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HistóriaSociedade

Os Guerreiros da nossa História

Ao longo dos séculos têm existido várias culturas guerreiras. Podemos considerar que foram um grupo, dentro de um grupo maior, onde o principal modo de vida seria o acto da guerra. Veja-se os Vikings, os Cavaleiros Templários ou, mais recentemente, as forças especiais dos vários exércitos do mundo. No entanto, para se falar de culturas guerreiras existem dois nomes que se destacaram e, parafraseando Camões, se livraram da lei da Morte. São eles Esparta e os Samurais.

Comecemos, então, por Esparta. Esparta era o expoente máximo da cultura guerreira, dentro de uma sociedade militarista. Quando nasciam, as crianças eram presentes a um grupo de anciãos que decidiam se a criança devia viver ou morrer consoante o seu físico. Se fosse decidido que devia morrer, era atirado de um penhasco e deixado para morrer. Se fosse decidido que devia viver, era enviada com os pais para casa, onde viveria até aos 7 anos. Depois integraria uma manada de crianças da mesma idade e o treino para ser um soldado e cidadão de Esparta começaria. As crianças eram encorajadas a roubar a comida que necessitassem, sendo punidas, apenas e só apenas, se fossem apanhadas. Este exercício destinava-se a aprenderem técnicas de movimentação furtiva no campo de batalha e a saberem lidar com a fome. Como peça de vestuário, tinham apenas um manto vermelho, cor de Esparta, que era substituído anualmente, encorajando, assim, uma vida desprovida de vaidades. Ao longo dos anos, iam ganhando mais privilégios, culminando aos 20 com a entrada para o exército espartano e aos 30 com a cidadania. Esta educação destinava-se a criar soldados capazes de, em grupo ou individualmente, lidarem com a dura vida em batalha.

A educação espartana foi extremamente bem-sucedida, criando uma cultura de guerreiros ferozes, sem medo e com a capacidade de lutarem até ao fim. Veja-se, por exemplo, o célebre caso dos 300 espartanos no Desfiladeiro de Termópilas. Regra geral, em guerra, a facção que gozava do apoio espartano saia vitoriosa. Houve várias instâncias em que o simples aparecimento de uma força espartana foi o suficiente para dar por finda a batalha. Porém, a força espartana não residia apenas na sua educação. As armas espartanas também eram algo a temer. Ao contrário do que Hollywood nos mostrou, os hoplitas espartanos combatiam com uma armadura, um escudo, duas espadas e uma lança e eram especialmente letais com a kopis, uma espada curta de uma mão.

A par dos espartanos, estão os samurais que, apesar de tudo o que têm em comum, não podiam ser mais diferentes. Enquanto os hoplitas espartanos eram, passo a expressão, uns brutamontes, os samurais eram educados, cultos, filósofos. A própria cultura samurai desenvolveu um conjunto de regras, valores e obrigações, chamado Bushido (Caminho do Guerreiro), uma amálgama dos ensinamentos Budistas, Zen, Confucionistas e Shinto, que um guerreiro samurai devia cumprir em todos os momentos da sua vida. O Bushido assentava em 8 grandes pilares: a rectidão, a coragem, a benevolência, o respeito, a sinceridade, a honra, a lealdade e o autocontrolo. Para além destes pilares, estava o domínio da poesia, da pintura e, obviamente, das artes marciais. Devido a vertente Budista e Zen do Bushido, as mortes desnecessárias e a tortura eram algo que os samurais não praticavam, considerando que seria perder a honra. E a honra, considerando por muitos como o principal pilar do Bushido, era algo com que os samurais tinham muito cuidado. Perder a honra, fosse em batalha ou não, era algo impensável para um samurai e, uma vez perdida a honra, a mesma só seria ganha de novo através da prática do seppuku (suicídio ritual).

Os samurais eram normalmente membros de um clã, ou família, ao serviço de um senhor e, regra geral, quantos mais samurais o senhor tivesse mais prestigiado e poderoso seria. Eram considerados como os oficiais desse senhor, estando encarregues não só da defesa em caso de guerra (era comum haver escaramuças entre senhores para decidirem quem era o mais poderoso), como também da manutenção da ordem e da paz nas terras do senhor que serviam. Para isso e servindo também como sinal do seu poder e estatuto na sociedade, os samurais andavam sempre com duas espadas, a lendária katana (espada longa) e o menos conhecida, mas não menos letal, tanto (espada curta). Em batalha, era comum também usarem o arco e flecha.

As culturas guerreiras fazem parte não só da nossa história e da nossa sociedade, como também do nosso imaginário. A mera existência de Esparta levou os Gregos e Romanos a tentaram superá-la para a conquistar, levou Alexandre, o Grande a memorizar as suas tácticas para uso em batalha, levou muitos autores a inspirarem-se nela para a moldarem numa personagem de um livro, ou de um jogo. A cultura samurai, em especial a noção de honra, ainda subsiste no Japão. Estes são apenas dois exemplos das culturas guerreiras existentes no mundo. Poderia ter falado dos Gurkhas do Nepal, dos Dayaks do Bornéu, ou até dos Navy SEAL norte-americanos, entre inúmeros outros exemplos. Porém, todas as culturas guerreiras vão, de uma forma ou de outra, dar a Esparta ou aos Samurai.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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