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HistóriaSociedade

Os 300 – Quando poucos foram muitos

Sobre os 300 espartanos e a Batalha de Termópilas já muito foi dito. Já foram chamados de deuses, de heróis e de loucos. Já foi considerado o último sacrifício para o bem maior e já foi considerado um desperdício de vidas e temos tendência a considerar estes 300 homens como o exemplo da bravura e determinação espartana. No entanto, uma coisa é certa – o mito de Leónidas e os seus homens sobrevive ainda hoje.

Antes de mais, vamos desmistificar umas coisas. Sim, eram só 300 espartanos comandados por Leónidas. Sim, havia mais soldados oriundos das grandes Cidades-Estados gregas. As estimativas apontem para que, no total, fossem cerca de 20 mil homens, contra um exército persa de 70 a 300 mil. Então, por que razão só nos vem à memória os espartanos, quando falamos desta batalha? Essencialmente, porque o maior sacrifício foi deles, uma vez que lutaram até ao fim. Ficou também para a história a resposta Esparta ao enviado persa, quando, na véspera do primeiro dia de batalha, informou os espartanos que as flechas persas iriam obstruir o Sol. A resposta espartana foi simples: “Melhor ainda, lutaremos à sombra”.

A batalha decorreu entre 8 e 10 de Setembro de 480 A.C., numa passagem costeira na Beócia. A passagem era bastante apertada, fazendo um funil natural na parte mais pequena. Do ponto de vista estratégico era o melhor sitio para parar aquele exército.

O primeiro dia de batalha começou com uma barragem de flechas persas, disparadas de 5 mil arqueiros, aparadas pelos escudos e elmos de bronze dos espartanos, provocando apenas alguns cortes nos gregos. De seguida Xerxes, o rei persa, enviou 10 mil Medas e 10 mil Císsios. Numa tentativa de usar o menor número de homens possível, os espartanos lutaram na Muralha Fócia, o que fez com que os persas lançassem um ataque frontal em vagas de 10 mil homens. Segundo Heródoto, os espartanos lutavam ombro a ombro (crê-se que seja uma referencia à falange grega) e Ctésias diz que as primeiras vagas foram “cortadas às fatias”, deixando apenas 2 ou 3 espartanos mortos. Ainda no mesmo dia, Xerxes ordenou o avanço dos Imortais, a unidade de elite do exército persa, contra os espartanos. Os espartanos fingiram retirar e, quando os Imortais os perseguiram, foram chacinados.

No segundo dia Xerxes, achando que os seus adversários, sendo em tão pouco número, estavam incapacitados pelas feridas e sem capacidade de resistir. Estava enganado. Os persas continuaram a ser rechaçados sem se notar perda de vigor nos espartanos. Diz-se que Xerxes parou o assalto, ordenou a retirada do seu exército, totalmente perplexo com os espartanos. Durante a noite, enquanto os persas debatiam o que fazer no dia seguinte, surgiu Efialtes, o traidor grego que, motivado pelo desejo de recompensa, indicou aos persas o caminho de montanha que circundava a passagem de Termópilas. Heródoto diz que o general persa Hidarnes recebeu o controlo dos Imortais e preparou-se para lançar o ataque, cercando o exército grego.

O terceiro e último dia de batalha começou com uma retirada da maioria das forças gregas. Os relatos deste dia divergem. Alguns dizem que foi uma retirada, outros que foi uma deserção e outros ainda que o próprio Leónidas mandou os soldados embora. O que é certo, tendo em conta que esta batalha se deu há quase 2500 anos, é que Leónidas ficou a enfrentar o exército persa com uma força reduzida. Os persas lançaram um ataque em duas frentes, uma pela retaguarda da posição grega e outra pela vanguarda. Os espartanos avançaram para uma zona mais larga da passagem na esperança de conseguirem matar tantos persas quanto lhes fosse possível. Lutaram primeiro com lanças e escudos e, quando todas as lanças estavam partidas, passaram para as espadas. Porém, a força persa, composta por infantaria ligeira e cavalaria, não era passível de ser parada e os 300 espartanos foram massacrados, não sem antes matar dois irmãos de Xerxes. Leónidas terá tombado cravado por flechas. Os restantes terão encontrado a morte às mãos das flechas, espadas, ou lanças persas. Diz-se que Leónidas pressentido que a morte se aproximava terá dito aos homens que comessem bem, pois nessa noite jantariam no Hades.

Termópilas ficará sempre na história como a batalha onde a coragem se sobrepôs aos números, onde os poucos foram maiores que os muitos, onde os homens se tornaram deuses. Na história, ficará também para sempre a resposta de Leónidas a Xerxes, quando este se ofereceu para poupar os espartanos na condição de estes deporem as armas: “Venham busca-las”.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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