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Porque é que a galinha atravessou a estrada?

Os especialistas não sabem responder a essa questão. Porém, colocaram a hipótese do voo das aves ter evoluído a partir da queda dos seus ancestrais pré-históricos. A teoria arbórea, como é denominada, é defendida pelo biólogo evolucionista Richard O. Prum da Universidade de Yale, Estados Unidos da América. De acordo com ela, as escamas dos répteis do Triássico (250 a 200 milhões de anos atrás), que habitavam a copa das árvores, cresceram, transformando-se em penas, o que lhes possibilitaria a fuga de predadores. A partir do momento em que as proto-aves puderam planar, facilmente puderiam começar a voar.

Durante a década de setenta do século XX, o professor John Ostrom, da mesma faculdade, investigou, por largos anos, sobre a origem das aves e das penas, um dos maiores mistérios da ornitologia evolutiva. As evidências anatómicas sugerem que os pássaros evoluíram de terópodes (dinossauros bípedes, de pés com três dedos assentes no chão e um quarto, suspenso), como os Tyrannosaurus Rex. Outras investigações, nomeadamente as de Richard O. Prom, defendem que as penas nem sempre tinham como função voar. De facto, a evolução das escamas para penas multicoloridas teriam como função a exibição social e não para o voo.

Deste modo, a origem do voo continua um mistério. Talvez a sua solução esteja no chão. A Universidade Ken Dial, Montana, usa câmaras digitais de alta velocidade para filmar os movimentos de perdizes bebés que sobem declives íngremes, batendo as suas asas semi-formados. O investigador coloca agora a hipótese dessa corrida numa inclinação ser um passo intermediário, que possibilitou o voo das aves – não do ar para o chão, mas do chão para o ar. Talvez a galinha tenha atravessado a história para aprender a voar.

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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