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Portugal, um país para velhos?

Hoje em dia, estão em crescimento as instituições privadas para idosos, no entanto, pagar a estas instituições é algo que se torna cada vez mais difícil, com os valores baixos, tanto de reformas como de salários. E as instituições públicas não têm capacidade de resolução para os pedidos diários que lhes são feitos. A solução, então, é ficarem em casa das famílias, que, como não podem abandonar os seus trabalhos, são obrigados a deixar estes idosos sozinhos, dias inteiros.

É necessário um equilíbrio entre os mais novos e os mais velhos, equilíbrio este que, em Portugal, está muito em voga. Pessoalmente, “obrigar a dar beijinhos aos avós” não é solução. Aliás, não ajuda em nada. Crianças pequenas não entendem a idade e o desenvolvimento do corpo humano. Então, a visão de um idoso é algo que cria, em algumas crianças, repulsa. Repulsa esta que se pode prolongar à adolescência e à vida adulta.

Dar atenção, carinho e respeito não passa pelos beijinhos, mas, sim, por educação e uma palavra amiga. Que muitas das vezes, é uma brisa de ar fresco para alguns idosos. Como já não há o sentido de obrigatoriedade, as crianças já estão mais à vontade com quem os rodeia.

Lembro-me de em pequena ir para o lar onde trabalhava a irmã do meu avô materno e não precisava de dar beijinhos a ninguém. Como ia “passear para o trabalho da tia”, para mim era divertido ir ver as pessoas, cantar e brincar com eles. E segundo a minha família, toda a gente gostava da criança que não tinha “nojo dos velhos”. Nunca fui obrigada a dar beijos a ninguém e penso que não ser obrigada foi o que me fez sentir à vontade.

Outra forma de dar alguma actividade e ocupação a idosos são as universidades sénior e os centros de dia. Onde se podem realizar actividades e oferecer alguma estimulação a estas pessoas. Há também projectos cujo objectivo é combater a diferença entre idades e incentivar à mistura das faixas etárias. Como é o exemplo do “Lata65”, que integra idosos no mundo dos graffitis e arte urbana.

Algo que me assusta também é falta de credibilidade que as pessoas mais jovens dão aos conhecimentos dos mais velhos. No caso de Portugal, a camada que realmente viveu sob o domínio de Salazar (não me refiro a quem nasceu poucos anos antes, mas sim quem passou pela privação da liberdade já em adulto) está a começar a falecer e os mais jovens não têm noção do que é viver num estado ditatorial. Então, assusta-me ouvir frases como “um Salazar para acalmar isto é que era!” e “no tempo do Salazar é que era, não havia corrupção”. E quando são elucidados pelos mais velhos, a resposta é tudo menos digna.

Animais de terapia ou companhia são também uma forma de combater a solidão.

A mentalidade portuguesa tem de mudar. E seguir por exemplo, a ideologia da China e do Japão.

Na China e no Japão, a velhice é sinónimo de sabedoria e respeito. E a família é o melhor conforto que um idoso tem ao seu dispor. Visto que os mais jovens são, desde pequenos, educados a admirar o trabalho dos mais velhos em benefício da família. E tendo em conta a experiência dos mais velhos, estes são sempre consultados antes de qualquer tomada de decisão.

É necessário aproximar gerações e valorizar a experiência dos mais velhos. A experiência de uns pode ser a salvação de muitos. Conhecer a vida e as decisões dos mais velhos, pode dizer-se que estamos num bom caminho ou se vamos cometer os mesmos erros ao longo da história. Educar as nossas crianças a respeitar e a cuidar dos mais velhos é uma forma de lhes passar bons valores e lutar contra o abandono e maus tratos dos idosos.

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Filomena Pires

De Faro e nascida no belo ano de 1992. Sou Licenciada em Ciências da Comunicação mas neste momento estou a formar-me numa especialização técnica em aplicações informáticas de gestão. Vamos lá a ver no que isto dá!

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