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O retrato dos refugiados

Fotojornalista nova-iorquino, Brian Sokol, mostra, através de uma série de fotografias, quais são as coisas que têm maior importância para aqueles que têm que deixar a sua casa para sobreviver. “The Most Important Thing” é uma iniciativa realizada com o apoio de ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e que revela alguns rostos de refugiados da Síria, do Sudão e da Malásia.

Foi só há alguns anos que as pessoas tinham a impressão de viver em paz e, apesar desta paz viver no continente europeu, vários países à sua volta não beneficiam do mesmo. As notícias revelam-nos cada vez mais conflitos, guerras, fome, pobreza e mortos. Lutas pelo território ainda acontecem, tal como lutas religiosas, ou entre etnias.

Para muitos, fugir é a melhor solução. Segundo os dados da ONU, em 2013, o número de refugiados ultrapassou os 50 milhões, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Um aumento de seis vezes comparando com o ano de 2012. Brian Sokol, um fotojornalista nova-iorquino, quis dar um rosto a alguns destes refugiados. Segundo o autor das fotografias, o propósito destes trabalhos “é mostrar que milhões de pessoas em situações parecidas no mundo todo não são estatísticas, não são simplesmente ´refugiados´, ou ´outros´, mas são mães e filhas.”.

Através de um conjunto de fotografias que fez de refugiados do Sudão, da Síria e da Malásia, Brian Sokol quis mostrar o que estas pessoas levaram numa viagem para o desconhecido, o que era o mais importante para eles. Nas fotografias, podemos ver objectos tão simples como garrafas para água, ou uma bengala para caminhar. Daí o nome desta série de fotografias: “The Most Important Thing”. “O projecto é uma tentativa de transmitir a humanidade dos indivíduos que foram desumanizados pelas circunstâncias,” disse o fojornalista.

A iniciativa teve início em África e a segunda etapa foi na Síria. Como conta o próprio Brian Sokol, a receptividade dos refugiados quanto ao projecto depende muito da nacionalidade destes. “A receptividade varia muito. No Sudão do Sul, às vezes tinha dificuldade em afastar as pessoas que ficavam a pular em frente à máquina de fotografar. Quase todos com quem conversei estavam entusiasmados para contar as suas histórias. Mas no Médio Oriente a situação era outra. Muitos dos refugiados sírios pediam que as suas identidades fossem ocultadas, com medo de serem reconhecidos.”

Muitos dos refugiados, conta ainda o fotógrafo, tinham que passar despercebidos para poderem fugir sem serem apanhados. Por isso, escolheram objectos que passassem pelos controlos de segurança para não atrapalharem este propósito. Entre estes objectos, era possível ver coisas simples, mas com grande valor sentimental.

Um poste de madeira. Foi essa a escolha de uma rapariga de 22 anos. A razão de escolher este objecto foi para conseguir ajudar os filhos, quando estes não conseguiriam mais andar.

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Shari, de 75 anos, juntamente com o seu filho, Osman, escolheu uma vara. Objeto indispensável desde que perdeu a visão, há cinco anos.

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Magboola, 20 anos, prefere uma panela, pequena para transportar, mas grande o suficiente para alimentar os filhos.

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Ahmed, 10 anos, escolheu o seu animal de estimação – um macaco – como companhia para a viagem que durou cinco dias até ao Sudão do Sul.

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Para Maria, de 10 anos, o objecto mais importante é um recipiente, onde podia levar água.

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Tal como para Torjam, de 85 anos, que levou com ele duas garrafas de plástico. Uma com água, outra com óleo para cozinhar.

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Hasan levou uma carteira, agora vazia, mas com a qual conseguiu alimentar a sua família ao longo dos 25 dias de viagem até à fronteira do Sudão do Sul.

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Porém, houve quem não podia levar nada. É o caso da Taiba, uma jovem de 15 anos, que perdeu o braço esquerdo, não conseguindo levar nada, para além da roupa do corpo.

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O fotojornalista conseguiu fazer da fotografia um contador de histórias, onde um simples olhar, um pequeno objecto, ou acção pode fazer mais do que um relato. Onde só algumas dezenas de fotografias conseguiram descrever a real situação de quem realmente perde tudo com estes conflitos.

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Silvia Burlacu

"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma." Miguel Esteves Cardoso

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