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O Perigo da Politização de Temas

A politização de temas leva invariavelmente a uma divisão de opiniões, exacerbada pelas diferentes cores políticas de um determinado grupo de pessoas. De forma simples e minimalista, este conceito resume-se à apropriação por parte de facções políticas distintas de um tema previamente pouco polarizado, sendo usado para demarcar as divisões políticas entre os grupos. Ainda que, após uma primeira análise, se possa pensar que a politização de determinado assunto levará a uma discussão saudável do mesmo, é facilmente perceptível que tal acaba por não acontecer.

O caso modelo que demonstra e suporta o argumento referido é o do aquecimento global. Ainda que uma gigantesca maioria da comunidade científica defenda e comprove a sua existência, o assunto tem vindo a ser debatido incessantemente a nível político, tendo-se feito mínimos progressos no sentido da resolução do problema. Ao polarizar um tema que cientificamente tem apenas um lado, os partidos políticos conseguem demarcar as suas opiniões perante o eleitorado, procurando, assim, tentar encontrar votos num assunto que de outra forma seria inútil em época de eleições.

Um caso bastante evidente pode ser observado actualmente nos Estados Unidos da América. Ainda que a comunidade médica (e dos profissionais de saúde em geral) esteja comummente de acordo em relação à utilidade e importância da vacinação, determinados grupos de pessoas (no geral, casais de classe média-alta) começaram a não vacinar os seus filhos com receio de possíveis complicações que poderiam advir do processo. Ao encontrar este novo ponto de clivagem entre os cidadãos, a classe política tem vindo a aumentar esta separação de opiniões, polarizando o tema de forma a atrair eleitores.

É ainda importante reparar que a polarização de temas costuma ser mais frequente em países com círculos uninominais, onde cada membro do corpo legislativo concorre sozinho às eleições, como nos EUA e no Reino Unido. Uma provável razão para tal acontecer é a constante necessidade de atrair os eleitores, sendo preciso (ou pelo menos mais fácil) politizar assuntos que chamam a atenção do público para centrar as atenções em determinado candidato. Este fenómeno é ainda mais frequente em países com eleições primárias, onde o tempo de mandato é relativamente curto e o nível de profissionalização da vida política é mais alto.

Ainda que a discussão e argumentação política seja essencial para uma sociedade desenvolvida, a politização de temas acaba sempre por criar um impasse impossível de resolver, onde reconhecer o erro da própria opinião é declarar derrota e perder as eleições. Numa época em que as cores políticas são tão demarcadas como as futebolísticas – e onde a mesma irracionalidade é frequentemente empregue – é necessário analisar com frieza os assuntos fracturantes da sociedade, fugindo da opinião regurgitada por políticos em desespero.

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André Ferreira

"Political junkie", europeísta convicto e keynesiano por natureza. Ocupa todo o tempo que consegue com séries, filmes, música, livros, podcasts e qualquer outra fonte de entretenimento que consiga encontrar. Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUL-UL e pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela FCSH-UNL.

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