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Para quê ler?

Portugal não é um país para leitores, apesar de ter uma das melhores literaturas a nível mundial. Poderá vir a ser, mas ainda não é. Por cá, a falta de leitura mostra-se notória. Normalmente, as pessoas mais formadas e as mais electrizadas é que dão o valor à essência da leitura. Com isto, vale a pena perguntar: Para quê Ler?

Em primeiro lugar, o simples acto de canalizar informação do livro para a mente representa algo bastante significativo. Saussure, fundador da Semiologia (ciência que estuda os signos), enuncia existir um significado (conceito) e um significante (imagem acústica), que moldam os nossos pensamentos. Isto faz com que o cérebro tenha dinâmica. Dinamizar o meio cognitivo representa um mecanismo que contribui no sentido de atrasar a velhice e promover o bem-estar. Há estudos que comprovam que quem lê até mais tarde, mais tarde falece. “Para a manutenção, o desenvolvimento e a recuperação das capacidades cognitivas na velhice, o hábito de ler é destacado por pesquisadores da neurologia. Segundo eles, ler estimula um entrosamento activo entre os neurónios”, como refere Elizabeth Thomaz Pereira, na sua tese de mestrado.

Em segundo lugar, trata-se de uma questão de cultura geral. Ou seja, um conhecimento cultural necessário para situar um membro de uma determinada sociedade nela. Na nossa sociedade em particular, existe um povo muito pouco interessado nisso. Mesmo as gerações mais jovens não estão a ser preparadas para tal realidade. Talvez o problema esteja na educação, que não se tem mostrado eficaz nesse sentido. Em Portugal, quem quer aprender mais e tornar-se mais culto tem que procurar. Ficar pelo que se aprende nas aulas revela-se insuficiente. A culpa não é dos professores, mas do próprio sistema de ensino. Neste caso de análise, são propostos um conjunto de livros, ou no Plano Nacional de Leitura, ou nos “Contratos de Leitura”, porém, os alunos podem ir à Internet obter resumos, ou, inclusive, trabalhos feitos, o que retira toda uma dimensão sócio-cultural, do imaginário que a leitura proporciona.

Em terceiro lugar, a educação intergeracional, de geração para geração. Se os pais não lêem, dificilmente, os filhos e os netos lerão, apesar de estes estarem perante a era onde a informação se encontra mais disponível que nunca, uma disponibilidade muito em parte potenciada pelos avanços tecnológicos. Os anais da História e a cultura portuguesa mostram que a literatura e as artes em geral foram consideradas, desde há muitos séculos, algo pertencente a uma classe mais alta, ligada à Coroa e aos verdadeiros intelectuais e burgueses.

Qual poderá ser a solução? Criar aulas de leitura, por exemplo. Mostrar como ler, de que forma ler, o que absorver a ler, o que representa ler, qual o caminho a adoptar para ir mais além no acto de ler e do acto de ler. Numa primeira instância, pode parecer um pouco absurda esta ideia, mas, se se pensar que existem universidades sénior, cursos de escrita criativa, workshops diversos, porque não de leitura? Fica a ideia para se pensar e motivar a sociedade actual a fazer mais por si intelectualmente. Isto permite mais intervenção crítica e força motivacional.

É importante fazer-se algo. Os livros podem representar um caminho para um mundo melhor. Transmitem conhecimento puro e constituem uma arma para a mudança social. Basta querê-la.

Fonte da Citação: PEREIRA, E. T. (2005). O Idoso e o Aprendizado de uma Nova Língua: O Descortinar de Trocas Sociais e Afetivas. Mestrado em Gerontologia, PUC-SP

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal 'ComUM', no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal 'Académico', juntamente com a sua participação semanal no 'Repórter Sombra', onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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