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Penso, logo, decido

A mente humana é um labirinto do tamanho do Universo. Somos a única espécie que desenvolveu o pensamento a uma escala tal, que nos torna na raça dominante sobre todas as outras espécies que habitam o planeta. Temos uma particularidade impar que nos permite sentir de determinado modo, pensar de uma forma diferente e agir racionalmente, ignorando o impulso do instinto e fazendo com que o raciocínio nos torne poderosos.

Em sociedade tornou-se necessário este padrão comportamental de rituais e atitudes, que nos permitem coexistir e evoluir.

No entanto, o raciocínio aliado ao sentimento, gera muitas vezes crenças limitadoras o controversas que nos aprisionam. E é aqui que se divide o acto de pensar. Podemos pensar positiva ou negativamente e, embora muitos não saibam ou concordem, somos nós que decidimos intimamente que rumo dar aos pensamentos.

Sabemos hoje que o pensamento positivo é uma ferramenta fundamental para atingirmos os nossos objectivos. É o que nos dá impulso e força para concretizar os nossos sonhos e projetos.

Contudo, também sabemos o quanto é difícil manter uma mente equilibrada e positiva nos dias de hoje.

O que fazer com os pensamentos negativos que cruzam a nossa mente?

Existem desafios na vida que nos impossibilitam de ver a luz ao fundo do túnel, que nos deprimem de tal forma que não nos deixam avançar. Se ao menos houvesse uma forma de bloquear ou mesmo exterminar essa negatividade, talvez a vida fosse mais fácil de levar.

Posto isto, a busca pelo comprimido milagroso que dilui o negativismo virou uma autêntica moda. Vem a dor de cabeça, toma-se um comprimido. O desemprego ameaça a sobrevivência, entra-se em depressão, toma-se um comprimido. Alguém morre ou parte das nossas vidas, toma-se um comprimido. A unha do pé encrava e, curiosamente, toma-se um comprimido. A morte bate-nos à porta e gastamos o que nos resta em comprimidos, adiando o inevitável. Porém, nenhum comprimido nos salva de pensamentos negativos.

Então talvez, além dos comprimidos, tenhamos que mudar o nosso estilo de vida. Busquemos, então, por algo que nos faça sorrir instantaneamente, enquanto os comprimidos não fazem o seu efeito. Compramos sonhos.

Um plasma maior para testemunhar a alegria do campeonato do mundo de futebol. Uma casa maior o mais bem mobilada para viver mais confortavelmente. Um carro topo de gama para acelerar no asfalto e criar a ilusão de liberdade. Ou simplesmente para mostrar o nosso bom gosto. Um adorno ou roupa de marca que, com certeza, fará a inveja dos que nos rodeiam. Umas férias num local paradisíaco, que trará boas recordações futuras, sob a forma de selfies para mais tarde recordar. Um animal de estimação que, além de boa companhia, podemos mimar e cuidar como se de uma criança se tratasse para sempre.

Tudo isto parece resultar até ao dia em que o dinheiro acaba. Ou, noutros casos, não passam de sonhos frustrantes, que o poder de compra não permite realizar. Nesta altura, a necessidade de um pensamento positivo que nos acalente a alma, é a mesma de um dependente de heroína em busca da próxima dose.

O muro torna-se tão alto que não conseguimos sair do labirinto escuro e sombrio da negatividade. Nada faz sentido. Tudo é feito em esforço e a vida deixa aos poucos de ser algo que vale a pena.

Esta pressão constante de sorrir, de ser feliz, de viver em satisfação plena, acaba por se tornar um veneno sem antídoto, mas será que é isto que se pretende? Ser sempre feliz mergulhado em pensamentos positivos, ainda que a vida teime em ser madrasta? E, se assim for, para que servem os pensamentos negativos?

Se desconhecermos o frio, não sabemos o que é o calor. Se nunca conhecermos a tristeza, nunca daremos valor à alegria. Se caminharmos sempre na luz, o que fazer no dia em que um eclipse nos tapar o sol?

Não, não conseguimos ter apenas pensamentos positivos. Não, não somos obrigados a existir submersos em pensamentos negativos. De uma forma ou de outra, temos que conseguir equilibrar os pólos para manter uma mente sã. Podemos transmutar pensamentos. Podemos analisar um pensamento, dividi-lo em negativo e positivo e, a partir daí, criar a nossa própria realidade através das nossas escolhas.

Sempre que um pensamento negativo se instala, não é o fim do mundo. É apenas um alarme da mente para nos alertar que algo tem que mudar, que estamos a caminhar na direcção errada ou, por vezes, a sermos forçados a sair da nossa zona de conforto. Há que analisá-lo e transmutar a sua energia e o modo como nos condiciona. Não se trata de aniquilar ou diluir o pensamento, mas sim, tomar consciência do que nos conduziu a ele.

A compreenção é a chave para a libertação.

Se a dor de cabeça se instala, antes de correr para a carteira dos comprimidos, procure entender que sinal lhe está a enviar o seu corpo. Provavelmente tem que descansar mais. Será que se alimentou bem durante ou dia?

Está desempregado e sem dinheiro para fazer face às despesas. Sentar-se a imaginar o pior e a sentir pena de si próprio não é a solução. Mas se precisar de chorar, se tem que limpar a alma desse pranto, chore. Chore com vontade. Chore até esvaziar o coração de todo esse desespero. Em seguida tome um banho, relaxe ao som de uma boa musica e decida que no dia seguinte um novo capitulo da sua vida vai começar. Entenda que a vida está a dar-lhe a oportunidade de começar de novo e que pode agora escolher o que quer fazer e como o vai conseguir.

Alguém o traiu ou simplesmente saiu da sua vida. Entenda que ninguém é de ninguém. Permita-se fazer o luto dessa relação. Se o outro lhe foi infiel, agradeça o facto de saber, mais cedo do que tarde, que essa pessoa não merece a sua confiança ou amor. Nunca se arrependa de ter amado alguém que não lhe deu o devido valor. Cada um dá o que tem. Agora está na hora de se mimar e de resgatar esse amor para si próprio.

A morte de um ente querido é algo difícil de suportar. O luto e a tristeza têm que ser vividos de modo a deixarem apenas boas recordações, ainda que com a dor da saudade.

Saber lidar com pensamentos negativos, torna-nos mais maduros. Depois de entender a sua origem, está na hora de conviver com eles o tempo necessário para os entender e, de seguida, libertar a mente.

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Sónia Marques

Nasci a 7 de Janeiro de 1977 em Lisboa. Nunca fui uma aluna de excelência, mas sempre fui apaixonada por leitura e escrita. O meu percurso profissional não tomou o rumo daquilo que sinto ser a minha missão de vida, mas deu-me ferramentas poderosas como observadora. O atendimento ao público todos os dias proporciona histórias de vida e ensinamentos que me fazem exaltar a criatividade. E são essas, as estórias de vidas e pessoas reais, os seus desafios e a forma como encaram a vida que me faz crescer e aprender valiosas lições. O comportamento humano, nem sempre positivo, fascina-me.

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