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Podemos estar sossegados?

1 – Findas as eleições presidenciais eis que Marcelo Rebelo de Sousa sucede a Cavaco Silva na presidência da nossa 3.º República.

E se o Povo disse está dito. Democracia é isto mesmo e como tal não se pode agradar, nunca, a Gregos e Troianos. Haverá sempre uma margem da população Lusa que não ficou contente com a vitória de Marcelo, mas como disse atrás, este é um dos “males” da Democracia e temos todos de saber conviver com eles.

E é sobre este mal que lanço aqui a minha grande dúvida sobre o Presidente Marcelo.

O Professor tem por hábito querer agradar a todos, contudo já todos vimos que tal é impossível em Democracia. Daí que me pergunte como irá Marcelo lidar com as questões fracturantes da nossa Sociedade.

Cavaco Silva ao ter vetado a adopção de crianças por casais do mesmo sexo e as alterações à Lei do Aborto deixou a Marcelo duas destas questões… Vamos a ver como o Professor se irá comportar. Até lá mantenho a minha postura de esperar para ver, mas vou desde já dizendo que se calhar não vamos ter, ainda, o desejado sossego que ambicionamos desde que José Sócrates colocou a Troika a “entroikar-nos”.

2 – Ainda sobre a eleição de Marcelo apraz-me dizer que não tenho assim tanta certeza de que vamos voltar a ter um centro na nossa Política e que a Direita e Esquerda ficaram órfãs.

E tenho tal ideia muito por causa do que escrevi no ponto anterior. O que irá Marcelo irá fazer quando estiver diante de uma postura mais radical da parte de Passos Coelho e da sucessora de Paulo Portas? Irá procurar apelar ao bom senso da parte de quem já o apelidou, indirectamente, de cata-vento? Ou irá este dar razão e aceitação incondicional à sua família política como fez Cavaco Silva nos anos em que foi Presidente da República?

Desenganem-se aqueles que pensam que pensam que a Esquerda e Direita estão órfãs. Aliás não sei de onde se retira tal conclusão porque do que se sabe do Marcelo comentador é que numa semana diz uma coisa sobre um determinado tema e na semana seguinte diz outra bem diferente sobre o mesmo tema.

Portanto vamos aguardar. Não nos deixemos iludir pela postura tímida de Passos e Portas até porque estes já nos mostraram, num passado não muito distante, que são capazes de tudo.

3 – “Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista”… “São opções e não quero critica-las”…. “Não somos capazes de mudar. Fazemos sempre a mesma opção por uma forma séria de fazer política”.

Estas foram algumas das declarações de Jerónimo de Sousa ao péssimo resultado alcançado pelo Partido Comunista Português nas presidenciais.

Jerónimo é o menos culpado de todos neste triste filme. Isto porque quem realmente manda no PCP é o Comité Central, um órgão secular cujos membros só são substituídos quando falecem (ao estilo da antiga União Soviética e o seu famoso politburo). Daí que seja natural este tipo de discurso quando o Partido “leva uma banhada” de alguém mais jovem e cuja forma de estar na política se adaptou aos tempos modernos.

Os Partidos Comunistas estão em vias de extinção por esta Europa fora e pelos vistos o PCP quer seguir o mesmo caminho. E estas declarações são bem elucidativas no que ao futuro do PCP diz respeito.

O problema do Partido Comunista Português é precisamente o de não ser capaz, nunca, de mudar e de teimar em fazer sempre o mesmo seja onde for e em que contexto for. Em suma, estão orgulhosamente sós até ao fim e depois a culpa é das “engraçadinhas” e dos “populistas”.

4 – Já que aqui falei de coisas que nunca mudam na nossa Imprensa também existem coisas que nunca mudam.

Até que compreendo que se queira manter o nível das vendas, porque sem lucro não há órgão da Comunicação Social que resista não obstante TODOS serem subsidiados pelo Estado Português, mas tenham lá santa paciência e parem com o berreiro caótico da semana passada…

Se a Europa dialoga com Portugal é o fim do mundo. Se a Europa impõe medidas a Portugal é o fim do mundo. Se a Europa tem dúvidas sobre o Orçamento de Estado do corrente ano cível e procura vê-las esclarecidas é o fim do mundo. Se o Governo Português dialoga com as Instituições Europeias e Credores é o fim do mundo.

Sinceramente. Decidam-se Srs. e Sras. Jornalistas. Bem sei que o vosso brio profissional foi pelo ralo abaixo há muito tempo e que o vosso Código Deontológico serve somente para pisa papéis ou para equilibrar uma mesa cuja perna esteja torta, mas existem limites. Somos um Povo de brandos costumes mas tudo tem um limite!

5 – Para o final deixei duas breves notas que, quando tiver oportunidade, serão mais desenvolvidas.

A primeira prende-se com a forma vergonhosa como a Europa tem tratado o problema dos Refugiados.

Expulsões, maus tratos, pulseiras coloridas, apreensão de bens, etc, etc. Tudo actos que nos fazem recordar o período negro da Alemanha nazi que são praticados por Países ditos desenvolvidos como a Suécia, Dinamarca, País de Gales, Hungria e Áustria obrigam-nos a reflectir se, realmente, aprendemos alguma cosia com o Holocausto.

Bem sei que o Sr. Martin Schulz não quer que se toque no problema de se tratar os Refugiados como os nacionais dos Países referidos em cima (um Ministro Dinamarquês disse isto mesmo: é tudo uma questão de se tratar os Refugiados da mesma forma como se trata um Dinamarquês na Dinamarca), mas isto tem mesmo de ser debatido, dissecado e devidamente analisado… Sob pena de a Europa se tornar numa espécie de IV Reich.

O outro ponto prende-se com a candidatura de António Guterres ao cargo de Secretário-geral da ONU.

Anda para aí muita malta animada com o tema mas por acaso a malta sabe que isto da ONU é uma tremenda fantochada não sabe?

Primeiro que tudo quem realmente manda na ONU é o Conselho de Segurança. O Secretário-geral não é mais do que um simples fantoche do Conselho de Segurança.

Segundo, depois que os Estados Unidos da América e Inglaterra lançaram a moda das invasões unilaterais de Países à revelia do Direito Internacional porquê carga de água nós Portugueses e Cidadãos do Mundo temos de ficar orgulhosos com a candidatura do Engenheiro Guterres?

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Pedro Silva

“É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida.” (Salvador Dalí)

Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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