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Optar por não escolher é, ainda assim, escolher

Um homem, do qual visualizamos apenas as costas, observa seis portas fechadas exactamente iguais que se encontram perante si e questiona-se qual das portas deverá abrir. Uma jovem que caminha com uma mochila às costas depara-se com um entroncamento e reflecte sobre qual o melhor caminho a seguir. O nosso melhor amigo tem as duas mãos fechadas perante nós e espera que lhe digamos qual deverá abrir, de modo a mostrar-nos o que esta contém no interior da palma. São estas as imagens que normalmente ilustram uma tomada de decisão. Por qual das portas vou entrar? Por que caminho devo seguir? Qual das mãos terá o melhor presente escondido? Se no caso dos dois últimos exemplos temos apenas duas opções, o primeiro poderá revelar-se mais difícil.

A vida faz-se de escolhas diárias, estejamos nós perfeitamente conscientes disso ou não. Optar por não escolher é, ainda assim, escolher. Senão vejamos: optar por não responder a um e-mail que nos pede uma resposta até determinado dia é o mesmo que responder que não estamos interessados. Adiar a decisão sobre a empresa na qual eu quero trabalhar é optar por ficar sem trabalho durante mais tempo. Recusar planear o jantar é, em última análise, optar por comer o que há no frigorífico.

Quando transitei para o ensino secundário optei por estudar Humanidades. Aos 18 anos, decidi viver noutra cidade. Mais tarde, decidi prosseguir os meus estudos para o Mestrado em Jornalismo e Comunicação. Há um ano decidi viver noutro país, onde fui voluntária durante onze meses. Estas foram algumas das decisões que eu acredito que tiveram mais influência na pessoa que eu me tornei e que poderão ter mais preponderância no traçar do meu futuro. Todas elas tiveram consequências positivas e negativas, sendo que as consequências negativas me serviram de lições de vida. A verdade é que optar por um caminho é rejeitar outro – não há meio termo.

Ao longo do último ano, que vivi em Bordéus, muitas foram as vezes em que a temática das relações amorosas era tema de conversa. Os solteiros gozam de uma maior liberdade para conhecer novas pessoas, ter aventuras de uma noite e não ter de dar satisfações a ninguém sobre o seu paradeiro. Os comprometidos têm a certeza de ter alguém que os ama, com quem têm uma grande cumplicidade e com quem podem planear um futuro a dois. Se os primeiros clamam muitas vezes por alguma rotina, os segundos almejam a liberdade de outrora. Não há, na maioria das situações, uma terceira solução que nos permita viver o melhor dos dois mundos.

Durante o tempo em que estive em Bordéus questionei-me várias vezes se teria feito a decisão mais acertada ao mudar-me para outro país. O tempo em que vivi em França deu-me a oportunidade de fazer novos amigos, conhecer outras culturas, aprender outra língua e viajar. Ao optar por continuar a trabalhar em Portugal, provavelmente teria mais experiência laboral, mais dinheiro e estaria mais próxima dos meus familiares e amigos. No final do dia, estou feliz com a opção que fiz. Foi uma decisão ponderada, que ia ao encontro do meu desejo de ter uma experiência noutro país enquanto fazia algo que acredito que pode fazer a diferença na vida de outras pessoas. Não tenho dúvidas que estes onze meses contribuíram em muito para o meu desenvolvimento pessoal. Outros pensarão de forma diferente e é essa a beleza da vida, saibamo-nos respeitar.

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Carla Sofia Maia

Olá! O meu nome é Carla, tenho 27 anos e nasci em Vila do Conde, uma pequena cidade no Norte de Portugal. Talvez por ter crescido numa cidade pequena, desde cedo tive o sonho de viajar pelo Mundo e conhecer outras pessoas e culturas. Aos 18 anos, mudei-me para Coimbra onde estudei Jornalismo e Comunicação. Ao longo dos meus estudos, tive a oportunidade de conhecer pessoas de todas as partes do Mundo, o que reforçou a minha vontade de ter uma experiência além-fronteiras. Foi em 2017 que conheci o Serviço Voluntário Europeu e tive a certeza de que era algo que fazia todo o sentido na minha vida: fazer voluntariado noutro país, tendo a oportunidade de aprender outra língua era algo que eu desejava. Actualmente estou a viver em Bordeaux, onde sou voluntária de uma instituição europeia e posso dizer que estou muito feliz por ter sido aceite neste projecto, em que sou embaixadora dos valores europeus. Escrever é uma paixão que vi reforçada com esta nova experiência, em que há tanto para contar. Boas leituras!

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