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O que o Ocidente semeia, o Ocidente colhe

Quando queremos abordar um problema, devemos olhar para o dito como um todo e não selecionando as partes que mais nos convêm. Tal aplica-se a qualquer tipo de problema, não obstante a sua complexidade. Esta é, sem dúvida alguma, uma verdade de La Palice. Se houver por aí quem discorde de tal, que se levante e se faça ouvir.

Sendo assim, penso que devemos olhar para o problema das incursões Russas na Zona Económica Exclusiva Portuguesa (ZEE) no seu todo e não somente na parte heroica que a Comunicação Social Portuguesa e não só tem focado para esta questão.

Nem os Russos são os Vilões que espalham o terror no Continente Europeu, nem os Europeus/NATO são os Heróis que combatem o Maquiavélico Bicho Papão do Leste. Tudo isto tem uma razão de ser e não está, de forma alguma, relacionado com um qualquer desejo expansionista do Sr. Putin. Pelo contrário. Tem antes a ver com o desejo expansionista e agreste da Europa Ocidental, mas vamos por partes.

Com a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), caiu também o Pacto de Varsóvia. A Cortina de Ferro deixou de existir. A Democracia passou a ser uma realidade que o Povo Russo nunca tinha experimentado. Tudo apontava para que a Federação Russa se transformasse em mais uma República Ocidental. Só que pelo meio surgiu um enorme “se”.

Esta Democracia à moda do Ocidente elegeu como seu Presidente Boris Yeltsin, indivíduo que mais tarde se revelou “fácil de comprar” com uma simples garrafa de Vodka. Daí ao surgimento de Oligarcas Russos com fortes ligações às Seven Sisters, foi um saltinho de pardal. A Rússia estava à venda e, aos poucos, ia sendo desmantelada. A juntar a este cenário, surgem relatos de países, outrora do Bloco Soviético, que foram “tomados de assalto” pelas Seven Sisters e rapidamente deixaram de ter acesso aos recursos naturais que poderiam fazer deles Países Desenvolvidos e poderosos.

Para além do que foi relatado no parágrafo anterior, após a queda do Império Soviético, o Exército Russo, outrora poderoso e fortemente armado, era motivo de “risota” do mundo inteiro. A prova disto mesmo foi o Tratado que a NATO assinou com a Rússia, em que o Ocidente se comprometia a não aceitar na NATO os países que fizeram parte do Pacto de Varsóvia, Tratado este que foi rapidamente violado pelo Ocidente/NATO (inclusive até se colocou a possibilidade de se colocarem misseis na Polónia apontados a Moscovo).

É neste cenário, onde o Grande Urso (Rússia) se encontrava encostado à parede, que surge Vladimir Putin. Do outro lado da parede, está uma China, com a qual a Rússia compete pele hegemonia na região Asiática, há já muitos séculos. Ora, quando se é encostado à parede, só resta uma saída: seguir em frente. Foi isto que a Federação Russa de Putin fez e tem feito.

As anexações de território da Geórgia, Ucrânia e Moldávia (ainda que na forma de tentada) não são mais que o reflexo das incursões piratas agressivas do Ocidente. O mesmo tipo de lógica se aplica às recentes incursões aéreas e navais de aviões e barcos militares Russos.

Naturalmente que nada disto é bonito de se ver. Isto de contar espingardas nunca levou a lado algum, mas, ao contrário do pensamento arrogante da NATO, a Rússia é ainda uma super-potência e o que o Ocidente semeia, o Ocidente colhe.

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Pedro Silva

“É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida.” (Salvador Dalí)

Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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