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Política em modo real

Há muitos, demasiados, anos que uns certos políticos, ou uns certos políticos de alguns Partidos, vivem num mundo de fantasia. O PCP de Cunhal vendia a fantasia ou falácia comunista de um mundo, onde os bens eram repartidos e chegavam para todos, e ainda havia margem para castigar o “patronato”, qual diabo, nos ícones maléficos da religião deles. O PCP anda há décadas a vender o mesmo produto político que tem um mercado mais ou menos seguro. Porém, um mercado de impossível expansão. Quem compra a falácia comunista nunca muda, nem que um terramoto o atinja. E o terramoto chegou, foi-se e há-de voltar de novo. Há doenças que nunca se curam. Assim sendo, o PCP é identificado e deixa de constituir um problema para a democracia.

Um dia, surge um sucedâneo de PCP, com uma cara mais (pseudo) moderna e tenta dizer-nos que são diferentes. São uma elite de intelectuais que sabem. Sabem tudo. Por eles, não interessa, mas pelos outros, sabem sempre. Este princípio de substituir em cada neurónio de um cidadão comum uma ideia perigosa, de democracia, de pensar o que quer, de dizer o que pensa, de até, imagine-se, pretender ser independente das directrizes do comité… e querer até um dia ter vida própria, livre o Estado, ter a condenável e odiosa “iniciativa privada” (sempre fascista, pois). Nasceu o comunismo caviar, culto e superlativamente inteligente.

Um dia, após repetidas loucuras e abusos com o escasso dinheiro do Estado e, ainda, com o sonegado aos privados, que assim foram falindo (comércio, indústria, sector financeiro…) ao mesmo ritmo de “Magalhães” e PPPs, de investimento público para “lançar a economia e criar emprego”, o PS sai do modo sensatez, onde verdadeiramente nunca esteve, e entra definitiva, e veremos se irreversivelmente, no modo loucura. E então, decide tudo fazer, negando o passado, negando as afirmações próprias dos seus líderes de há muito pouco, negando a própria negação de quando se afirmam europeístas e defensores do Euro, da democracia ela mesma, de tudo o que antes pareciam ter defendido. Se um dia vivermos no oposto do que antes dissemos em alto e em bom som, todo o passado se apaga, num ápice.

Fossem estes os nossos problemas, mas não. Os nossos problemas estão na medida das falácias que nos irão custar tudo, o que já nem ganhamos.

A política portuguesa está a entrar em modo real. E acreditem, ou não isto vai doer.

O PS vai mesmo derrubar um Governo legítimo e lícito. As duas coisas. Porquê? Por ganância, dizem uns, por vaidade dizem outros. Por necessidade também, provavelmente, de subsistência.

O modo real, qualquer coisa como um engenheiro passar de um pojecto à sua implementação, mas bem menos, porque um projecto de engenharia é tudo menos uma falácia e uma mentira gigantesca e torpe, ou qualquer coisa como um gestor passar de um modelo de negócio e do seu plano à vida empresarial real e dura, mas menos ainda, pois essa implica uma luta constante, à qual este circo político não se vai dar à maçada, esse modo real irá tritura-los. Contudo, antes disso, custar-nos-á demasiado, a muitos ou a quase todos.

Devolução salarial e de pensões é uma ideia excelente. No Luxemburgo, ou na Noruega, pois já nem numa Suécia seria sustentável. Provavelmente, Portugal precisa de um PIB de 400 a 660 mil milhões, pois nem as contas de um Professor de Economia seriam suficientes, porque essas são elaboradas à luz de cenários actuais, como a dimensão das despesas, correntes habitualmente, ou mesmo com investimento público, um exagero que já poucos arriscam. Entre os sensatos e não entre os eternos optimistas da política que cada vez mais são apenas socialistas. Alguém que gasta hoje com a convicção de amanhã conseguir pagar, mas que nem se esforça por criar condições para tal. E porque precisa, se vive dos mesmos milhões que outros, numa extensão de mais de duas gerações (60 anos) irão pagar. E o optimismo é tal que até julgam que seremos todos assim, solidários com o despesismo e com o socialismo esbanjador, mesmo, até com a falácia comunista que também quer agora participar.

Porém, o modo real levá-los-á. E a nosso imenso sacrifício, infelizmente, com muitos mais a fugir da loucura, da esquizofrenia política que só eles entendem, tudo lhes cairá em cima, e bem mais depressa do que imaginam. Haverá um tempo de ilusão, de mero cenário teatral, de produção de contas falsas e de alguma magia. Como o Sol, que nasce forte, mas não nos chega para que tenhamos um dia bom. Depois desse tempo passado, assistiremos finalmente ao esvaziamento das falácias, a comunista do PCP e BE principalmente, mas igualmente o comunismo de António Costa. Ficarão na história como os chefes de Partido que destruíram as suas organizações sem remissão. Um alívio para Portugal, mas ainda um pouco distante. Entretanto, teremos de pagar e muito. Mais uma vez. A bem de nos livrarmos desta gente.

Para muito, é preciso o inferno e o Inverno para que possam entender o que é “modo real”. Agarremo-nos aos cintos e ao sofá, agarremo-nos aos nossos mais próximos, ou talvez, tenhamos de fugir deste nosso país, pela loucura da “maioria de esquerda” que sim, essa sim é boa e amiga. Tudo o mais é fascista. A maioria da falência está a preparar-nos o futuro, negro, mas o futuro. Em modo real.

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Alexandre Bazenga

Licenciado em Agronomia e com uma pós-graduação em Gestão. Leitor adicto, a escrita é uma inevitabilidade. Música, Literatura, Pintura, Fotografia, Culinária e a demanda do Conhecimento, são outros dos meus trajectos.

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