: “Os realizadores desse filme têm alguma coisa contra gente [inserir minoria]?”

A primeira vez que fiquei de boca aberta com a situação da representatividade na sétima arte foi 2015, com o surgimento da hashtag “#OscarsSoWhite”, relativamente à falta de pessoas de cor (e segundo algumas pessoas, também de mulheres) nos nomeados aos Óscares. Com isto, disse que algumas pessoas estavam malucas, que outras tinham razão, mas passou. Ou pensava eu. Facto é que os Óscares estão a chegar e, com a sua aproximação, a hashtag volta à ribalta. E, com o passar dos anos, a revolta cresce.

Que se queira representatividade, tudo bem, mas passa do limite, quando os autores se vêm obrigados a mudar o rumo às suas histórias, por causa de manifestações e de reclamações infundadas. Por exemplo, o meu namorado acompanha uma saga de livros, que é também um jogo, chamada The Witcher, que é basicamente a história de Geralt of Rivia, um humano, que é alterado geneticamente e treinado para caçar toda a espécie de monstros, em troca de dinheiro.

Até aqui tudo bem.

O problema começa, quando se fala da série que a Netflix quer produzir, baseada nos livros que deram origem a este jogo.

Passado em tempos medievais, é normal que as personagens sejam pessoas ainda não afetadas pela globalidade dos dias de hoje. No entanto, pela problemática da representatividade, a personagem de Triss Merigold, que é descrita como uma jovem de pele bastante clara, cabelos ruivos e olhos claros, é alterada. E quem é que a Netflix decide ser uma boa representação desta personagem? Anna Shaffer. Nada contra a senhora. O problema é que é uma senhora mulata, a fazer o papel de uma personagem clara e ruiva.

Pessoalmente, isto faz com que eu perca qualquer respeito por esta luta. Se estão a forçar pessoas de cor em filmes em que estes não existem, se querem fazer filmes só de mulheres, depois da versão só de homens (sim, estou a falar do Ocean’s 8 e do Ghostbusters de 2016) só porque as mulheres também têm direito e se deixam de dizer palavras só porque uma raça reclama monopólio pela mesma, onde vamos parar daqui a 50 anos?

Hollywood é acusada de fazer aquilo a que se chama whitewash, mas, neste momento, parece-me que estamos a entrar no blackwash. Não há consistência. Se reclamam que um filme não tem representatividade negra, porque é que não dizem nada quando a situação é inversa? No filme da Marvel, “Black Panther“, ninguém reclamou quando em todo o elenco apenas havia duas personagens de raça branca.

E de Bollywood? Alguém vai reclamar dos filmes de Bollywood?! Claro que não. Porque é o seu país e os membros desta etnia que os produzem. O histerismo à volta da representatividade em Hollywood só tomou estas proporções, porque se trata de uma indústria tão massiva que chega ao mundo inteiro. E as pessoas deste mundo tendem a ser um bocadinho histéricas… Mas sem ofensa, claro.

Assusta-me que isto esteja a piorar de dia para dia. Assusta-me que isto se esteja a passar para o nosso dia a dia. Qualquer dia, as cotas vão invadir a nossa vida. E não vamos conseguir qualidade seja nas artes, seja nos serviços dos quais usufruímos. Se estiver num hospital e os 10 melhores médicos forem descartados, porque tinham de contratar 10 mulheres, apesar de incompetentes para estes cargos, o que é que me vai acontecer?

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Filomena Pires

De Faro e nascida no belo ano de 1992. Sou Licenciada em Ciências da Comunicação mas neste momento estou a formar-me numa especialização técnica em aplicações informáticas de gestão. Vamos lá a ver no que isto dá!

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