LifestyleModa

Os segredos do mundo da Moda

Nem tudo o que reluz é ouro. E, tal como as pessoas, também as marcas enganam. A polémica começou em 2014 quando uma mulher britânica encontrou, dentro de um vestido que tinha acabado de comprar numa das lojas da Primark, uma etiqueta com uma mensagem a dizer “forçada a trabalhar muitas horas”. A frase estava cosida junto à etiqueta do artigo, comprado num estabelecimento da marca no Sul do País de Gales. Rebecca Gallagher, de 29 anos, contactou de imediato a Primark para dar conta deste “pedido de ajuda”, como explicou ao jornal South Wales Evening Post. No entanto, a jovem ficou 15 minutos em espera até a chamada ir abaixo, não obtendo qualquer resposta.

Mulher britânica, dentro de um vestido da Primark, uma etiqueta com uma mensagem a dizer “forçada a trabalhar muitas horas” | Foto: Daily Mirror

Contactada pelo jornal local, a Primark pediu que “a cliente devolvesse o vestido” para que pudessem “investigar como é que a etiqueta ‘extra’ foi parar ao artigo” e se existem “questões que precisam de ser averiguadas”. Até agora…nada.

Etiqueta encontrada no artigo da Primark | Foto: Daily Mirror

Já em 2015, foram encontradas umas meias, também da Primark, que escondiam um outro bilhete. Desta vez, foi uma rapariga que encontrou, dentro das meias do pai, uma carta que terá sido escrita por um escravo da China. A carta, escrita em Mandarim, seria de um homem de 42 anos, que viveria como prisioneiro, na província de Anhui. Na carta, o mesmo explica que foi detido depois de ter sido acusado de “rapto”, de a sua mulher ter sido internada “num manicómio” e de o pai ter sido “assassinado em 2014”. Tudo por culpa “da corrupção do Governo local”. A carta estava presa dentro de um par de meias que Lucy Kirk terá comprado na Primark. Por essa razão, a jovem terá decidido contactar a loja para pedir ajuda para desvendar a situação. Mais uma vez, a direção da loja garantiu à Metro UK estar a investigar o caso.

Neste sentido, muitos sabem do histórico de grandes marcas como a Nike em relação ao trabalho escravo e infantil. Porém, isto está longe de impedir que as pessoas comprem os seus produtos. Muitas pessoas sabem que, perante a procura incessante de lucros no sistema capitalista, vender um vestido por três euros não geraria grandes excedentes para lojas como a Primark.

De onde saem, então, os lucros? A resposta mais provável é a de que muitos trabalhadores da área têxtil têm as suas condições de trabalho análogas à escravidão. Trabalham durante jornadas exaustantes e recebem centavos de dólares por cada hora de trabalho. Muitos dos prédios onde estão alojadas as fábricas que fornecem os produtos para estas lojas não são seguras e o ambiente de trabalho é, muitas vezes, insalubre. Os trabalhadores estão constantemente sujeitos a assédios sexuais de todas as formas, não possuem quaisquer garantias em relação a licenças, devido a doença ou acidentes de trabalho, e têm a força sindical anulada pelos grandes donos das fábricas. Para que consigam cumprir as metas de produção, eles são, inclusive, proibidos de ir à casa de banho. Contudo, foi preciso que um prédio desabasse em Savar, Bangladesh, em 2013, deixando um saldo de mais de 1.000 mortos, para que muitas pessoas se dessem conta da realidade que existe por detrás da roupa que vestimos.

Apesar de tudo o que foi surgindo na comunicação social, a Primark admitiu que tudo não passou de um engano. “Os rótulos são claramente da mesma fonte. É absolutamente inverosímil que estas etiquetas tenham sido costuradas na fábrica onde as roupas foram produzidas, uma vez que foram fabricadas por diferentes fornecedores, em fábricas diferentes, em continentes diferentes, um na Roménia e outro na Índia, a milhares de quilómetros de distância. No entanto, ambas as peças de vestuário que continham as etiquetas falsas foram compradas na loja Primark de Swansea em 2013”, pode ler-se no comunicado da Primark da altura. A partir de então, a Primark tem levantado o véu do trabalho em prol da transparência e sustentabilidade da sua cadeia de aprovisionamento, em particular os esforços para garantir que todo o algodão utilizado seja produzido de forma sustentável.

Em jeito de conclusão, precisamos de estar atentos ao que compramos. É importante que procuremos saber a produção da loja onde fazemos compras, bem como os respetivos fornecedores.

Tags
Show More

Maria João Mesquita

Licenciada em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, sempre fui apaixonada pelo mundo jornalístico, pelo que trabalho atualmente num jornal/rádio/televisão de Famalicão. Gosto de escrever e sempre me atraiu esta área, porque me permite dar asas à minha criatividade e ir mais longe. O céu é o limite.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: