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CulturaMúsica

Os Azeitonas no Theatro Circo – Euforia Popular

Às 21 horas e 45 minutos do passado sábado (18), o público bracarense viu entrar em palco dez marmanjos e uma miúda de vestido preto. Era esta a primeira informação a reter da apresentação que acontecia à nossa frente. Isso e, claro, a imagem brilhante e luminosa exposta no fundo do palco, com as letras “Az” bem acesas e visíveis. A casa estava cheia, por isso, o aparato era justificado.

Rapidamente o público se apercebe que, àquela hora, não havia melhor lugar para se estar na cidade de Braga. A noite do Theatro Circo mostrava-se promissora, mas, acima de tudo, soava bem. E é isso que se quer num concerto familiar, onde os espectadores são de todas as idades e abarcam famílias inteiras.

Os Azeitonas tomaram conta do palco. A boa disposição era comum a todos os músicos e, consequentemente, a energia positiva acabou por contagiar o público num ápice. Ao som de guitarras, de saxofones, de uma trompete, da bateria, do baixo, do teclado, de pandeiretas, de shakers, da voz de Mário Brandão (ou Marlon, que é o seu heterónimo na banda) e dos coros de Miguel Araújo (guitarrista), de João Salcedo (tecladista) e de Luísa Barbosa (vocalista), o espectáculo tornou-se numa partilha de emoções. Quanto maior a euforia em cima de palco, maior a loucura por parte do público e vice-versa.

Foram tocados os hits que os e as fãs bem conhecem – “Quem és tu miúda?”, “Anda comigo ver os aviões”,“Café Hollywood”, “Nos desenhos animados (nunca acaba mal)” – e, para elencar todos os momentos altos, é preciso ter boa memória (ou, claro, um bloco de notas, ou um smartphone para armazenar a informação toda). “Lisboa não é Hollywood” foi um desses momentos, em que a performance d’Os Azeitonas se elevou e deu, por instantes, uma vibe cabaret ao concerto. Todos/as dançavam ao ritmo da batida de forma, por vezes, robótica, com movimentos curtos, e, noutras tantas vezes, completamente caótica, com saltos e semi-piruetas. Também “Anda comigo ver os aviões” e “Quem és tu miúda?”, acima de tudo por serem músicas que deram à banda mais reconhecimento dentro do panorama musical português, foram momentos de clímax. Miguel Brandão soube cativar o público e o convite que fazia à sua participação nunca poderia acabar recusado. Houve até uma fã mais atrevida que pediu para subir ao palco e ver a vista “incrível” que o vocalista tanto publicitava… E, claro, aconteceu. Subiu, viu e ainda conversou um pouco com os dois Miguéis d’Os Azeitonas.

Luísa Barbosa revelou-se uma dançarina particularmente efusiva e, numa performance dominada por timbres masculinos, a sua voz faz, realmente, a diferença. Apesar disso, a sua afinação não pareceu estar nos melhores dias. Mesmo com o momento calmo que aconteceu, mais ou menos, a meio do concerto, no qual Luísa cantou algumas músicas a solo, com uma profundidade de levar os mais sensíveis à pele de galinha, a entrega pareceu total, mas a voz pareceu falhar. Ainda assim, ninguém na audiência se mostrou desiludido/a. Até porque Luísa Barbosa, mesmo num dia menos bom, sabe vestir perfeitamente a canção “Nos desenhos animados (nunca acaba mal)”, uma das mais tocantes e bonitas do repertório da banda.

Foi assim: quente, divertido, eufórico. As letras que nos remetem imediatamente para o registo oral, juntamente com as melodias dinâmicas e os coros arrojados, representam algo de totalmente português. A simplicidade pop rock que se viu ali, no Theatro Circo, na amena noite de sábado, foi tudo aquilo de que o público precisava – e mais do que esperava, certamente. Mesmo as letras mais parvas, que, quando ouvimos na rádio nos soam a desleixo musical – como “Ray-dee-oh” -, ganham uma nova vida, quando cantadas ao vivo. Parecem poesia de alto gabarito, tal é a vivacidade e a diversão destes tipos – e desta tipa – em palco.

A despedida só poderia ter sido longa e calorosa. E, claro, não faltaram os elogios à sala – “o que Portugal tem de mais bonito”, nas palavras de Miguel Brandão – e ao público bracarense, que, com toda a sua garra e diversão, soube ser o melhor anfitrião para aquela noite especial. Não havia, de facto, melhor sítio para se estar naquele momento.

Agradecimento especial à Baldi – Eventos e Espetáculos, pela cedência de Credencial.

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Liana Rego

Licenciada em Jornalismo, pela Universidade de Coimbra, e Mestre em Cultura, Património e Ciência, pela Universidade do Porto. Jornalista na Conexão Lusófona e crítica musical nos tempos livres (que são todos, porque não gosta de se sentir enclausurada). Ativista. Vegetariana. Apaixonada: por música, pela interpretação da vida e pela Arte de revolucionar.

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