Negócios

Os trabalhadores mais empenhados não estão no escritório

Verdade inquestionável, maior esforço, maior empenho. O trabalho remoto adapta-se à expressão “quem não olha é como quem não vê” e, neste caso, no reverso da medalha – quem não está (no escritório) é como quem trabalha mais (remotamente).

Forçamo-nos a esforçar-nos para que não a eficiência, mas sim a eficácia seja atingida. O trabalho remoto é inquestionavelmente a forma que nos dá mais responsabilidade de cumprimento de objectivos. Quase como comparar o trabalho de um freelancer, que depende da sua boa prestação não só para cumprir objectivos, como também para auferir o rendimento.

Perguntam-se como pode este exemplo ser real. Também precisamos esforçar-nos (no escritório) para atingir objectivos e receber o ordenado. Verdade, porém, a instabilidade e imprevisibilidade do volume de trabalho, do que se pode auferir com ele, e do inesperado dos acontecimentos acabam por ser mais propensos à inconstância do que o trabalho dito de mesa e cadeira presencial.

Trabalhar fora do Escritório 1A realidade é que quem não partilha o mesmo local com os seus chefes acaba por se envolver e empenhar mais. Quais os motivos que potenciam esta constatação? A proximidade que favorece a benevolência, ou seja, a comunicação por vezes é feita por e-mail quando duas pessoas estão em curtos espaços de distância e, por isso, quanto mais longe as pessoas estiverem mais se esforçam por uma comunicação mais positiva. A frequência da comunicação é maior, uma vez que não se cruzam habitualmente com essa(s) pessoa(s). Deste modo, os próprios chefes tendem a ter uma maior percepção da autoridade que manifestam perante os restantes colegas. Existe uma necessidade imperiosa de manter o contacto e de garantir que a comunicação é eficaz para que as tarefas sejam bem executadas.

São chamados de chefes de equipa virtuais que fazem um uso mais regrado e útil das ferramentas que dispõem, são proficientes de diversas formas de comunicação, uma vez que esta forma de trabalho obriga a que a comunicação seja feita em múltiplas direcções – videoconferência, e-mail, telefone, mensagens. Esta é uma clara vantagem na liderança.

Estes maximizam o tempo que as equipas passam juntas e esse mesmo é aproveitado da melhor forma porque é um tempo precioso e exclusivamente focado no trabalho realizado ou a realizar. É este tempo que habitualmente é difícil de obter no dia a dia de trabalho num escritório. A desatenção é maior e há um maior risco de perda desse tempo útil.

O facto é que não há situações perfeitas, há adaptações que devem ser conduzidas a uma melhor eficiência, pois nem sempre o eficaz conseguiu ser eficiente. Não significa por isso que as equipas de trabalho que funcionam virtualmente sejam melhores ou mais produtivas do que as ditas tradicionais, mas as sinergias são muito maiores ou tendem a ser maiores num trabalho remoto. Não são precisos horários nine to five para garantir que um determinado trabalho é feito. É preciso que o tempo em que é feito seja útil e bem aproveitado. É dos ingredientes produtividade, empenho e comunicação eficaz que a receita de um bom trabalhador é feita.

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Rita Nunes Ferreira

Licenciada em Comunicação Social e pós-graduada em Estudos Europeus nasci neste mundo onde tudo/quase tudo se traduz em formas de comunicar. Tenho uma paixão nata pela escrita e um soberbo gosto pelo jornalismo em áreas diversas – lifestyle, sociedade, direitos humanos, política, assuntos europeus. Tendo sido ou não talhada para esta azáfama constante não existe o que possa demover. Todos os dias se justifica acordar e escrever mais um “bocado”.

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