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CulturaLiteratura

O que não é teu não é teu, de Helen Oyeyemi

Este livro de contos de Helen Oyeyemi é tão, tão bom!!

Como a capa anuncia, a chave é um objeto essencial nos contos, em todos. Por vezes, quase parece mais um personagem, em vez de unicamente uma ligação, um simples objeto, um guardador de segredos. E é de segredos e mistérios que o livro é feito.

Adoro contos – e estes em particular são poderosos, mind-blowing, à falta de uma palavra portuguesa. Bem dizem os críticos que o universo de Oyeyemi tem algo único, mágico. A mim soou-me a realismo mágico ou a surrealismo, e feito de uma forma arrepiante.

oquenaoeteunaoeteu_1E é mesmo um Universo. As misteriosas e mágicas histórias estão praticamente todas cruzadas – encontramos os mesmos personagens aqui ou ali, por vezes apenas mencionados, outras como protagonistas. Ou até temas que se podem cruzar por momentos – e quando olhamos o tema é outro, a história foi por um terceiro caminho, quando só conseguíamos ver dois. Para mim, foi como abrir portas. Foi o que senti: que ia lendo e abrindo portas novas, como Alice a entrar num espelho para uma nova dimensão, para outra realidade que já conhecia, mas que tinha evoluído, e deleitar-me nesse conhecimento. Enquanto descobria mais um pouco sobre Aisha, ou quando via que, no futuro, tinha havido uma intenção cumprida em Ched, sentia-me cada vez mais dentro do livro, do mundo de Oyeyemi, que é feito de camadas deliciosas.

É difícil encontrar mais palavras sem escrever mais do que devo. Não quero escrever sobre cada tema, porque o livro merece ser lido. Contudo, quem me dera escrever contos assim, ter esta capacidade de colocar a minha mente mais além do que fora do quadrado – não só fora, mas sim em cima, ou debaixo, ou longe, tão longe que já nem se vê quadrado.

Obrigada, Elsinore / 20|20 por mais esta beleza de livro. Pelo envio, mas, principalmente, por a terem descoberto e trazido para a nossa língua. Magnífica, Helen Oyeyemi. Uau!

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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