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Parenthood: Filho és, Pai serás

Quem me conhece sabe que faço sempre menção a The Good Wife sempre que me perguntam que serie dramática deveriam seguir, por causa da qualidade de interpretações e do argumento que apresenta, episódio atrás de episódio. Porém, confesso que tenho sido injusto, porque existe outra série que está prestes a terminar e que está a par, em termos de qualidade, com The Good Wife. Falo, claro está, de Parenthood.

Jason Katims é o produtor executivo desta série e aparenta ser o especialista nas adaptações de bons filmes para a televisão, transformando-os em séries ainda melhor. Actualmente, em paralelo com Parenthood, encontra-se a produzir About a Boy, que também é uma série baseada num filme. Anteriormente, Katims foi um dos responsáveis pela adaptação, em 2006, de Friday Night Lights, uma das melhores e emocionalmente envolvente série que foi produzida nos últimos anos e conseguiu fazê-lo sem muitas mortes, ou uma premissa baseada no balanço entre a vida e a morte dos seus personagens, de forma a aumentar, semanalmente, a tensão da história. O mesmo se aplica a Parenthood. A série acompanha a simples história de uma família muito grande, os Bravermans, cujos membros vivem ligados através dos problemas e das vitórias de cada um. Algumas das cenas são intensamente dramáticas, enquanto outras são inteligentemente cómicas, num estilo muito semelhante ao de Modern Family.

Parenthood sempre misturou comédia e drama. A sua versão original, o filme de 1989, contou com Steve Martin como actor principal e é ele que resume a grandeza da história, num final emocional, em que um pai protector observa orgulhosamente o seu filho mais novo a jogar Basebol e a conseguir apanhar um lançamento difícil, na Little League. O sucesso do filme levou a que um canal de televisão norte-americano tentasse criar uma versão televisiva desta narrativa, mas, desta vez, com Ed Begley Jr. no papel principal. No papel principal. Contudo, o público não aderiu à história apresentada, mesmo quando o filho mais velho era interpretado por um jovem Leonardo DiCaprio.

Quando este mesmo canal decide, em 2010, voltar a tentar uma nova adaptação e entregou as rédeas a Katims, este conseguiu criar a mesma magia que tinha imbuído em Friday Night Lights. Sempre que um marido e uma mulher brincavam, ou discutiam, todas as boas falas não iam apenas para o homem, ou para a mulher. Todos os que apareciam na série tiveram espaço para ter a sua própria visão e, normalmente, esses pontos de vista acabaram por colidir. Ao longo dos anos, objectivos de vida e sonhos foram realizados, ou abandonados. A mudança existiu. Nem todos os planos foram infalíveis contra acontecimentos inesperados. Independentemente do que aconteceu, as pessoas continuaram sempre em frente e, ocasionalmente, procuraram um pouco de conforto, ou ajuda entre si. Tal como… na vida real.

Por ser fã de Parenthood, vi, ao longo dos anos, romances e trabalhos a aparecerem e a desaparecerem. Vi personagens a lutarem para sobreviver, depois do diagnóstico de um Cancro, ou a aventurarem-se na política local e a comprar um estúdio de gravação. Também vi inúmeros jantares, imensas discussões aos gritos e em silêncio e, cada momento, foi marcado por honestidade (e dolorosa) familiaridade. O que eleva tudo isto é a qualidade representativa de cada actor envolvido no projecto e do argumento criado. Peter Krause e Monica Potter, por exemplo, são soberbos como o casal Adam e Kristina. Ela teve cancro e concorreu às eleições para Mayor. Ele arriscou ao comprar um estúdio de gravação e ambos têm um jovem filho, Max, que sofre do Síndrome de Asperger, cujo desenvolvimento ao longo dos anos tem sido um dos elementos mais incomuns e pujantes da narrativa.

Uma das irmãs de Adam, Sarah, interpretada por Lauren Graham, de Gilmore Girls, trabalha para um temperamental, mas talentoso, fotografo chamado Hank (um Ray Romano que rouba a nossa atenção sempre que aparece em cena) e com quem constrói um relacionamento romântico. Aliás, a sua actual relação tem apresentado alguns dos melhores momentos desta última temporada.

Durante um longo período, o rabugento Hank criou uma amizade e uma forte identificação com o sobrinho de Sarah, ajudando Max a lidar com a sua doença, fazendo-o canalizar a sua energia de foco para a fotografia. No entanto, ao pesquisar mais sobre Asperger, descobre que todos os sintomas desta condição de saúde também se aplicam a ele perfeitamente. Decide, por isso, procurar ajuda especializada, aceitando o que é e começando a abordar a sua vida de uma forma diferente – incluindo várias tentativas de comunicar melhor com Sarah. As conversas entre os dois são algumas das cenas com a melhor qualidade interpretativa e das mais carinhosas na televisão actual. Para além disso, isto permite a Ray Romano, que esteve anos na sitcom Everybody Loves Raymond, demonstrar as suas qualidades dramáticas.

Não é tarde de mais para entrar para a família de Parenthood, que vai na sua última temporada. Vê esta última temporada e depois procura as temporadas anteriores, para acompanhares a viagem destas personagens fabulosas. Simplesmente não percas a oportunidade de a ver. Os dramas familiares sempre foram um dos géneros televisivos mais difíceis de criar em televisão, sem ser demasiado piroso, dramático, ou previsível. Parenthood, tal como Friday Night Lights, é o expoente máximo dos dramas familiares e uma série que nos apaixona nos primeiros minutos em que a vemos.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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