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CulturaMúsica

Out & Loud – Junho 2019

Fique a conhecer três dos álbuns mais marcantes do mês

A Different Kind of Human – Step 2 (AURORA)

Capa do álbum “A Different Kind of Human (Step 2)”, lançado no dia 7 de junho de 2019

AURORA é um nome que, cada vez mais, irá conquistar destaque a nível mundial. A sua música é contagiante, os seus vídeos são um vício para os olhos e toda a sua estética cativa. Neste álbum, sucessor de Infections of a Different Kind – Step 1, que representa apenas o terceiro da sua carreira, a qualidade só se elevou.

Praticamente do início ao fim, estamos perante um disco de excelência. Aliás, tendo em conta que a norueguesa tem apenas 23 anos, é muito fácil concluir que não se trata de uma miúda qualquer. AURORA é especial e toda a sua arte reflete isso mesmo.

Destaques? Bem, não são propriamente difíceis de encontrar. “The River“; “Animal“; “Dance On The Moon“; “Daydreamer“; “Hunger“; “In Bottles“; “A Different Kind of Human“; “Apple Tree“; “The Seed“: AURORA não desperdiça palavras, nem instrumentais. As músicas transportam, sempre, uma bagagem pesada de emoção – seja para dançar, para comover, ou ambas.

Através de uma sonoridade única, que mistura Robyn com Enya, as suas letras são um presente para o mundo e um elogio a tudo aquilo que toca na sua alma – o amor pela natureza, a defesa dos sonhos e vida no feminino. A Different Kind of Human (Step 2) é um álbum excecional. Tem o poder de emocionar em muitos sentidos, mas também passa uma mensagem moderna, que se enquadra nas urgências dos nossos dias e que empodera quem o ouve.

Viva a música que nos deixa com pele de galinha! Afinal, não é tão mundana quanto pode parecer.

Taller (Jamie Cullum)

Capa do álbum “Taller”, lançado no dia 7 de junho de 2019

O jazzy boy do Reino Unido, eterno miúdo do género, regressa com o seu oitavo álbum de estúdio. Como é costume, não trouxe um trabalho do qual seja possível fugir. O alinhamento começa de imediato com a faixa homónima do disco, “Taller“, e o convite para continuar é  demasiado apelativo.

Este mais recente trabalho discográfico reforça todos os grandes talentos de Cullum: a voz inconfundível, os sopros e coros como grandes aliados, o piano prodigioso e as letras não-acidentais. A complexidade da construção das suas faixas permanece uma caraterística belíssima do seu processo de criação.

O momento mais groovy, “Usher“, arranca indiscutivelmente um mood swing dentro do repertório. Aparece depois de três faixas que são focadas em questões existenciais e contraria o paradigma. Logo de seguida, surge “The Age of Anxiety“, um dos grandes achados do álbum. Nesta faixa – que evidencia a vulnerabilidade e humanidade do seu autor –, bem como em “You Can’t Hide Away From Love“, extraordinária balada ao piano, a voz de Jamie Cullum apresenta-se em todo o seu esplendor.

À exceção de “For The Love“, um momento particularmente desinteressante e fora do sítio, Taller é um disco a ter em conta na carreira do britânico. Não lhe faltam sucessos e hits, mas destaques como “Life is Grey“, “Mankind“, a homónima do álbum e as restantes faixas supracitadas mostram um compositor em constante evolução. Felizmente, parece que teremos sempre direito a um Jamie Cullum que se questiona, que tem aspirações e desânimos, mas que também sabe escrever, despretensiosamente, sobre tudo isso.

Tem Conserto (Clarice Falcão)

Capa do álbum “Tem Conserto”, lançado no dia 13 de junho de 2019

Mudança: essa é a palavra de ordem quando se fala do mais recente trabalho musical de Clarice Falcão. A pernambucana, ainda relembrada pelas suas participações hilariantes enquanto atriz de Porta dos Fundos, passou de um pop cómico e ativismo político para uma espécie de ativismo emocional.

Em Tem Conserto, mesmo tendo sido sempre uma artista descomplexada na forma como escreve sobre as coisas, há outro patamar ao qual Falcão nos quis transportar. Do início ao fim do alinhamento, sentimos que estamos bem dentro da sua cabeça e de todas as suas profundezas.

Desde a morte de um amigo (“Esvaziou“) e o sofrimento rotineiro (“Morrer Tanto“), até à confusão mental e depressão (“Minha Cabeça“; “Horizontalmente“): acedemos, agora, ao emocional mais humano de Clarice. Mas o bom humor ao qual nos habituou continua saudável e recomenda-se. Na sua forma de escrever, direta e sem rodeios, o espaço para ter piada é muito bem aproveitado. “Dia D” é o exemplo mais evidente disso mesmo, quando surge a frase “Hoje eu vou dar“, posteriormente repetida em vários idiomas. Coincidentemente, trata-se, também, de um dos destaques instrumentais do álbum.

As estética e sonoridade da artista também sofreram uma evolução notória, inteligentemente direcionada para a música eletrónica e dançante (com direito a sintetizadores que relembram os anos 80). Está, de facto, mudada, e a necessidade de abordar assuntos mais íntimos, de uma forma mais concetual, encaixa na perfeição com a sua nova apresentação estética. Por isso, há motivos para querer ouvir mais passos do género na carreira de Clarice… mesmo sabendo que este disco veio de um lugar de sofrimento.

Entretanto, que nos sirva de consolo a garantia que a própria nos dá – “estou quebrada, mas tem conserto / não parece, mas tem conserto” (“Tem Conserto“).

 

When it’s out, put it loud.

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Liana Rego

Licenciada em Jornalismo, pela Universidade de Coimbra, e Mestre em Cultura, Património e Ciência, pela Universidade do Porto. Jornalista na Conexão Lusófona e crítica musical nos tempos livres (que são todos, porque não gosta de se sentir enclausurada). Ativista. Vegetariana. Apaixonada: por música, pela interpretação da vida e pela Arte de revolucionar.

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