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CulturaLiteratura

O preço do sal, ou o preço a pagar pela felicidade.

Já não me recordo muito bem o ano, mas lembro-me perfeitamente como tive acesso a esta obra-prima. Numa altura em que ainda estudava, a única forma de ter acesso à literatura era através do aluguer de livros na biblioteca. Tínhamos acesso ao livro durante 5 dias e, findo esse prazo, teria que ser devolvido. Confesso que ainda hoje olhei para ele na minha estante, porque nunca o devolvi… Mas não me arrependo. Porque foi este livro que me fez começar a ter vontade de ler durante madrugadas a fio e cativou a minha atenção para a escrita. Nos dias de hoje, é uma história actual, mas, à data da sua publicação (1952), era uma história camuflada por uma sociedade sexista, cujos “valores” se prolongaram no tempo. Na verdade, ainda hoje existem, não obstante a maior abertura de mentalidades.

O Preço do Sal, título original da obra que, há bem poucos anos, foi adaptada ao grande ecrã com o título “Carol“, é uma história de ficção que retrata uma história real, a da autora, Patricia Highsmith, mas também a de tantas outras mulheres que sentem a mesma intensidade no amor com uma pessoa do seu género. É uma ficção que se funde com a realidade, ou uma realidade que se transforma em ficção? Neste caso em particular, a realidade deu lugar a uma história de ficção, uma história que deu lugar a um livro, que deu lugar a um filme. Não foi a única obra literária de Patricia Highsmith a ser adapatada ao cinema, O talentoso Mr. Ripley será a mais reconhecida. Só que esta é a que retrata a essência de uma mulher, que se tornou escritora, quebrando todos as regras sociais existentes à época. Uma escritora que escrevia sobre um tema tabu e que desafiava, com a “imoralidade” dos seus atos, a construção de um ideal feminista, cujos frutos se vieram a colher anos e anos depois. Contudo, não era só um desafio à moral e bons costumes, era também a tentativa de “normalizar” o conceito do amor. Hoje, como o entendemos, o amor é o sentimento maior que pode existir entre duas pessoas. À época, só poderia ser revelado entre um homem e uma mulher. Ainda que, como é sabido, o amor entre pessoas do mesmo género tenha existido de uma forma escondida, camuflada.

No entanto, estes não são os melhores motivos para ler este livro, porque, quem gosta de ler, vai agarrar-se aos pormenores descritivos de cada parágrafo. Cada odor, cada gesto, cada sabor, são descritos de uma forma em que se consegue senti-los. Como se estivéssemos a comer aquela refeição, ou estivéssemos dentro daquele automóvel a acompanhar as personagens na viagem das suas vidas. E a forma simples com que a autora escreve, funciona como um íman que nos prende às palavras, e nos faz folhear página a página, até que cheguemos ao final da história. E esta é uma história com um final feliz, assim o queiramos entender. Porque não sendo uma história de príncipes e princesas, revela o melhor que o amor pode ter. Existem discussões, amuos, momentos de afecto, afastamento, revolta, e momentos de reconciliação. É, portanto, uma história de amor com todos os condimentos, que revela o melhor e o pior de cada uma das personagens, mas é uma história com um final feliz e que dá razão à máxima actual que diz que o amor vence sempre!

O que se pretende, enquanto leitores, é apreender o melhor daquilo que lemos, transportarmo-nos para dentro daqueles lugares, e deixarmo-nos levar para onde o coração nos leva. E, se nos levar para um final feliz, somos capazes de imaginar uma história que também pode ser a nossa, onde o amor vence sempre.

Há histórias que mudam vidas, pelo exemplo, e esta mudou a minha, em todas os sentidos. Talvez tenha sido essa a verdadeira intenção da escritora.

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Rosalina Almeida

Apaixonada pela vida, pela forma de a escrever, pela forma de eternizar as melhores memórias da vida e pela forma de a ouvir através de uma banda sonora memorável. Se, para sobreviver, eu tivesse que escolher entre escrita, música ou fotografia, eu escolheria a escrita, a música e a fotografia (porque não sou capaz de viver sem nenhuma das três). Por isso, não poderia ir para uma ilha deserta... porque, provavelmente, só poderia levar uma, entre as três. Uma chatice?! Nem por isso... eu gosto de estar por aqui!

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