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Crónicas

Os famosos também têm calos

Ao fim de trinta sorteios, vinte giveaways e duas entrevistas, a conhecida mulher alta e com um corpo esplendido, que dispensa apresentações, escreve hoje que teve um dia mau.

Ela que tem uma casa no Estoril, que passa férias na Comporta e que o seu quotidiano permite ir, pelo menos uma vez por dia, ao ginásio não disse que partiu uma unha ou que o gás acabou em sua casa. Juntou unicamente palavras para demonstrar que hoje os astros não estavam alinhados a seu
favor.

A senhora que pode tirar férias várias vezes por ano, que conhece a Indonésia e as praias paradisíacas da América do Sul hoje não tinha os pés arranjados, nem as sobrancelhas feitas. E logo ela que é paga para andar sempre em bom e para demonstrar que a vida é estupidamente rosa.

Pois é, criou-se uma ideia errada das pessoas que estão para além do botão da nossa televisão. Elas também comem, de vez em quando, atum, nem que não seja quando voltam de férias e a dispensa está vazia. Elas também ficam doentes, não fosse condição necessária para pertencer a esta elite o uso de
vestidos em situações de -10º.

Há dias em que acordam e que, à semelhança de ti que estás a ler esta crónica e quando eras criança sonhavas ser actriz ou actor, desejam não ter a vida que têm. Há alturas em que gostavam de andar descalças na rua sem que fossem fotografadas e expostas ao mundo. Há alturas em que gostavam de ser mais delas próprias e menos do mundo social. E nesses dias, em que juntamente com as maldades dos que estão deste lado as criticam e só evidenciam os euros que têm no final do mês na conta, elas são mais mulheres e menos actrizes.

É estupido elas terem de manter o papel que exercem no seu estabelecimento de trabalho fora dele. Só porque pessoas como tu acham que elas não podem ser seres humanos como nós.

São mulheres. Têm as suas imperfeições, pelos encravados e dúvidas. São de carne como nós.

Vamos deixar que os 50 programas cor-de-rosa de críticas se encarreguem de fazer o seu igualmente trabalho e nós vamos vivendo as nossas cenas.

Vamos dizendo corta, quando assim acharmos que a nossa inveja face às suas vidas aparentemente felizes já chega. E sem dúvida que o sentimento será gratificando, quando nos apercebermos que somos os próprios realizadores da novela que é a nossa vida e não aquela que gostaríamos que fosse.

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