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Paper Towns

Para Quentin, todos temos direito a um milagre e para ele esse milagre foi Margo. É assim, exactamente com esta frase, que o filme Paper Towns começa e tenho de ser sincera: com uma frase tão filosófica fiquei à espera de muito mais do que aquilo que acabei por receber. Contudo, não me vou adiantar em conclusões sem antes me justificar. Quentin conhece Margo ainda em criança, mas com o passar do tempo vão-se afastando. “Q”, como os amigos lhe chamam, é o típico “nerd”, rapaz atinado a tentar entrar para a universidade, enquanto que Margo é… diferente. Um mito, para muitos. As mais variadas histórias são contadas sobre as suas aventuras, mas pouco se sabe sobre a veracidade delas. No entanto, aí é que está a magia de Margo, no mistério em que ela se envolve.

Após uma reaproximação entre eles, Margo desaparece, deixando para trás pistas sobre o seu paradeiro. Q, julgando que as pistas são dirigidas a ele, parte à aventura com os seus amigos, em busca da misteriosa Margo.

Está desenhado o esqueleto do filme e é nele que se vai desenvolver toda a acção e foi aqui que entrou a minha desilusão. O que nos tentaram “vender”, como sendo mais uma história de amor, acaba por ser uma aventura entre 3 amigos que se vão separar para ir para a universidade e que apenas se apercebem disso agora na recta final do secundário. Cheguei a perguntar-me o que estava Margo a fazer no cartaz de apresentação do filme, visto que ela quase não aparece no filme. Sim, as acções desencadeiam-se todas à volta dela, mesmo ela não estando presente, mas ainda assim senti-a quase como um elemento deslocado ali, no meio daquilo que o filme nos queria verdadeiramente transmitir.

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Eu sei que provavelmente estarei a ser injusta, tendo em conta o seu antecessor. Ninguém quer competir com o The Fault in Our Stars e com muita razão. Então, que não nos tentassem vender o Paper Towns como o The Fault in Our Stars 2. Está errado e só vai dar aso a que as pessoas se desiludam, como eu me desiludi. Desenganem-se: a Margo não é a próxima Hazel e não há uma história de amor para vos fazer chorar e sonhar.

A minha desilusão vai para além da publicidade enganosa, mas esse “além” talvez esteja associado à minha idade e poderá não ser válido para todos. Paper Towns é um filme dirigido aos adolescentes. Ponto. E provavelmente só os adolescentes vão retirar dele algum sentido, ou dar-lhe algum valor. Todas as situações, comportamentos das personagens, diálogos, tudo isto é dirigido apenas aos adolescentes. Até aquela ideia que se cria à volta da Margo é dirigida à camada jovem, porque vejamos o que eu retirei desta personagem: uma rapariga mimada que se mete em situações perigosas, que teve a sorte de nunca ser apanhada, que está farta de aturar os pais e, por isso, foge. Porém, isto é um ponto de vista. De outro, ela poderá ser uma heroína. Quem sabe.

O crédito não deve ser todo retirado ao filme, há situações engraçadas, personagens peculiares que nos arrancam algumas gargalhadas. No entanto, como um filme não se faz de 10 minutos de risos, penso que não haverá nada a fazer. Senti-me insatisfeita, de uma forma geral. Estava à espera de mais. Não sei do quê em concreto, mas posso dizer que me arrependi do dinheiro que gastei no bilhete.

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Cristiana Sousa

Cris, uma aspirante a jornalista com pronúncia do Norte, habitação em Coimbra e com a mente no mundo. Aficionada do cinema e do mundo dos sonhos, ainda anseia conseguir ver todos os filmes do mundo e visitar todos os países que conseguir antes de sucumbir ao peso da idade.

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