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O shooting brake da Ferrari

Quando a Ferrari anunciou o sucessor do 612 Scaglietti, os entusiastas de todo o mundo ficaram apreensivos. Suceder a um dos melhores e mais belos Ferrari de todos os tempos não era tarefa fácil. Quem esperava um coupé com tração traseira teve uma bela surpresa. O FF é um Ferrari como nenhum outro. A sua carroceria em estilo shooting brake é um corte com a tradição, tal como é o facto de ter tração às quatro rodas.

No entanto, comecemos com um bocadinho de história para apresentar a carroceria. As shooting brakes eram carroças, de bois ou cavalos, que eram usadas nas grandes propriedades para transportar caçadores, armas e animais entre a casa e os terrenos de caça. Com o passar dos anos, foram-se tornando cada vez mais obsoletas e caíram em desuso. Até terem sido apanhadas pelos grandes carroçadores e algumas marcas, que pegaram em coupés e transformaram-nos em carrinhas de duas portas. E é isto que o FF é – o primeiro shooting brake oficial da Ferrari.

Apesar de, aquando da sua apresentação, no Salão de Genebra de 2011, ter sido criticado pelo seu design estranho, hoje em dia é dos Ferrari mais bem aceites da gama. O interior segue as linhas mestras da Ferrari. Cabedal em abundância, fibra de carbono e alcântara, em opção claro. Quebrando a linha dos coupés da Ferrari, o FF apresenta uma mala decente (450l) e quatro verdadeiros lugares. E se por ventura quisermos atestar a despensa para o mês inteiro, basta só baixar os bancos traseiros e as compras já cabem. E quem diz compras, diz malas de viagem, os skis da neve, etc. No fundo, o FF é um dos primeiros Ferrari com o qual se pode viver diariamente.

Porém, o que interessa num Ferrari não é o interior, mas sim o que está debaixo do capot. E debaixo do de todos os FF está um V12 de 6.3 litros (o mesmo que encontramos por exemplo, no F12 tdf, ou no LaFerrari) com 660 irrequietos cavalos. No entanto, a grande inovação não é o motor, mas sim o sistema de tração às 4 rodas que o FF apresenta. Os sistemas de tração às 4 rodas tradicionais implicam o uso de uma caixa de transmissão montada no eixo de tração, que transmite alguma da potencia para o eixo da frente. O sistema da Ferrari é inovador, pois não usa a caixa de transmissão. Ao invés, tem duas caixas de velocidades. A caixa principal, automática de 7 velocidades, montada imediatamente a seguir ao motor, transmite a potência para as rodas traseiras, enquanto a segunda caixa, com apenas duas velocidades e sem possibilidade de controlo, transmite a potência para as rodas frontais, indo buscar a sua força directamente à cambota. E agora vem a parte engraçada da questão. Este sistema só funciona, quando o manettinno está nas posições de conforto, ou neve e só funciona até se engrenar a 5ª velocidade (as relações da caixa frontal estão mais ou menos alinhadas com a 1ª e 3ª relação da caixa traseira) e tem a vantagem de ser 50% mais leve que os sistemas de tracção às 4 rodas tradicionais.

Como em qualquer outro Ferrari, não é só o motor que conta, é também a performance. E o FF não desaponta, cumprindo os 1-100 km/h nuns curtos 3.7 segundos e, havendo estrada e mãos, suficientes irá ultrapassar os 330 km/h. Num carro que leva quatro pessoas em algum conforto.

Então, recapitulemos: é melhor que os antecessores, tem mala, tem um sistema de tração às 4 rodas inovador e pode-se usar todos os dias. A única pergunta que se impõe é – Porque é que ainda não está a correr para o stand para comprar um? Talvez, porque em Portugal custe um bocadinho mais de 330 mil euros.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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