CrónicasSociedadeSociedade

O Poder das Palavras

A Voz do Editor surgiu de uma ideia que estava a ser usada para o Facebook, onde todas as sextas-feiras eram colocados dois posts – um referente ao Destaque da Semana e outro à Fava da Semana. Como o espaço para uma devida exploração dos temas nas redes sociais era pequeno, decidi avançar para uma crónica semanal de reflexão de momentos da semana que mereciam destaca, seja pela positiva, pela negativa, ou por serem curiosidades que ocorreram. Acima de tudo, pretendi construir um espaço de discussão, onde o objectivo era também incentivar o Leitor a dar uso ao teclado e deixar a sua opinião sobre os vários temas abordados fluir.

Esta semana essa dinâmica sofre uma pequena alteração, porque, tal como dois posts de Facebook evoluíram para uma crónica, também esta crónica em 2015 irá sofrer uma alteração que a seu devido tempo irá ser revelada. Por essa razão, decidi escolher 5 temas que me apaixonam como pessoa e cidadão atento ao que me rodeia para desenvolver nas últimas 5 crónicas d’A Voz do Editor, acrescentando sempre, como não podia deixar de ser, duas curiosidades no fim.

Para dar continuidade a estes temas finais, decidi falar sobre o Poder das Palavras na nossa sociedade e no indivíduo em particular…

Tema

Nós temos à nossa disposição o poder para mudar vidas, sarar um espirito enfraquecido, encorajar o sucesso, guiar aqueles que necessitam de ser guiados, criar ou destruir relações e deixar uma boa impressão de nós mesmos em alguém. Esse poder é o Poder das Palavras.

Todos usamos as palavras em qualquer conversação, já que este é o método que o ser humano usa para comunicar. Nós falamos, ou escrevemos. A palavra é o instrumento mais poderoso na Terra, mas será que alguma vez pensamos seriamente sobre o que dizemos a alguém, ou sobre a forma como estamos a dizê-lo? Como é que as nossas palavras têm um impacto nas relações que temos com os outros?

Os antigos acreditavam que a palavra falada continha o poder e a autoridade dos deuses. Séculos mais tarde, qualquer pessoa que fosse capaz de escrever as palavras era elevada quase ao nível de divindade, na sociedade em que estava inserida. Isto devia-se ao facto de as palavras ditarem a forma como a vida devia ser vivida, o que se podia, ou não fazer. Elas podem ser usadas para o bem, ou para o mal. Existiam feitiços e existiam preces. O poder das palavras não tinha limite. O mesmo se aplica ao mundo actual, onde as palavras, escritas ou ditas, ainda têm imensa importância. As palavras podem inspirar-nos a atingir grandes objectivos, ou podem impedir-nos de tentarmos. Uma simples frase pode fazer uma grande diferença na forma como vemos a realidade.

Eu sou uma página e a forma como vivo a minha vida atrai palavras até mim, criando a minha história, para que o mundo a possa ver. As palavras já juntaram nações e encaminharam populações inteiras no caminho da revolução e da vitória. Com uma única palavra, sociedades inteiras ficaram reduzidas a nada. Há palavras que me deram força, enquanto outras conseguiram derrubar-me. Algumas palavras deixaram-me entusiasmado, felicitaram-me, agradeceram-me e encheram o meu coração de alegria. Por outro lado, existem palavras que, no entanto, me magoaram e destruíram-me. Palavras que são capazes de inspirar a ambição, enquanto aumentam o pensamento racional. As palavras já confortaram muitas pessoas, dando-lhes a esperança de um futuro melhor. As palavras não ficam num canto de uma rua qualquer a pedir alguma misericórdia, nem procuram por elogios, ou gratidão. Elas são felizes ao desenvolverem o trabalho para que foram criadas, sem que precisem de reconhecimento de alguém.

Sou grato por todas as palavras que me ajudaram a moldar até me transformar na pessoa que sou hoje em dia, tanto as positivas, como as negativas. Sou grato por todas as palavras que nunca foram ditas, porque os momentos em que poderiam aparecer conseguiram preencher a necessidade da fala. Sou grato pelos elogias e pelos insultos, já que foram eles que criaram em mim a força da resiliência e da determinação.

Nós vivemos num mundo em que existem palavras em abundância, porém, a sinceridade na sua utilização é escassa. Palavras que são usadas sem cuidado perdem o seu ethos, a sua credibilidade. As palavras cativam e controlam as emoções humanas. Conseguem deixar-nos zangados, felizes, a chorar e cheios de esperança. Exemplo disso é a forma como estamos constantemente a medir a nossa felicidade baseada nas palavras que os outros nos dão.

Palavras que não são usadas de forma correcta conseguem levar à ruína, à destruição e à falta de harmonia a quem elas forem dirigidas. No entanto, uma palavra de coragem poderá trazer alegria e esperança para aqueles que estão a necessitar. A forma como as palavras são ditas revelam a intenção de um coração e o estado de uma determinada circunstância. Quando usadas correctamente, as palavras têm o poder de mudar o mundo, porque estão ligadas à nossa alma e fazem parte de nós. As palavras conseguem sair das páginas em que são escritas e conseguem fundir-se com o mais íntimo do nosso ser.

Os escritores usam as palavras para entreter, para nos fazerem pensar e para nos inspirarem. Como um belo mosaico, as palavras preenchem os cantos e os recantos das nossas vidas, fazendo-nos rir, chorar e ponderar. Como escrevia Emily Dickinson, “não conheço nada no mundo que tenha tanto poder como a Palavra. Por vezes, escrevo uma e fico a olhar para ela, até que começa a brilhar.”

Será que colocamos demasiado poder nas palavras? Talvez ter mais acção seja mais adequado ao mundo em que vivemos? Apesar de ser mais do que claro que necessitamos de mais actos de bondade e de amor, acredito que necessitamos também de palavras. Estas guardam em si mais do que acções, porque são capazes de nos unir enquanto espécie. As palavras conseguem criar uma noção de ligação, que as acções não conseguem. Quem não se lembra de como se sentiu, quando começou a aprender a ler? Parecia que uma porta para um mundo secreto se começava a abrir e as palavras eram a chave para aceder a esse outro lado.

O poder das palavras é mágico, espiritual, incrível. Nada é mais poderoso do que as palavras e devemos usá-las correctamente na nossa vida.

Momento

Apesar das suas promessas, a nudez de Kim Kardashian, na edição deste mês da revista Paper, não partiu a Internet. Verdade seja dita, como é que isso seria possível? Não são as primeiras fotos nuas desta celebridade, já que, em 2007, fez a sua primeira capa da Playboy e, no ano passado, apareceu em topless num videoclip do seu marido, Kanye West. Isto para também não falar do seu vídeo a fazer sexo, que foi colocado online.

Não demorou muito até que uma chuva de críticas se ouvisse por essas Redes Sociais fora, referindo a falta de gosto que as suas fotografias demonstram ter. No entanto, nem todas as mulheres que aparecem nuas em revistas são criticadas negativamente. As mulheres que colocam os seus corpos no centro da atenção navegam entre a constante negociação entre a capacidade de dar poder às mulheres e a sua degradação, sendo que só algumas mulheres é que conseguem ser consideradas um meio para que as mulheres se sintam mais poderosas.

Quando uma mulher decide despir-se publicamente, nós apoiamos, mas só sobre o pretexto correcto. Elas têm de o fazer como uma forma de arte, ou uma afirmação política, mas nunca o deve fazer por questões puramente comerciais. É suposto representarem alguém real, se esse real for ao encontro de uma normalidade aceitável, já que ninguém quer ver numa revista os pelos corporais de uma mulher, ou a sua celulite. Caso uma mulher não consiga alcançar todos os requisitos que a sociedade determina, é aconselhável que não haja nenhuma alteração ao seu corpo, através de cirurgia, porque será automaticamente rotulada de “falsa”.

Infelizmente para Kim Kardashian, as alterações que fez ao corpo e a regularidade com que aparece nua, ou em actos obscenos, tornaram a sua nudez e o seu corpo algo com pouco valor. Diria até, algo com muito pouco gosto.

Tags
Show More

Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Check Also

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: