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Ciências e TecnologiaSaúde

O Stress na Aprendizagem

Stress­­­­­. A tão conhecida palavra que assumiu um compromisso de presença constante na sociedade atual e que se encontra consolidada na vida das pessoas de modo tão prejudicial e contraproducente. A palavra que traduz a tensão espalhada na identidade de cada um e que lesiona física e psicologicamente o ser humano do século XXI, ampliando vulnerabilidades e perturbações, potencializando vícios e doenças.

Contudo, atenção! Devemos ter consciência que o stress não deve ser encarado como uma existência ímpia e anormal que se manifestou para nos consumir. O stress é, na verdade, algo que faz parte de nós e da nossa realidade desde sempre. É uma resposta. Um retorno fisiológico e comportamental universal e natural que decorre perante uma situação presente ou futura que o Homem encara. É nas situações de perigo real que o stress abastece o nosso corpo de hormonas imprescindíveis e o prepara com todas as defesas, manifestando-se assim um processo automático de “luta ou fuga” fundamental em muitos acontecimentos da nossa vida.

Até aqui o stress revela-se como positivo. A adversidade acontece, quando ele se torna negativo. Vivendo num corpo social atropelado, abafado e angustiante, as pessoas começam a entrar num ciclo de energias demasiado pesadas e de pensamentos derrotistas, desequilibrando o nosso alarme interno que encara agora qualquer cenário imaginado e improvável num sobressalto emocional desgastante reproduzido por uma manifestação hormonal desnecessária e desordenada, gerando-se assim ansiedades e alterações de humor que não deixam o ser humano se comunicar espontaneamente com o presente e degradando a qualidade de vida de qualquer um.

O stress encontra-se em diversos aspetos da vida de um indivíduo, como a carreira profissional, a situação económica ou o difícil governo familiar. No entanto, falemos de um quadro em que o stress também se manifesta, e que, a meu ver, e não compreendendo, é menosprezado: o stress académico. Será que por estarem na flor da idade e terem uma vida “a carregar livros”, os jovens não se encontram em tensão intensa e constante? Negativo.

Os estudantes são frequentemente inquietados psicologicamente pela responsabilidade que têm em mãos em relação ao seu futuro, enquanto combatem enigmas da inevitável aprendizagem pessoal. Os estudantes são obrigados a tomar decisões quando ainda nem sequer conhecem a sua verdadeira natureza ao mesmo tempo que cumprem regras e horários diariamente e se esforçam para cumprir prazos apertados e evitar penalizações. São submetidos à absorção diária de conhecimentos e temas de todos os géneros e avaliados a cada teste, exame, laboração, participação e comportamento, mesmo abordando temas que não interessam ou agradam. Remetem-se a trabalhar tanto com colegas como professores com quem muitas vezes não se identificam enquanto se desassossegam com propinas e bolsas. E, para não me alongar, eles vêm as circunstâncias da vida comprometidas por uma décima, tendo o peso das decisões do seu presente acomodados ao seu futuro incerto.

Posto isto, obviamente a vida académica obriga todos os que dela participam a enfrentar contextos semeados de stress, principalmente quando se encontram numa sociedade em que estatutos e renumerações são tão diferenciados e entram em conflito com talentos e gostos pessoais, onde ofertas de emprego são tão escassas e limitadas e onde falhas de percurso são tão opressivas. A luta por “um lugar ao sol”, principalmente neste país ainda desfigurado pela crise, subordina aqueles que estudam a uma competição que causa frustrações e apertos, num enredo tão tramado que os podem até levar a esgotamentos ou depressões, degradando-se assim ironicamente os pilares que constituem o futuro, progresso e evolução.

Não façamos vénia nipónica ao stress negativo imposta pela formatação social nem aceitemos ser infelizes pelas contrariedades que existem na educação nacional. Conheçam os vossos interiores e identifiquem a origem dos vossos stresses para tomá-los em vossas mãos, partilhem o que sentem com os que vos são próximos e não guardem todo o peso para uma pessoa só, aprendam a dizer não para não irem contra a vossa natureza e sabotá-la, cuidem de vocês e do vosso corpo que é a casa da vossa mente, escolham posturas otimistas para contrariar tendências negativas e tenham a certeza que relaxar também é bom e faz parte. Não queiram ser “melhores que o outro”, mas, sim, “ser melhores”. Comparações vazias não vão trazer realidades preenchidas.

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