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Ciências e TecnologiaSaúde

Os sobreviventes

A vida é um bem maior, mas não é infinita. Nascer, crescer e morrer é a sequência natural. A morte será o final. O ser humano é formado por células e por tecidos que se agrupam formando unidades maiores. São os órgãos que pertencem aos vários sistemas fazendo com que o corpo funcione. É uma máquina quase perfeita, mas não totalmente, porque o corpo se pode avariar e ficar doente. É suposto haver tratamento para todas as doenças, mas algumas tornam-se mais resistentes e parece que ganham vida própria com tendência para ficar.

O cancro está inserido nesta categoria. Ganha uma espécie de vida própria e toma conta do corpo onde se instala. É um parasita. Tudo faz para ser o seu dono e o seu mentor. Do outro lado da barricada, o doente, tem que se sujeitar a inúmeras torturas para conseguir manter a sua qualidade de vida. É a luta pela sobrevivência contra um inimigo desigual e potente. Um percurso que se quer positivo e apaziguador.

Há cada vez mais sobreviventes desta doença. Felizmente. São cerca de 350 a 400 mil que conseguem dizer que a controlaram, que lhe conseguiram fazer frente e que têm uma nova vida pela frente. Estima-se que uma média de 20 mil pessoas por ano seja sujeita a todo o tipo de tratamentos e que consiga resistir-lhe, mesmo que a nova vida que se lhes afigura possa ser estranha. O que pode acontecer a quem regressa dum mundo estranho e assustador?

A lei portuguesa não prevê que estas pessoas regressem aos seus empregos, à sua anterior situação profissional. Regra geral a situação de doença prolonga-se por um período de 3 anos e esses lugares não ficam à espera de quem pode não regressar. No entanto, os que voltam estão diferentes, sofreram uma incapacidade e poderão não conseguir desempenhar as tarefas que habitualmente praticavam. É compreensível para o trabalhador, mas não para a entidade empregadora.

O que acontece, quando regressam às suas rotinas profissionais? Estas pessoas já não são as mesmas e as suas capacidades podem ter sido alteradas. É muito importante que exista sensibilização no sentido de entender que deve haver uma nova ordem, uma requalificação, porque, apesar de tudo, é um profissional que retoma as suas actividades habituais.

O que se está a verificar é que são cada vez mais jovens as pessoas que sofrem desta doença maldita. No caso das mulheres, ainda tem outro tipo de implicações, levando-as, a maior parte das vezes, a uma menopausa precoce, impossibilitando a realização de sonhos vulgares como a procriação. A vida segue, mas não é a que se conhecia. Tem que se aprender a viver com desafios novos e fortes. Sobretudo, a nível psicológico.

No entanto, ainda existe o outro lado da questão, o que se relaciona com a segurança final, com a chamada reforma, o valor pecuniário com que a pessoa pode contar para continuar a sua vida, após a cessação da actividade profissional. Nesse sentido, foi elaborada uma petição com o nome de “A favor do justo tempo de serviço do sobrevivente oncológico” que irá a audição, na Assembleia da República no próximo dia 31 de Janeiro, pelas 14 horas.

Esta, que pode ser consultada e assinada, solicita que seja concedida a todo o sobrevivente oncológico, que tenha sido submetido a tratamentos, de qualquer tipo, a possibilidade de se reformar com 30 anos de serviço ou 60 de idade, sem penalização bem como uma redução do tempo de serviço para 30 horas semanais, no máximo, sem qualquer penalização no salário, ficando a cargo do Estado a diferença que receberá.

Como se sabe as regras são todas alteradas não só em temos de trabalho como igualmente no que concerne à vida geral: empréstimos bancários e seguros são revistos e o seu resultado pode não ser o que se deseja. É mais uma etapa que se afigura gigantesca e melindrosa. Quando mais se tem necessidade de firmeza o que se verifica é que ela foge e o chão tende a desaparecer. Não está certo.

Esta petição, que foi elaborada ao pormenor por quem teve que enfrentar uma situação de doença de foro oncológico tem o apoio de várias organizações tais como a Pulmonale, a Asadocoral, a Europacolon e a AMPM – Associação de Mulheres com Patologia Mamária e ainda vários médicos especialistas. Esta é somente uma audição, mas tudo depende da sua defesa. Ninguém sabe o que a vida lhe pode reservar por isso deve pensar em termos colectivos.

Neste contexto, apela-se a todos no sentido da sua participação cívica para que leis que se encontram desactualizadas e obsoletas, possam ser revistas e elaboradas de acordo com os novos contextos e necessidades. Os Projectos-Lei, a anteceder das leis, é um processo onde o cidadão comum, o vulgar eleitor, tem uma palavra muito importante a dizer. Façamos ouvir a nossa voz e unamos esforços para que o objectivo seja atingido.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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