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Os pais e a sexualidade dos filhos

A sexualidade é um tema peculiar sobretudo para quem não consegue lidar ou trivializar o assunto com as crianças. Assume-se que o tema deve ser encaixado na educação ainda na infância e, apesar do desconforto que possa causar inicialmente aos pais, é um processo que se pretende longo, mas cada vez mais espontâneo.

As formas e tentativas de iniciar conversas, sobre um tema desusado às crianças e delicado aos pais, podem fazer toda a diferença na conduta dos seus filhos. São pilares da educação, são as figuras da ordem e da responsabilidade, os principais decisores da casa, são pais – figuras de influência dos nossos actos. A iniciativa dos pais numa conversa branda, mas circunspecta sobre sexualidade, é propensa a uma actividade sexual mais segura e mais precavida. A tomada de consciência dos malefícios, que o acto sexual desprotegido possa ter, torna o adolescente capaz de avaliar os ‘prós’ e os ‘contras’ na hora da decisão.

A ideia é tomar a diligência destas conversas o mais cedo possível, pois a diversidade de assuntos, dentro do mesmo tema, vai além do imaginável: funcionamento dos corpos masculino e feminino, reprodução, desenvolvimento humano, comportamento sexual e humano, doenças sexualmente transmissíveis, riscos de gravidez, tipos de relacionamento. Apesar de o teor das conversas aparentar ser árido, conforta e transmite mais segurança aos filhos. O processo acaba por ser mais complicado para os pais, que têm algum embaraço em lidar naturalmente com o caso.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América mostram que os adolescentes têm uma actividade sexual regular e que os pais estão longe dessa realidade. Com 19 anos, sete em cada 10 adolescentes já tiveram relações sexuais. É antes desta situação ocorrer que os pais podem fazer toda a diferença. Criar uma relação de respeito e segurança e advertir para as consequências que actos irreflectidos possam provocar, pode fazer a diferença na tomada de consciência dos seus actos. Embora não seja garantido que as conversas ajudem, na totalidade, os adolescentes, acredita-se que o voto de confiança entre pais e filhos possa contribuir fortemente para uma visão menos esotérica.

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Primeira conversa: Quando e como, com que idade e o quê?

Para que a conversa seja o mais natural possível podem recorrer a acontecimentos do dia-a-dia para encaixar o tema, como por exemplo uma ida ao cinema com um(a) amigo(a), uma festa de fim-de-semana, uma notícia que passou na televisão. São os ingredientes essenciais para iniciar a conversa. Convém ter presente que a conversa sobre a sexualidade não se resume a um único momento, mas antes a vários. É uma aprendizagem ao longo da vida, que deve ser faseada, para que os próprios adolescentes não se sintam sobrecarregados com demasiada informação. Uma conversa repartida em várias ocasiões permite, mais facilmente, delimitar metas para os pais e para as crianças/adolescentes.

Quanto mais cedo melhor. As curiosidades surgem e essa é uma óptima oportunidade de tomar iniciativa e garantir, desde logo, uma confiança com o seu filho. Importa também saber distinguir o teor das conversas nas idades apropriadas. Se a pergunta “como é que nasce um bebé?” vem de uma criança de 6 ou 11 anos, as respostas devem ser adequadas a cada idade. Deve-se ter em conta a naturalidade do tema, pois só assim é possível criar uma zona de conforto e facilitar a fluidez da conversa.

Alertá-los para os perigos das doenças e para a possibilidade da gravidez é fundamental para que tenham escolhas responsáveis. Transmitir os nossos valores e passar informações úteis é o contributo mais louvável que os pais podem ter.

Sexualidade

Convém saber qual o desenvolvimento sexual dos seus filhos e em que idades: entre os 5 e os 7 anos as crianças começam a mostrar interesse no funcionamento do corpo, apercebem-se dos sentimentos e do afecto que dão e recebem e este crescimento prolonga-se até aos 8/9 anos. A pré-adolescência, que se inicia com 10/12 anos, é uma fase em que a descoberta da sexualidade aumenta, sendo este um crescimento progressivo até aos 12/13 anos, altura em que a puberdade dá sinais da sua existência. O comportamento sexual começa a ganhar forma e algumas precauções devem ser tidas em conta. Um psicólogo especializado em desenvolvimento sexual infantil, Toni Cavanagh Johnson, indica alguns sinais de preocupação a considerar: os comportamentos sexuais devem ser idênticos em crianças com as mesmas idades; as crianças não devem ser incentivadas à prática sexual e não devem olhar para tudo como objectos de interacção sexual.

É premente perceber o crescimento do seu filho para poder participar activamente na sua educação sexual. Garanta que é um bom modelo e que a tolerância e respeito imperam na relação. A chave é garantir que o diálogo é feito da forma mais genuína possível, evitando constrangimentos das duas partes. E o mais importante de tudo: devemos ouvir as crianças e deixar que a conversa seja levada por elas.

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Rita Nunes Ferreira

Licenciada em Comunicação Social e pós-graduada em Estudos Europeus nasci neste mundo onde tudo/quase tudo se traduz em formas de comunicar. Tenho uma paixão nata pela escrita e um soberbo gosto pelo jornalismo em áreas diversas – lifestyle, sociedade, direitos humanos, política, assuntos europeus. Tendo sido ou não talhada para esta azáfama constante não existe o que possa demover. Todos os dias se justifica acordar e escrever mais um “bocado”.

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