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Polémicas marcam a 60ª edição da Eurovisão

“Suécia, Suécia, Suécia” foi o que mais se ouviu, durante a votação final. Foi renhido até ao último terço da maratona de votação. A partir daí, a Rússia deixou de ser ameaça e o medo que se fazia sentir e os apupos que se faziam ouvir desapareceram. O público rejubilou-se com a vitória sueca, apesar de, durante as actuações, ter vibrado mais com a balada italiana.

Para além dos apupos e assobios à Rússia, outra polémica marcou este ano: a Itália ganhou, em termos de televoto. Desculpem-me, não ganhou… arrasou. Ficou mais de 80 pontos à frente do segundo classificado, que, no voto do público, foi a Rússia. A participação italiana foi, por sua vez, arrasada pela intervenção do júri que a colocou num, para muitos, suspeito sexto lugar. Suspeito, porque há quem sugira que há um forte lobby por parte da poderosa indústria musical sueca, uma das maiores da Europa, que pode ter coagido de uma forma simpática os votos de vários jurados nacionais. Da conjugação dos dois resultados surgiu o resultado final: em primeiro lugar a Suécia, em segundo a Rússia e em terceiro a Itália.

Segundo a crítica, este ano não foi tão forte como os anteriores. Todavia, não deixam de afirmar que, mesmo assim, fomos presenteados por grandes canções. No top 3 das apostas, surgiram a Suécia, a Rússia e a Itália, segundo esta mesma ordem. Tanto a canção sueca, quanto a russa foram produzidas por quem mais sabe de música na Europa (ou que, pelo menos, sabe como se ganha este concurso), os suecos. Já a canção italiana é interpretada por um grupo famoso internacionalmente, os Il Volo. Apresentações à parte, há uma coisa a destacar – o resultado final depois da votação foi exactamente igual à ordem definida pelas apostas. Curioso, diria.

A Eurovisão é um grande espectáculo de luz, cor e som. Talvez, por isso, há quem apelide este espetáculo de circo. Há quem até pergunte como se faz um cantiga para a Eurovisão. Há ainda quem adore este “show”. “Show” sim, porque é, verdadeiramente, um grande evento musical. Passemos aos factos: é transmitido em directo para 200 milhões de telespectadores e seguido por mais de um bilião de pessoas em várias plataformas. Apesar de o cenário ser pomposo, em Portugal não é lá muito famoso. O share de audiências passou de, em 2008, 46,7% (cerca de 1.700.000 telespectadores) para 13,2% (cerca de 500.000 telespectadores).

Pronto. Apesar do cenário português, dá para perceber que isto é o maior evento musical à face da terra, pelo menos em termos quantitativos. Muitos cantores, muitas canções, muita luz, muita cor, muito som, muita gente a assistir (quer ao vivo, quer pela televisão e pela internet), um palco enorme. Podia continuar a enumerar. Daria uma lista quase interminável.

Pode-se apontar, contudo, uma grande falha. Apesar de não ser culpa directa da principal entidade organizadora, a European Broadcast Union (EBU), este festival perde no que toca à qualidade das canções a concurso. Entre as várias canções concorrentes, que costumam ser à volta de 40, só cerca de dez a doze são de boa, ou grande qualidade.

Junte-se a isto um facto inédito: a participação, pela primeira vez, de um país um pouco distante da Europa… a Austrália. E a estreia até teve um resultado bastante bom: um quinto lugar entre vinte e sete. É um feito algo extraordinário tendo em conta que Portugal participa nesta competição há mais de 50 anos e nunca conseguiu ganhar. Pior que isto. O nosso melhor resultado foi pior que o resultado australiano: foi um sexto lugar, numa altura em que competíamos contra 22/23 países.

Deixemo-nos de lamúrias. Este ano, o concurso teve um conceito algo sui generis, especialmente para uma organização, que diz não tolerar mensagens políticas nas letras das canções. “Building Bridges” é uma afirmação política pela igualdade entre géneros, pela emancipação da comunidade LGBT, algo que, ainda que de forma indirecta, condicionou (e de que forma) uma vitória russa.

É ainda de destacar um episódio cómico. Não, não me refiro às já habituais novelty songs. Falo dos três países (um deles foi Portugal) que ficaram “pendurados”, durante a votação. É caso para dizer “parece que a chamada foi a baixo”. No caso português, a chamada de retorno está a tornar-se cada vez menos apelativa…

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Jorge Nicolau Magalhães

Nascido ‘lá fora’, mas criado em terras lusas desde tenra idade.
Desde cedo demonstrei interesse pela comunicação. Talvez por causa disso eu tenha optado por estudar comunicação.
Gosto de ler, ler e ler. Escrever… vou-me safando.
Gosto de política, muito mesmo.
Não sou utópico. Sou profundamente (neo)-realista. E, por isso, mudar o mundo não é comigo; contem comigo apenas para o consertar aos poucos.
Sou apenas um observador e um crítico algo compulsivo.

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