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O tabu da esterilização

Este tema foi proposto por um leitor. Desafio aceite! A esterilização ainda é um assunto tabu na nossa sociedade, especialmente, nos meios mais rurais, onde é encarada como desnecessária e até um atentado à vida do animal. Existe falta de informação. Felizmente, a proliferação de associações protectoras de animais e o aumento de clinicas veterinárias no país tem ajudado a amolecer as populações nesse sentido.

Porque é tão importante? Já deves ter reparado que, na tua rua, na tua aldeia, vila, ou cidade, existem colónias de animais famintos, que vagueiam entre os caixotes de lixo à procura de restos de comida. É tão natural a sua existência, que são encaradas por todos nós, com indiferença. A esterilização é a única forma eficaz, conhecida, de combater a magnitude deste problema. Para teres ideia, segundo a Sociedade Mundial para a Protecção de Animais (WSPA), uma cadela que viva seis anos poderá ter seis mil descendentes, enquanto que uma gata pode chegar às duas mil crias.

Portanto, este drama não se resolve com campanhas de adopção. Há mais animais domésticos do que famílias dispostas a acolhê-los, toda a gente sabe disso, ou seja, a criação de mais associações não corta o mal pela raiz. Muito menos são solução os canis municipais, que todos os anos exterminam milhares de animais em Portugal, aumentando ainda mais o sofrimento destes seres. Educar as pessoas para a importância de os animais de companhia não se reproduzirem é definitivamente o caminho a seguir.

Se estás preocupado, porque pensas que é um método prejudicial para o teu amigo de quatro patas, tira já essa ideia da cabeça. É óbvio que a castração é sempre um processo cirúrgico, que implica alguns riscos, mas com os avanços da medicina o risco é já praticamente nulo. No final, o patudo até te agradece. A esterilização, além de combater o sofrimento associado à superpopulação de cães e gatos, aumenta a esperança de vida, elimina, ou reduz os comportamentos verificados em épocas de cio nas fémeas, bem como à marcação de território nos machos, que em muitos casos resultam em lutas ferozes entre eles, provocando infecções gravíssimas nos animais e até às suas próprias mortes. Há quem ainda assim prefira as pílulas, ou as injecções. Esquece! Está clinicamente provado a ligação destes métodos contraceptivos a infecções uterinas purulentas e tumores mamários malignos, para além de que, a longo prazo, fica bem mais dispendioso.

Educar, educar e educar. É a educação que nos transforma em melhores pessoas, numa melhor sociedade. Não faz sentido nenhum querer ser feliz e ao mesmo tempo ignorar a colónia de gatos e/ou de cães localizada ao fundo da rua. Nós somos os responsáveis. Ao longo de milhares de anos, os cães e os gatos foram domesticados pelo Homem, o que os tornou dependentes de nós para sobreviverem. O ponto final deste drama está nas nossas mãos. Evitando, por um lado, a reprodução dos nossos próprios animais e, por outro, educando colegas, amigos, familiares e vizinhos, para a importância da esterilização.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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1 thought on “O tabu da esterilização”

  1. Obrigado por este alerta sobre a esterilização Diana porque vai esclarecer muitos donos de animais. Ainda não esterilizei a minha cadela de 2 anos, em parte por motivos financeiros pois é um procedimento dispendioso, mas é algo que pretendo fazer. Muitos amigos meus estão contra esta minha decisão, pois acham que estou a mutilá-la e a contrariar a natureza animal, e que ela irá engordar muito, mas os benefícios desta operação são mais que muitos.

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