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CinemaCultura

O Rolar dos Dados: Quem vai vencer os Óscares 2015?

Num ano marcado por alguns dos que serão os melhores filmes da década (e uns quantos outros com quem o tempo não será tão bondoso), chegamos finalmente ao final da época de prémios, fechada com a entrega dos Óscares às obras que se destacaram em 2014. Mesmo que algumas categorias pareçam já fechadas, existe sempre espaço para surpresas na maior noite do ano em Hollywood. Na verdade, as surpresas começaram cedo, com o anúncio das nomeações (a escolha de Marion Cotillard e Laura Derne, a falta de nomeações para vários filmes, como Nightcrawler, Gone Girl e Selma e a inesperada inclusão de American Sniper, em diversas categorias) fazendo com que esta edição se torne bastante invulgar. Esquecendo os filmes não nomeados, estas são as previsões dos Repórteres Sombra para a 87ª edição dos Prémios da Academia.

Óscar de Melhor Filme

Célia Paula: “Este ano divido-me entre três filmes para vencedores do Óscar de Melhor Filme. São eles: Boyhood, a narrativa não trás nada de novo, mas seguir aquelas personagens, durante 12 anos, é impressionante; Birdman, que apresenta-nos uma história com um argumento bastante original e que ninguém deve ficar indiferente; e Grand Budapest Hotel, por ser um daqueles filmes que eu acho simples, mas eficaz. Estou mesmo indecisa este ano, mas pode haver surpresas. Quanto ao filme Imitation Game é bastante interessante e eu gostei imenso, já Sniper Americano não traz nada de novo.”

André Ferreira: “Ainda que esta não seja uma categoria fechada (Birdman ainda nos pode surpreender), Boyhood é o favorito e é-o por mérito próprio. Este filme, no seu todo, é sem dúvida um dos melhores do ano, retratando a vida como ela é, sem artifícios e enredos demasiado complicados.”

Hugo Gomes: “Apesar de inclinar-me para Birdman como o melhor da selecção, Boyhood é o favorito desde que as associações de críticos começaram a elege-lo como o melhor do ano. O hype e a aclamação geral é um dos factores que o poderá conduzir à estatueta e mais: sabendo o processo fílmico da produção (falo obviamente de uma rodagem de 12 anos), visto que a Academia procura encontrar obras que realmente perduram, assim criando um selo de credibilidade. Porém, existe outro eventual vencedor que poderá afirmar a posição dos EUA no resto do Mundo, refiro a American Sniper, o seu êxito e hype fazem com que o filme ganhe terreno na corrida à estatueta, já que estamos a falar do verdadeiro espírito americano e verdade seja dita, os conservadores votantes da Academia sempre premiaram esse conceito.”

Óscar de Melhor Realizador

Célia Paula:“Na minha opinião,quem deveria levar o Óscar de Melhor Realizador para casa era Richard Linklater (Boyhood),por causa da sua persistência em seguir uma ideia e da forma como conseguiu fazer um filme, durante 12 anos, com os mesmos actores. É uma ideia inovadora que vai deixar marcas. Como é que ainda ninguém tinha pensado nisto? Alejandro G. Iñárritu é uma surpresa positiva, tal como Wes Anderson. Ambos com fortes probabilidades.”

André Ferreira: “Ao filmar Boyhood durante 12 anos, Richard Linklater acaba por não só fazer um magnífico filme, mas também uma experiência cinematográfica ímpar no seu estilo. Ainda que a sua realização seja simples e pouco arrojada, Linklater é capaz de indicar a direcção correcta que os seus actores devem tomar, dando-lhes todo o espaço que precisam.”

Hugo Gomes: “Richard Linklater é o potencial vencedor da categoria, a Academia poderá premiar o trabalho do cineasta independente, através do hype envolvente de Boyhood, e não só a sua dedicação numa rodagem de 12 anos. Dificilmente Alejandro G. Iñarritu e Wes Anderson terão as suas hipóteses.”

Óscar de Melhor Actor Principal

Célia Paula:“Quanto ao Óscar de Melhor Actor Principal, a minha opinião recaí sobre Michael Keaton (Birdman), mas gostava que ganhasse EddieRedwayne. O seu desempenho no filme Theory of Everything é fenomenal e foi, provavelmente, um dos papéis da sua vida. Steve Carell em Foxcatcher está totalmente irreconhecível e, como sempre nos habituou a filmes de comédia, fiquei muito surpreendida com esta nomeação. Não sei é como não nomearam Ralph Fiennes pelo filme Gran Budapest Hotel, mas compreendo que este ano era difícil fazer uma escolha, com as brilhantes interpretações masculinas que existiram. Adoro Benedict Cumberbatch (Imitation Game), mas penso que ainda não é este ano que vai ganhar. Já não deve faltar muito para isso.”

André Ferreira: “De todas, esta será a categoria mais difícil de decifrar. Num grupo repleto de boas actuações, não sendo nenhuma memorável, Michael Keaton apresenta-se um passo à frente, pelo seu papel em que levanta um pouco o véu de Hollywood. Não querendo menosprezar o bom trabalho do actor, que tem uma óptima prestação, Keaton não tem o prémio assegurado.”

Hugo Gomes: “A disputa será entre Eddie Redwayne e Michael Keaton, mas acredito que será Keaton o consagrado. O seu desempenho é menos caracterizado e maneirista do que o de Redwayne e a vertente de Birdman ser uma obra pseudo-biográfica torna a sua prestação mais pessoal. Contudo, não devemos menosprezar Redwayne, porque a Academia adora transformações e mais que isso, sangue novo. A grande “surpresa” poderá ser Bradley Cooper em American Sniper, por questões mais patrióticas e de consenso com o público norte-americano.”

Óscar de Melhor Actriz Principal

Célia Paula: “Para o Óscar de Melhor Actriz Principal, acredito que quem vai vencer será Julianne Moore, pela sua interpretação no filme Still Alice. Não é um papel fácil este que acompanha a vida de uma mulher que foi diagnosticada com Alzheimer precoce. Fiquei também feliz com a nomeação da RosamundPike pelo seu Gone Girl e por ReeseWhiterspoon em Wild, já que ambassão verdadeiras estrelas nos seusrespectivos filmes. Apesar de adorar a atriz MarionCotillard, não acredito que este papel em TwoDays, OneNight lhe valha o Oscar.”

André Ferreira: “Julianne Moore é frequente e injustamente ignorada pelo público e até mesmo pela academia. No entanto, este ano é impossível passar por cima do magnífico trabalho da actrizemStill Alice. Uma história comovente (e assustadora) sobre uma linguista a quem é diagnosticado Alzheimer, que Moore mantém num equilíbrio perfeito, para que não caia no lugar-comum habitual do tema.”

Hugo Gomes: “Julianne Moore é a predilecta na corrida, para dizer a verdade já estava na hora de reconhecer o seu talento. Apesar de opinar que a actriz merecia a estatueta já há algum tempo. Não vejo outra nomeada capaz de fazer frente à ‘Alice’.”

Óscar de Melhor Actor Secundário

Célia Paula: “J.K. Simmons (Whiplash) é a minha primeira escolha para o Óscar de Melhor Actor Secundário, mas talvez Edward Norton (Birdman) consiga ganhar. Mark Ruffalo não acredito muito que consiga o prémio com Foxcatcher, porque estava muito na “sombra” do actor Steve Carell. Ethan Hawke participou em Boyhood, mas não foi com uma personagem de relevo e a sua interpretação não me impressionou muito. O mesmo se aplica a Robert Duvall com o filme O Juiz e admito que fiquei admirada com esta nomeação. Gostava também que o filme Grand Budapeste Hotel tivesse tido nomeações nesta categoria.”

André Ferreira: “Num filme pautado por um ritmo intenso, J. K. Simon(Whiplash) é capaz de transformar a sua agressividade intrínseca, aumentada pela sua personagem, num instrumento que acompanha a bateria de Miles Teller. Para além disso, Simon é capaz de criar um anti-herói que em momento nenhum se torna hostil para o espectador, mesmo quando estão cadeiras a voar pelo ar.”

Hugo Gomes: “Inevitavelmente J.K. Simmons em Whiplash! É o grande favorito e pessoalmente é uma das interpretações mais explosivas do ano. Todavia, é sempre agradável ver o regresso de Edward Norton aos grandes desempenhos.”

Óscar de Melhor Actriz Secundária

Célia Paula: “Na minha opinião, Meryl Streep (IntotheWoods) tem uma forte probabilidade de ganhar o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Está visto que esta mulher pode mesmo interpretar qualquer coisa. No entanto, Patricia Arquette vai ser uma óptima rival, pelo seu papel em Boyhood. Adoro a actriz Keira Knightley (Imitation Game) e gostava que ganhasse o prémio, mas não me parece que é desta. Já Emma Stone e Laura Dern foi exagero a sua nomeação, mas gosto muito das atrizes.”

André Ferreira: “Mesmo sendo imprudente dizê-lo, Patricia Arquette tem a melhor actuação do ano, independentemente da categoria considerada. Com um trabalho irrepreensível, durante todo o filme, Arquette evidencia-se em cada cena, mostrando o seu talento natural. Posto isto, não haverá grande margem para dúvida sobre quem levará o Óscar para casa.”

Hugo Gomes: “Patricia Arquette na sua prestação em Boyhood tem sido apontada como a grande favorita e provavelmente a sua ausência na indústria cinematográfica deveu-se à sua dedicação neste megalómano projecto. Enquanto isso, a nomeação de Emma Stone foi uma das surpresas.”

Óscar de Melhor Filme de Animação

Célia Paula: “Acredito que quem vai sair recompensado com o Óscar de Melhor Filme de Animação será o How to Train Your Dragon 2, que, apesar de ser uma sequela, equivale a nível de qualidade com o primeiro. A Disney também esteve muito bem com o seu Big Hero 6 e este talvez seja o filme que mais luta vai dar. Tive pena que o filme Lego não fosse nomeado.”

André Ferreira: “Esta categoria tem de começar sempre com uma pergunta: como é que o Lego: The Movie não está nomeado? Tirando isso (e o facto de que SongoftheSea ser o nomeado a merecê-lo), How to TrainYourDragon 2 deverá levar o Óscar de Melhor Filme de Animação, seja devido à sua qualidade técnica, seja pelo seu esperado sucesso.”

Hugo Gomes: “Apesar de inclinar-me na escolha de How to Train Your Dragon 2 como o eventual vencedor e, verdade seja dita, é um filme maduro e de um visual exuberante, viria com bom agrado a entrega da estatueta a The Boxtrolls. Seria a compensação a um processo produtivo demoroso e de uma crescente onda de criatividade nesse ramo. Um Óscar a um filme de stop-motion incentivaria o seu crescimento e a Laika Films tem crescido de forma exemplar nos últimos anos. Porém, devo dizer que não partilho o desapontamento do snub de The Lego Movie. É um filme divertido e complexo, mas não deve ser considerado de todo uma animação.”

As restantes Categorias

Célia Paula: “Nas categorias mais técnicas, como o Óscar de Melhor Fotografia, deverá pertencer ao filme Grand Budapest Hotel, por causa da vivacidade das cores utilizada nos cenários. Quanto ao Óscar para Melhor Montagem,Boyhood deverá ser o vencedor, porque soube demonstrar a sua capacidade de condensar 12 anos num só filme. Falando agora de Música, o filme Insterstellar,deverá ganhar no Som, já que aquele ambiente do espaço não é fácil.”

André Ferreira: “Sendo um dos filmes mais nomeados (a par de Birdman), The Great Budapest Hotel deverá ganhar algumas das categorias técnicas para que está nomeado, não vencendo nas (poucas) categorias principais em que está nomeado. Ida deverá ganhar o Óscar para Melhor Filme de Língua Estrangeira (ainda que Leviathan pudesse ser uma escolha mais interessante) e o melhor documentário será, merecidamente, Citizenfour, que retrata o caso de Edward Snowden. Como última nota, fica a referência da falta de Selma nas várias nomeações, principalmente da realizadora do filme.”

Hugo Gomes: “A consagração de Ida, de Pawel Pawlikowski, no prémio de Melhor Filme de Lingua Estrangeira, como também agradaria vê-lo a ser premiado com a estatueta de Melhor Fotografia. Dawn of the Planet of the Apes no ramo dos efeitos visuais e umas quantas categorias técnicas a The Grand Budapest Hotel. Citizenfour, de Laura Poitras, será o derradeiro desafio para a Academia, apesar de ser o favorito, é um filme que nos remete um “traidor” norte-americano, o qual não é visto com bons olhos pelos mais conservadores, muito menos pelo ávido público de American Sniper. O “snub” de Life Itself, o documentário sobre a vida do célebre crítico de cinema Roger Ebert, poderá abrir portas à consagração de Citizenfour. Pessoalmente devo dizer que “agradeci aos céus” pela ausência de Life Itself entre os nomeados.”

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André Ferreira

"Political junkie", europeísta convicto e keynesiano por natureza. Ocupa todo o tempo que consegue com séries, filmes, música, livros, podcasts e qualquer outra fonte de entretenimento que consiga encontrar. Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUL-UL e pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela FCSH-UNL.

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