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O que está a acontecer com as abelhas?

Insectos temidos pelas suas dolorosas picadas e criadas pelo ser humano em larga escala para a produção de mel, geleia real, cera e própolis, as abelhas, têm um papel biológico importantíssimo.

Há cerca de 20 000 espécies de abelhas espalhadas por todo o mundo e o seu representante mais conhecido é a espécie Apis mellifera (Abelha-Europeia), originária da Europa, da África e parte da Ásia e introduzida mais tarde na América e na Oceânia, sendo a espécie de abelha com maior distribuição em todo o mundo.

MG_oqueestaaacontecercomasabelhas_2As abelhas vivem em colmeias e são insectos sociais divididos em castas. Cada indivíduo tem o seu papel na colmeia e todos os indivíduos acabam por ter um papel cooperativo que é fundamental na sobrevivência de toda a espécie. Em cada colmeia, existem três castas. As Abelhas Operárias, fêmeas inférteis, que realizam diferentes funções, podendo encarregar-se de manter limpa a colmeia, como proteger a colmeia, armazenar o alimento, ou cuidar das crias. A Abelha Rainha, de tamanho um pouco maior do que as operarias, é a fêmea fértil que vai produzir novos indivíduos para a colónia, acasalando com o zangão e colocando cerca de 3 mil ovos por dia. A Rainha também dirige todas as funções a serem cumpridas na colmeia, através de feromonas. A terceira casta é a casta dos Zangões, que são machos férteis com função quase exclusiva à reprodução. Uma colmeia tem aproximadamente entre 60 a 80 mil abelhas, havendo apenas uma única rainha, cerca de 400 zangões e milhares de operárias. Este comportamento de castas sociais faz com que o indivíduo por si só não tenha valor e que este seja adquirido na colectividade e na colaboração.

Fundamentalmente, as abelhas são insectos essenciais para o processo do Ciclo da Vida, já que são os polinizadores mais importantes das plantas angiospermas (o maior e mais moderno grupo de plantas), promovendo a reprodução entre as plantas. Sem as abelhas não há mel e não há, sobretudo, reprodução, desaparecendo várias espécies de plantas e, consequentemente, espécies de animais. Calcula-se que uma terça parte dos alimentos ingeridos pelos humanos são polinizados por insectos, na sua maioria abelhas. Assim, graças a elas, consumimos diariamente frutas e verduras.

Insecto trabalhador e disciplinado, calcula-se que visita aproximadamente dez flores por minuto, em busca de pólen e néctar, fazendo, em média, quarenta voos diários. Com a língua, recolhe o néctar de cada flor e guarda-o numa bolsa localizada na garganta. Depois, na colmeia, o néctar passa de abelha em abelha até ser depositado em favos, onde este perde grande parte da sua água, engrossando-se e formando-se o mel. Uma abelha produz cinco gramas de mel por ano. Ou seja, para produzir um quilo de mel, as abelhas precisam de visitar cerca de 5 milhões de flores.

MG_oqueestaaacontecercomasabelhas_1Contudo, desde o ano 2006, apicultores de todo o mundo começaram a notar o desaparecimento de colónias inteiras de abelhas. Por exemplo, em 2007, mais de milhão e meio de colmeias dos Estados Unidos da América desapareceram e o fenómeno está a espalhar-se pelo mundo todo. As abelhas estão em extinção e isto, devido ao acontecimento denominado Distúrbio do Colapso das Colónias, ou DCC (em inglês, Colony Collapse Disorder). Um distúrbio ainda envolto numa nuvem de mistério e de teorias sobre as suas possíveis causas.

Os sintomas deste transtorno nas colmeias, na maioria dos casos, são:

  • Uma rápida perda das Abelhas Operarias, com um excesso de prole na colmeia em relação à população adulta.
  • Ausência de abelhas adultas mortas. Seja dentro ou fora da colmeia, elas simplesmente desaparecem. Acredita-se, porém, que as abelhas Operárias abandonam a colmeia, deixando para trás a Rainha, demonstrando um comportamento totalmente atípico.
  • As reservas de alimento nas colmeias abandonadas pelas Operárias, não sendo retirados por abelhas de outras colmeias, nem por pragas que se queiram alimentar deste alimento.

Há bastantes teorias sobre o desaparecimento das colónias de abelhas, mas deve ser feita mais pesquisa para serem conhecidas as causas do DCC. Pensa-se que contribuem para este distúrbio, a ausência de áreas verdes para que estes insectos realizem a polinização e recolham néctar para se alimentar, assim como também o fato de que as únicas áreas verdes disponíveis estejam infestadas de insecticidas. Outras teorias sobre as possíveis causas deste problema são: o aquecimento global; a contaminação de doenças nas abelhas, por causa dos parasitas; as monoculturas que reduzem a variedade da alimentação das abelhas, tendo isto efeitos na sua nutrição; e os cultivos transgénicos. Existem também estudos científicos que apontam as causas para as redes dos telemóveis. Toda esta mistura de possíveis causadores só nos deixa claro que muitos estudos ainda têm que ser feitos para esclarecer esta situação.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), estima-se que o valor económico dos serviços da polinização alcance os 200 mil milhões de dólares, pelo que o DCC é uma nova preocupação para a agricultura, dada a importante contribuição económica das abelhas (ainda bem, se não, talvez seriam abandonadas à sua sorte, como tantas outras espécies em risco de extinção e que não são economicamente importantes). Por essa razão, a pesquisa para melhorar a situação tem sido financiada por vários e distintos governos.

Nos Estados Unidos da América, foram feitos estudos relacionados com a saúde das colónias e das abelhas e estão a ser pesquisadas as possíveis causas do CCD, entre outras questões. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) tem confiado esta questão a várias das suas unidades e comissões científicas e publicou um comunicado sobre a mortalidade das abelhas e os métodos de controlo para evitar perdas nas colónias na Europa, destacando-se a deficiência dos sistemas de controlo para evitar o DCC, em 24 países europeus inspeccionados. Em 2012, a EFSA publicou um conjunto de recomendações a serem seguidas nos países com esta deficiência de controlo, para além de um importante guia para avaliar os riscos dos pesticidas para as abelhas. Já em 2013, restringiu-se o uso de três químicos na agricultura (Tiametoxam, Imidacloprid e Clotianidina), na União Europeia. Uma avaliação dos projectos em curso na EFSA, feita em Março de 2014, mostrou que a pesquisa na Europa ainda tem importantes lacunas e necessidades, principalmente no que toca ao que está relacionado com o efeito combinado dos vários factores que parecem causar o DCC e também no que toca a mais estudos em outras espécies de abelhas afectadas, sem ser a Apis mellifera.

Muito tem que ser feito ainda para entender melhor o que está a acontecer com as abelhas, mas ajudar a reverter a situação trata-se de algo importante e complexo, pois trata-se do salvamento de interacções e relações ecológicas essenciais para o Ciclo da Vida.

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Maria J Gutierrez

Bióloga de profissão, amante da natureza e de todas as suas formas de vida, desde os seres mais gigantes até aos mais pequeninos. Não há nada como estar com a família, descobrir o mundo, aprender, ler um bom livro e cervejinhas com os amigos.

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2 Comments

  1. Otro problema global…!Nos estamos dando el lujo de desaparecerlas y el desequilibrio que esto acarrea a la dinámica de los ecosistemas naturales no tenemos ni idea. Pero como siempre la pasividad es la que impera, no solo en lo que respecta a las abejas, sino a infinidad de especies tanto animales como vegetales..ya pagaremos las consecuencias…!

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