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Orgulho em ser português.

Um pouco na continuação do que escrevi na semana passada… esta semana também me enchi de orgulho, ao ouvir as conversas dos outros.

O cenário era o de uma paragem de autocarro, num dia de calor e de espera… demorada. As conversas, que são como as cerejas, e as palavras, levadas pelo vento, vão chegando a todos os ouvidos da fila. Entre estrangeiros que esperam ansiosamente extasiados pela Lisboa em obras e de preços cada vez mais caros, os portugueses queixam-se do atraso do transporte e dizem mal do governo. E queixam-se que sempre foi assim. Queixa-se em particular um indivíduo desta lassidão, desta falta de reacção que leva já muitos séculos. “(…) E nós os portugueses, um povo de valor, com tantos feitos além dos descobrimentos, continuamos exactamente na mesma: a votar nestes ladrões” – diz um africano bem escuro, a um indiano.

Para as pessoas da minha geração os pretos eram algo difuso. Não havia muitos meninos pretos na escola. A figura do preto era um pouco como a do polícia: servia para meter medo às crianças que não comiam a sopa. Hoje, apesar de poder haver uma grande desigualdade de oportunidades entre certos grupos da população e esse ser um factor de divisão, promotor de algum racismo ou instabilidade social, é muito reconfortante testemunhar o sentido de pertença deste português africano, um preto com uma pele bem escura, que gosta tanto do nosso país como eu.

05_06

 

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Ricardo Jorge

Lisboa, 1978. Licenciado e mestre em Arquitectura pela Universidade de Lisboa, estudou também Design e Ensino das Artes. Paralelamente a estas áreas desenvolve trabalho em Ilustração e Desenho com exposições regulares em Portugal.

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