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O que nos torna humanos?

Edgar Allan Poe, um famoso escritor americano dizia: “A vida real do ser humano consiste em ser feliz, principalmente por estar sempre na esperança de sê-lo muito em breve.“

O que nos torna humanos não é apenas e só, a condição de diferenciação de raças ou cores, culturas diferenciadas pelas suas crenças, valores ou atitudes. Tanto se chora numa ponta do globo, como alguém se ri em outra. Contrastes diferenciados, que se fundem exatamente naquilo que somos. Somos a personificação e imagem uns dos outros. Somos os telhados de uns e de outros. Somos os espelhos do mundo. Somos a mão que se estende na ajuda pedida, somos os abraços que rejeitam o consolo falseado. Somos os olhos que pernoitam sob o brilho das estrelas. Somos a voz que se ergue nas revoluções a favor da liberdade, e as mesmas que se escondem dos roubos da sociedade.

Estamos confinados às tristezas, aos sorrisos contagiantes, alegrias desconcertantes, sofrimentos desesperantes, egoísmos resultantes de uma imagem, que não se modifica e assim, tantas vezes jaz petrificada, perpetuada e diluída no esquecimento. Estamos confinados ao passado, ao presente e ao futuro.

A humanização que requer a dádiva de amor, como consequência de um diamante bruto por lapidar, a construção das pontes entre uns e outros, que possa ser refletida e remetida numa teia que se possa estender, está e sempre esteve nos dois polos opostos.

De um lado, os que sorriem cegos pelo brilho autónomo e do outro, os que choram em surdina clamando que o sorriso do cego seja o milagre da vida que possa atuar em todos. A desconsideração pela desumanização tantas vezes tida e com certeza consentida, a gula pelo desejo de requerer como propósito de vida almas ávidas de consumo, como produto eterno e consumação de amor, liberdade e tradução de felicidade, é o produto da rosa criada com espinhos e do coração transformado em pedra preciosa de betão.

O que nos faz despir a capa da mudança, que requer perseverança, a benevolência, que requer paciência, o egoísmo, que requer compromisso, o carinho que requer transparência, o coração que requer humildade, a personalidade que requer equilíbrio é o amor tido, consumado, trabalhado no sofrimento e agregado a uma eternização do não esquecimento.

A tradução dos sorrisos que se espalham, das cores que se traduzem em vislumbres de arco iris, retiram das lágrimas a dor da solidão e marcam com eloquência a razão, com que a nobreza do coração permite a comunhão da socialização.

Que nos possamos permitir a ser mais humanos e menos robotizados na dedução de que cada um por si é a meta, é o caminho é a verdade como produto final de garantia de felicidade.

É importante a aprendizagem, o crescimento, o equilíbrio, o desenvolvimento emocional. É importante trabalhar os conceitos maledicentes, refletir sobre a origem da dor. É importante o ato do perdão, o valor da ajuda por nenhum tostão. É importante que a carga emocional, a gerência das dores do coração, não seja consagrada como vingança, o desdém, a descrença, a desordem, a diabolização de perpetuar o mal num humano que carrega no sangue o cognome de irmão.

Que justificação deduzes ter para a consagração da tua humanização? A que humanização nos reportamos? A biológica ou a emocional?  Qual a que requer transformação? A que requer revolução? A que entende ser conduzida, reconhecida, como verdadeiramente humana?

É importante que os sorriso se espalhem, que se acendam as velas da esperança, que se viva rodeado de gente que deseja mudança, que vive pela na acreditação, na validação de uma fé que procure limpar, excluir, desapropriar o terror no olhar, a vida sem liberdade, o coração de betão que requer manutenção.

Que seja cedo demais para chorar…mas que nunca seja tarde demais para sorrir.

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Bruno Fernandes

Nascido a 29 de Dezembro de 1975, natural de Lisboa, Bruno Fernandes, bloggler ativo há já alguns anos, dedica-se essencialmente à luta pela mudança interior e novas formas de entender o ser humano através da sua experiência de vida. Cinéfilo ativo e leitor assíduo.

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