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Palavras no pódio

Eugénio de Andrade escreveu: ”são como um cristal/as palavras./Algumas, um punhal,/um incêndio./Outras,/orvalho apenas.” As palavras, assumem o papel principal numa sociedade. São elas que ditam a união, a divisão, a definição de um país, de uma casa, de uma família. São as palavras do Primeiro Ministro, do Presidente da República, dos comentadores dos media, dos amigos, da família que levam cada individuo de uma nação a formular uma ideia, a sua própria ideia. São as palavras que justificam as acções, são as palavras que justificam a tomada de partido. São as palavras as responsáveis pelo “incêndio” ou pelo “orvalho”, citado pelo poeta Eugénio de Andrade.

Palavras de ruptura, palavras de conforto. Um sincero pedido de desculpas, ou o anúncio de uma nova esperança, unem uma nação. Palavras que desagradam ou anúncios de mais austeridade dividem-na. Um simples “ rendo-me” traz a paz, um “ataca” traz a guerra. A palavra tem o poder soberano.

O respeito pela lei, a protecção dos mais fracos, a ideia de uma nação unida e forte, onde todos têm os mesmos direitos e deveres, são alguns dos ideais que qualquer criança americana aprende na escola e que todos os soldados têm de saber de cor.

Este patriotismo, que é muitas vezes criticado pelos povos ocidentais, só é possível, porque todos os cidadãos o encaram como soberano. Cada presidente que assume a liderança dos Estados Unidos tem por missão incutir o seu povo, cada filme americano que estreia demonstra estes ideais aos seus espectadores, cada livro que sai sugere aos seus leitores a crença numa América única e inalcançável por outro país.

Os americanos continuam ainda hoje a difundir mensagens propagandísticas a favor da guerra e das invasões militares em nome da defesa do seu país. A América dorme e acorda sobre a ideia de que juntos e com a ajuda dos melhores soldados do mundo defendem o país e alcançam o tão badalado ideal de liberdade americano. Exemplos disso não faltam. Transformers, Homem Aranha, Capitão América, ou Batman, são alguns filmes do cinema americano que contam a história de super-heróis americanos que lutam pelo bem da humanidade. Normalmente, estes heróis vestem-se das cores dos Estados Unidos e defendem os ideais americanos, saindo, no final da história, os vencedores.

Em Março de 2003, no inicio da Guerra do Iraque, George W. Bush enviou uma mensagem a todos os americanos:

A todos os homens e mulheres das forças armadas dos Estados Unidos que estão agora no Médio Oriente, a paz de um mundo tumultuado e a esperança de um povo oprimido agora depende de vocês. A confiança está bem colocada.

Os inimigos que vocês confrontarem conhecerão a sua habilidade e a sua coragem. As pessoas que vocês libertarem testemunharão o espírito honroso e íntegro dos militares norte-americanos.
(…)
Eu sei que as famílias dos nossos militares estão a rezar para que todos os que servem retornem em segurança e rapidamente. Milhões de americanos estão a rezar com vocês, pela segurança dos nossos entes queridos e pela protecção dos inocentes. Pelo vosso sacrifício, vocês terão a gratidão e o respeito do povo norte-americano e vocês podem ter a certeza de que as nossas forças voltarão para casa, assim que o seu trabalho for cumprido.”

Uma mensagem que correu o mundo. Palavras de união e esperança, onde estão bastante bem marcados os ideais deste povo. Uma verdade constatada também no discurso de Barack Obama na sua recente vitória nas eleições.

“Esse país tem mais riquezas que qualquer outro, mas não é isso que nos torna ricos. Temos os militares mais poderosos da história, mas não é isso que nos torna fortes. As nossas universidades, a nossa cultura são invejadas em todo o mundo, mas não é isso que faz o mundo querer vir para cá. O que faz a América especial são os laços que mantêm unida a mais diversificada nação do planeta, a crença de que nosso destino é compartilhado e de que esse país só funciona, quando aceitamos certas obrigações uns com os outros e com as gerações futuras, para que a liberdade que os americanos tanto lutaram para conquistar venha com responsabilidades e direitos, de entre os quais o amor e a caridade, as obrigações e o patriotismo. É isso o que torna a América grande.” 

Palavras que, em tempos de guerra, servem para acalmar os ânimos e despertar o sentimento de patriotismo na população. Palavras que, diariamente, sejam em discursos políticos, em filmes, em livros ou em debates televisivos, fazem cada cidadão americano seguir, acreditar e lutar por estes “famosos” ideais americanos.

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Raquel Loureiro

Sou uma amante incondicional do verbo comunicar licenciada em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. O gosto pelo jornalismo começou bem cedo. Escrever sempre foi um hobbie, hoje é a minha profissão. Actualmente estou a tirar mestrado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Gosto de viajar, conhecer novas culturas, novas perspectivas,outros mundos.

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